Série B

O Guia Trivela da Série B 2021 – com as avaliações locais de cada um dos 20 clubes

Conversamos com especialistas pelo país para entender melhor sobre cada um dos 20 participantes da segundona do Brasil

A Série B é um dos campeonatos com mais charme no futebol brasileiro. É a segunda divisão nacional e, inevitavelmente, reúne muitas torcidas de peso, em geral espalhadas por cidades importantes do país, com clubes tradicionais e jogadores conhecidos.

Os 20 clubes da edição 2021 representam 13 estados diferentes, o que mostra o quanto o campeonato estará espalhado pelo Brasil. O estado com mais clubes é o Paraná, com três. Sete estados têm um só time como representante. Em termos de representatividade, a Série B é muito mais nacional que a Série A, com 11 estados divididos nos seus 20 clubes.

Conversamos com jornalistas de todo o país, para trazer um toque local e entender como cada um desses 20 clubes começará a disputa na segundona brasileira, a partir deste dia 28 de maio. A última rodada está programada para o dia 27 de novembro. Até lá, muita água para correr. Então, aproveite para conhecer os clubes que começam um dos campeonatos mais equilibrados do país.

(André Palma Ribeiro/ @AvaiFC)

Avaí

Eduardo Fernandes (@eedufernandes), jornalista do Grupo VEG Esportes, acompanhando Avaí e Figueirense há aproximadamente 10 anos

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Avai tem um padrão tático muito definido, muito organizado. Sofreu apenas seis gols no Campeonato Catarinense. Por outro lado, é nítida a dificuldade de fazer gols. Mas os resultados aparecem. São 14 jogos de invencibilidade o que demonstra segurança para uma parte da torcida, embora outra parte não goste do que é apresentado.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstâncias?

O começo da montagem foi totalmente inerte. O Avaí começou o estadual sem apresentar novidades. Aos poucos chegaram reforços, com destaque para os já rodados e conhecidos Diego Renan e Giovanni, que são titulares. O meia Valdívia ficou algumas rodadas sem jogar por processo de renovação. Assim que foi renovado o contrato, voltou ao time. O grupo ainda precisa de atacantes.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Sem dúvidas, o destaque do time desde o início da temporada é o volante Bruno Silva. Tem tudo para ser o destaque também na Série B. O zagueiro Betão é outra liderança que vem jogando bem.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O atleta que mais foi utilizado pelo Avaí nesta temporada é Lourenço. Ele começou como lateral, se transformou em atacante e, por conta de críticas da torcida, foi emprestado ao Santa Cruz em 2020. Retornando de empréstimo, é peça fundamental no time de Claudinei Oliveira. Para a torcida, não merece ser titular, porém Claudinei vê Lourenço como de fundamental importância. Ele é formado pela base do clube.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O Avaí tem dois obstáculos. O primeiro é melhorar o rendimento do ataque. Defensivamente vem bem, mas está bem longe de ter um aproveitamento aceitável na parte ofensiva. O segundo ponto já é conhecido e não é exclusivo do Avaí: a parte financeira. A folha salarial do Avaí passa de R$ 1 milhão, pelas informações. É preciso ter os cofres bem cuidados e administrados para que os salários não se atrasem durante o ano.

(André Palma Ribeiro/
@AvaiFC)

Botafogo

Thales Machado (@thalescmachado), editor de esportes dos jornais O Globo e Extra

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Falar de padrão tático e até de nível de desempenho do Botafogo no início desse ano é muito complicado, porque é um trabalho muito curto e um trabalho que pegou o time em terra arrasada. Não sobrou quase nada, como era de se esperar, do time que ficou em último lugar no Brasileirão do ano passado. É um time com muito menos dinheiro que se tinha quando foi feito o trabalho do ano passado. Ainda que parecesse, principalmente no começo, que havia um padrão tático de início, modificou muito com o tempo, com a crise técnica que o time acabou passando no campeonato estadual. Já o nível de desempenho em geral foi de regular para ruim, nunca chegou a realmente animar. No último jogo contra o Vasco na disputa dessa Taça Rio, esse torneio amistoso, o time demonstrou uma evolução, mas não dá para cravar uma certeza de que é uma evolução. Mesmo nesse período curto o time já pareceu que ia evoluir e caiu de produção, caía de produção e depois evoluía de novo… Então, a impressão que dá é que o Chamusca está tendo um pouco mais de dificuldades para conseguir achar um padrão mesmo para o time, até porque é um elenco em que as peças foram chegando, um elenco que não se adiantou como o Vasco para fazer as contratações. E que as peças que vão chegar agora, pelo menos é a esperança da torcida, vêm para aumentar um pouco a qualidade técnica do time, que é muito ruim.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

A montagem desse elenco foi do jeito como o Botafogo conseguiu, com jogadores muito baratos. Se dá para tirar uma característica dessa montagem, foi uma extrema confiança no técnico, que é o Chamusca, mas que ainda não se viu justificada o porquê dessa confiança toda – além, é claro, do trabalho dele ano passado no Cuiabá. Muitos jogadores que chegaram no Botafogo (inclusive, esse é um ponto de polêmica hoje) foram indicados pelo próprio Chamusca. E são jogadores que não desempenharam tão bem. Isso criou mais um ponto de tensão para o técnico, porque os jogadores que ele indicou não estão rendendo. Mas o Botafogo confiou e vai com ele pro Brasileirão. Ele criou esse legado, que vamos descobrir na Série B se vai dar certo ou errado.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Eu tenho muitas dificuldades de analisar o Botafogo nesse começo. Os recados para mim não estão claros em relação a padrão tático, desempenho, o que vai ser e o que não vai ser – mesmo eu acreditando que o Chamusca vai ficar, e vai ficar por um bom tempo, ainda que o desempenho não seja tão bom nesse comecinho. Posso apontar uma trinca de candidatos a destaque. O Kanu é um zagueiro que se destacou na Série A do ano passado, mesmo com a campanha muito ruim. Ele pode se consolidar, ainda que jovem, como um xerifão da zaga – mesmo com a volta do Carli, que é bem mais experiente. Acho o Pedro Castro, meio-campista que veio do Avaí, é uma das raras exceções que desempenhou um bom papel nesse começo de temporada. É uma das esperanças da torcida do Botafogo. E, por fim, o PV, que é um lateral que não foi titular o tempo todo, mas desempenhou muito bem quando foi e pode ser um destaque inesperado de Série B, apesar de ser muito jovem.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Quando se fala em jovem e esperança do Botafogo, por algum tempo, a gente vai falar de Matheus Nascimento. Ele estreou no ano passado, não marcou gol no Brasileiro, e marcou só um nesse ano, mesmo no estadual. Mas é um jogador que, ainda que nos jogos como profissional não demonstre todo potencial, você consegue entender que há algo especial ali. O Botafogo está tendo uma pressa (não por querer, mas porque precisa) em lançá-lo e acho que a Série B é a melhor oportunidade possível para ele se destacar, dar uma alegria para a torcida do Botafogo enquanto ainda estiver aqui. Por mais que o Botafogo valorize, tenha um plano para ele, é muito complicado pensar que ele vai ficar por muito tempo – principalmente se fizer uma boa campanha, for um herói do acesso, porque ele tem um mercado muito grande e é um pouco da esperança de salvação financeira, mesmo que não vá salvar tanto.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O Botafogo tem um grande obstáculo, que é a situação financeira. Mas, já que estamos falando de Série B, na qual são muitos times com esse mesmo obstáculo, acho que o maior de todos é passar o recado para a torcida do que o clube vai fazer nesse campeonato. Se o Botafogo conseguir fazer uma campanha sólida, mas que no fim das contas não dê o acesso; se conseguir se adequar; e se o trabalho da diretoria também for feito para melhorar a vida do clube financeiramente, vai ser um bom ano. O Botafogo precisa passar esse recado para a torcida: ficar na Série B sem passar sufoco de cair (o que seria um pesadelo) já seria um bom ano, porque, de fato, a situação é muito perigosa.

(Carlos Insauriaga / @GEBrasilOficial)

Brasil de Pelotas

Giancarlo Santorum (@giancarlosantorum), jornalista gaúcho e colunista do @loucospelobvboficial

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Treinado pelo paranaense Cláudio Tencati, o Xavante inicia a Série B após um fraco desempenho no estadual: nona colocação num campeonato de 12 equipes. Venceu somente três partidas, sendo apenas uma em casa e escapando do rebaixamento.  Além de ostentar o pior ataque da competição, com oito gols, obtendo média inferior a um gol por partida. O único padrão tático que devemos ter é o implementado por Tencati em seus trabalhos anteriores, como no Londrina, onde conquistou acessos e o estadual paranaense: uma equipe com solidez defensiva, que sabe sofrer. E cirúrgica ofensivamente, aproveitando toda e qualquer brecha, apostando na velocidade pelos lados. O Brasil, ao término dos estaduais pelo país, começou a anunciar alguns reforços e, aos poucos, a equipe vem tomando forma. O elenco deve ficar completo no decorrer da competição, como já é costume aqui em Pelotas.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

É importante ressaltar que o Brasil é um dos poucos clubes de interior nessa edição da Série B (dos 20, apenas seis são do interior de seus estados: Brasil, Brusque, Guarani, Londrina, Operário e Ponte Preta). Considerando o poderio financeiro dos dois paulistas desse seleto grupo, Guarani e Ponte Preta, os outros quatros são as equipes de menor investimento no campeonato. 

A montagem do elenco rubro-negro sempre inicia após o término de outros estaduais, para aproveitar boas oportunidades de investimento, sem comprometer o curto orçamento. Também conta com jovens emprestados por outras equipes do país, para que ganhem rodagem. Foi o caso do Bruno José, destaque do Brasil na Série B 2020, que era emprestado junto ao Internacional.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Anunciado há alguns dias, Denilson, ex-São Paulo e Arsenal, que estava no futebol de Malta, chega pra ser a referência técnica da equipe rubro-negra. O volante de 33 anos quer recuperar o futebol que o consagrou, e aposta no projeto do Xavante para que isso aconteça. O elenco do Brasil ainda conta com o atacante Júnior Viçosa, que tem largo currículo na Série B e pode ser decisivo nessa que deve ser a edição mais acirrada da segundona.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Sem dúvidas, Fabrício. A última grande revelação do Xavante, o atacante de 20 anos foi vendido ao Grêmio no segundo semestre de 2019. Retorna ao clube que o formou, em contrato de empréstimo. Excelente posicionamento, veloz e de ótimo cabeceio, o centroavante esteve no elenco do Grêmio que foi vice da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2020. Também cabe menção a outro jovem atacante, André. Outra promessa oriunda da categoria de base do clube é mais um atacante veloz e de boa finalização que surge na Baixada. Impressionou nas categorias de base e tem sido relacionado com o profissional desde a Série B de 2020.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Além da distância a ser percorrida, já que o clube fica a mais de três horas de Porto Alegre, no sul do Rio Grande do Sul, e do pequeno orçamento para a competição, também cabe citar a falta da torcida. Intitulada como “a maior e mais fiel”, a torcida rubro-negra faz muita falta ao elenco xavante. Responsável por transformar o Estádio Bento Freitas num caldeirão, a torcida teve que se manter longe do estádio em razão da pandemia, o que ocasionou uma visível queda de rendimento nos jogos como mandante

(Lucas Gabriel Cardoso / Brusque FC)

Brusque

João Vítor Roberge (@jvroberge), repórter do jornal O Município

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Fica a impressão de que o Brusque poderia estar fazendo um pouco mais quanto a desempenho. Há algum tempo o ataque tem sido um tanto irregular, com menos criação que o comum. Ainda assim, o time é experiente e obtém resultados importantes. 

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

A diretoria pretende trazer nomes mais experientes para a Série B. Foi o caso de Jhon Cley, por exemplo, e também o de Tinga, que tem sido preterido pela comissão técnica. Há vários jogadores remanescentes da Série C e até mesmo da Série D de 2019.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Thiago Alagoano, sem dúvida. Tem média de um gol a cada dois jogos, é decisivo, já salvou o time inúmeras vezes e é a estrela do time desde 2019.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Pepê, volante de 18 anos, revelado no Atlético Catarinense, de São José, é uma boa promessa. O meia Diego vem do JEC aos 21 anos com mais de 50 jogos pelo ex-clube. No Catarinense fez um gol e quatro assistências. Como é mais experiente, há mais expectativas sobre ele.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Manter os jogos em casa no Augusto Bauer, onde sempre foi mais forte. Hoje, isto só é possível sem público.

(Lucas Almeida / AD Confiança)

Confiança

Demétrius Oliveira (@dvsoliveira), jornalista do GloboEsporte

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O time vinha atuando no 4-2-3-1 com o técnico Daniel Paulista e, pelo perfil, não deve ser muito diferente com o novo comandante, Rodrigo Santana. A defesa do time apresentava solidez, porém, do meio pra frente o time tinha dificuldades na criação e finalização. Os atacantes azulinos estão em baixa e marcaram poucos gols neste início de temporada. Rodrigo Santana teve cerca de 20 dias antes do início da Série B para conhecer o elenco e implantar o seu sistema, entretanto, com os treinos fechados durante a pandemia, fica difícil esboçar o time titular e suas nuances.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O time não mudou muito em relação ao que foi eliminado no campeonato estadual. Sem muito dinheiro para investir e focados em não errar, os dirigentes proletários costumam estudar muito as contratações e também propor parcerias por empréstimos para outros clubes. O elenco atual tem boas peças em algumas posições, mas precisa recheá-lo com mais qualidade para não correr grandes perigos na competição nacional. Desde a saída de Bruninho, o Confiança perdeu o jogador que tinha mostrado o melhor futebol. Agora, o Dragão aposta na experiência de jogadores com rodagem.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Com a saída do meia-atacante Bruninho, que estava emprestado pelo Atlético Mineiro, o clube perdeu sua principal referência técnica neste início de temporada. A esperança fica sobre o meia Álvaro, que tem tudo para crescer de rendimento atuando mais centralizado. Além disso, ele já se mostrou como sendo uma boa alternativa como terceiro homem de meio-campo. Um adendo é o zagueiro Nery Bareiro. Ele mostrou bastante potencial defensivo indo bem nos desarmes, posicionamento e jogo aéreo, qualificando ainda mais a defesa proletária.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Após o início da pandemia do novo coronavírus, a categoria de base do clube sofreu um baque e chegou a ficar desativada por alguns meses, retomando apenas em 2021, porém timidamente. Alguns jovens foram integrados ao elenco profissional, mas não receberam muitas chances na equipe principal. Acredito que nenhum jovem tenha potencial de assumir papel de destaque dentro da Série B neste ano.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O time ainda precisa assimilar o espírito mais aguerrido necessário para a Série B. A competição acaba requerendo muito mais força física do que qualidade técnica das equipes. Nesse quesito, o Dragão ainda não mostrou que pode se sobressair e até foi eliminado em algumas competições em que era mais qualificado tecnicamente, mas exercia uma marcação um pouco mais frouxa, que acabou prejudicando.

(@Coritiba)

Coritiba

Fernando Freire (@freire88), do Globo Esporte.com

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Coxa até teve um início bom, passando por União Rondonópolis-MT e Operário-PR na Copa do Brasil e ocupando as primeiras posições no estadual. O time, porém, sofreu com desfalques e com a queda de produção de alguns jogadores, emendou cinco jogos sem vitória e nem passou de fase no estadual. Ficou em nono entre 12 times. Apesar disso, o Coxa tem, hoje, uma espinha dorsal, com Wilson, Luciano Castán, Rafinha e Léo Gamalho. O time joga em um 4-2-3-1 (ou 4-3-3), mas pode até mudar o esquema por conta da falta de bons pontas.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstâncias?

O Coritiba sofreu uma reformulação após o rebaixamento para a Série B. Foram mais de 15 saídas e mais de 15 reforços. Alguns jogadores chegaram após o estadual, inclusive, como o goleiro Alex Muralha, o zagueiro Henrique (aquele ex-Corinthians e Flu) e o volante Gustavo Bochecha. Até pela eliminação no estadual, o técnico Gustavo Morínigo teve mais de 10 dias para trabalhar e fazer os ajustes. Além disso, a diretoria segue de olho no mercado.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Wilson, Luciano Castán, Rafinha e Léo Gamalho formam, hoje, a espinha dorsal do Coritiba. E Henrique e Bochecha chegam com status de titulares. Desses, acredito que Léo Gamalho seja a grande esperança para a Série B. Marcou sete gols em 10 jogos e mostrou oportunismo. Teve gol de cabeça, de pé direito, de pé esquerdo… E é um jogador acostumado com Série B. Com Bochecha chegando e Robinho voltando de lesão, o time deve criar mais chances, e Léo Gamalho deve manter – ou até melhorar – essa ótima média de gols.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

A maioria dos titulares do Coxa já tem mais de 30 anos. Wilson, Luciano Castán, Willian Farias, Rafinha, Léo Gamalho… Igor, de 23 anos, e Val, de 24 anos, são os titulares mais novos. Entre os reservas, o lateral-esquerdo Ângelo, de 20 anos, é um jovem que está pedindo passagem. Tem se destacado na Copa do Brasil sub-20 e pode roubar a vaga de Romário. Talvez seja a principal promessa da base alviverde já para 2021.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O Coritiba caiu logo na primeira fase do estadual. Então, começa a Série B já pressionado e sob desconfiança. Mas uma vitória, claro, já pode espantar essa má fase. Em relação ao time, acredito que o excesso de jogadores experientes (seis ou sete titulares acima dos 30 anos) pode pesar, até pela maratona de jogos. Mas a principal preocupação é em relação aos pontas. O Coxa testou Igor Paixão, Cerutti, Waguininho, Tailson, Dalberto… e ninguém convenceu. É, disparada, a posição mais carente do time hoje.

(@CRBOficial)

CRB

Josué Seixas (@Josué_Seixas), jornalista de Maceió publicado em Guardian, Daily Mail e UOL

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Acho que de todos os times da Série B, o CRB vai ser o mais difícil de responder a essa pergunta. Na segunda-feira (23), o time demitiu o Roberto Fernandes, reflexo da derrota do Campeonato Alagoano e eliminação da Copa do Nordeste, e anunciou o Allan Aal, que subiu com o Cuiabá na edição passada da Série B. Só que o primeiro treino do Allan foi só na terça (24), e o CRB já entra em campo no sábado (29). Vai ser uma surpresa.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Allan Aal, pelo menos nesse começo, vai ter que usar as peças que o Roberto Fernandes considerou importantes. O presidente do CRB, Mário Marroquim, falou em uma lista de dispensas e de contratações, mas acredito que o novo técnico ainda não tenha tido um grande poder de decisão nelas. Como o tempo de pausa de uma temporada para a outra foi muito curto, o técnico Roberto Fernandes conseguiu segurar peças importantes da Série B do ano passado, como Reginaldo (lateral), Gum (zagueiro), Wesley (meia), Claudinei (meia) e Diego Torres (meia).

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O jogador que mais comanda as jogadas no CRB é o Diego Torres, sem dúvida. O camisa 10 argentino é quem constrói as jogadas de ataque e tem um bom passe. Ele também é o responsável do time nas bolas paradas.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Não. Infelizmente vemos uma cultura de pouco aproveitamento de jovens no CRB. Até pode ser que vejamos um garoto ou outro que suba da base durante a Série B, mas a tendência é que sejam feitas contratações e dispensas especialmente nesse começo de campeonato.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O CRB está numa fase de mudanças. Depois de muito tempo nas mãos de uma gestão que não conseguiu o acesso à Série A e que, mais ainda, viu o rival conseguir esse objetivo, o time teve uma mudança na diretoria, e a ideia foi de que houvesse um trabalho começando quase do zero em alguns aspectos. Então, é um clube que está se adaptando a essa mudança de filosofia em todos os aspectos – gestão, marketing, comercial. E agora ainda se coloca nessa balança um novo técnico que estreará na Série B com só quatro dias de trabalho.

(@ggaleixo / Cruzeiro)

Cruzeiro

Vinicius Grissi (@ViniciusGrissi), comentarista do Donos da Bola na TV Band Minas e do Arena 98 da rádio 98FM

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Desde o início da temporada o Felipe Conceição tem tentado implementar um modelo bem diferente do que era praticado na anterior. E o Cruzeiro já consegue mostrar algum padrão dentro das ideias: marcação mais alta e agressiva, intensidade com a bola e ocupação do campo ofensivo. Ainda faltam ajustes, principalmente com relação ao acabamento das jogadas ofensivas, mas hoje dá para dizer que o Cruzeiro é um time com uma ideia e padrão. O desempenho ainda oscila bastante, até pela capacidade técnica do elenco, mas taticamente é uma equipe consistente.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstâncias?

O mercado do Cruzeiro em 2021 é muito menos agressivo que na última temporada. A única contratação de maior impacto financeiro foi Alan Rushel, que não seguirá para a Série B. Em geral, o clube buscou jogadores que fizeram boa Série B na última temporada e que estavam disponíveis a baixo custo, sem contrato ou por empréstimo. Com isso, conseguiu poucos reforços significativos tecnicamente, embora os jovens ainda tenham margem para evoluir. O Cruzeiro gastou menos, mas seguiu pouco assertivo no mercado.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Rafael Sobis é sem dúvida a referência técnica do elenco. Tem jogado como um 9 de mais mobilidade, mas pode ser um meia em algumas circunstâncias de jogo, abrindo espaço para mais um atacante. Se ainda pairam dúvidas sobre as condições físicas, há certeza que será necessário extrair o máximo dele para que o time possa brilhar.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

O volante Adriano já tinha assumido papel importante na última Série B e aos poucos vai crescendo dentro do modelo de Felipe Conceição. Mas a meu ver, o jogador com maior margem de crescimento é o zagueiro Weverton, que fez um bom campeonato estadual apesar de algumas falhas na semifinal. É um jogador que ainda precisa passar por alguns processos, mas é rápido e corajoso.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Impedir que os problemas extra campo cheguem ao vestiário, principalmente os de ordem financeira. O Cruzeiro tem sofrido com constantes atrasos salariais e problemas judiciais que deixam o ambiente sempre conturbado. Blindar o grupo com uma gestão em que o elenco acredite (o que ainda me parece distante) é fundamental para fazer uma Série B mais consistente.

(@oaugustoliveira / @CSAOficial)

CSA

Josué Seixas (@Josué_Seixas), jornalista de Maceió publicado em Guardian, Daily Mail e UOL

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O CSA é um time bem organizado, mas que passou por uma mudança de técnico há pouco tempo. Saiu o Mozart Santos, que se transferiu para a Chapecoense, e entrou o Bruno Pivetti, que já conquistou o Campeonato Alagoano com o grupo. Na Copa do Nordeste, o meia Patrick de Lucca, do Bahia, disse que o CSA foi um dos melhores times que ele enfrentou taticamente por causa da boa organização dos jogadores dentro de campo. Apesar de ter sido eliminado na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil, o time foi bem no Campeonato Alagoano e levantou a taça.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O CSA tem jogadores de confiança independente do técnico que está à frente do time. Vieram boas adições, como o Guilherme Dellatorre, o Bruno Mota e o Marco Túlio no setor ofensivo e a manutenção de jogadores das campanhas da temporada passada, à exemplo do goleiro Thiago Rodrigues, do lateral-direito Norberto e do meio-campista Gabriel. O CSA é um time com uma base de jogadores bem definida.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O CSA construiu uma base de jogadores que é interessante e que foram bem nas três competições do time nesse começo de ano (Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Campeonato Alagoano). O goleiro Thiago Rodrigues é um dos mais confiáveis do time e vem chamando atenção. Do meio para a frente, acredito que o Bruno Mota (melhor jogador do Alagoano) e o Guilherme Dellatorre são os bons nomes, já que são os artilheiros do clube no ano.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Infelizmente não. Não vemos no CSA uma tendência para aproveitar os jogadores da base nesse começo de temporada, mas pode ser que tenhamos algum durante a Série B. A tendência é que, se algum jovem aparecer, ele tenha sido contratado por empréstimo de algum time de Série A.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

A grande questão do CSA nessa Série B é enfrentar a pressão. Nós estamos falando de um time que subiu da Série D à Série A em sequência, teve chances de se manter na elite, caiu para a Série B e ficou na beirinha da classificação na temporada passada. A pressão no futebol brasileiro passa muito por resultados, gerando uma forte cobrança da torcida caso eles sejam negativos e no CSA não será diferente.

(Rosiron Rodrigues / Goiás EC)

Goiás

João Paulo Di Medeiros (@jpdimedeiros), repórter do Jornal O Popular

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Não dá para tirar quase nada. Após fracasso no Goianão com a 7ª colocação e um time formado, basicamente, por garotos das categorias de base, a diretoria esmeraldina contratou o técnico Pintado e acertou com nove reforços. O time titular deve ter uma cara bem diferente do observado na disputa do estadual no primeiro semestre.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Goiás mirou em jogadores com experiência na Série B e buscou os artilheiros do Campeonato Carioca, Alef Manga (Volta Redonda), e do Campeonato Paulista, Bruno Mezenga (Ferroviária). O clube também contratou vários jogadores com indicação do técnico Pintado, como o zagueiro Matheus Salustiano e o atacante Everton Brito, que estavam na Ferroviária,  e o zagueiro Reynaldo César, que jogou com o treinador no Juventude.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O Goiás aposta muito no ataque formado por Alef Manga e Bruno Mezenga. O primeiro, no entanto, é visto com potencial para explodir na carreira e seguir passos semelhantes aos de Bruno Henrique em sua passagem pelo Goiás em 2015.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O atacante Vinícius Lopes, de 22 anos, é a bola da vez como aposta oriunda da base. O jogador teve relativo destaque na campanha de rebaixamento na Série A de 2020 e busca se afirmar como jogador no cenário nacional.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O desempenho ruim no Goianão coloca pressão sobre o time para a disputa da Série B. Com um time ainda em formação e buscando entrosamento, o Goiás precisa superar essa dificuldade nas rodadas iniciais para não perder muitos pontos e ficar distante do G-4, pois o objetivo do clube é voltar imediatamente para a Série A.

(Thomaz Marostegan/Guarani FC)

Guarani

Carlos Rodrigues (@carlosrodsilva), setorista do Guarani na Rádio Central

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

A marca do Guarani nesse início de temporada foi a oscilação. O Bugre conseguiu classificação para a fase final do Campeonato Paulista pela primeira vez após nove anos, mas terminou o campeonato com aproveitamento de apenas 38,5% – tem mais derrotas do que vitórias no ano. O time teve bom desempenho contra Palmeiras e Corinthians, por exemplo, mas foi derrotado. Assim como não jogou bem contra Santo André e Botafogo e saiu de campo vitorioso. Taticamente, o time teve algumas variações durante o campeonato. Iniciou o Estadual com um centroavante de ofício (Rafael Costa), que não foi bem e depois a aposta foi num ataque de mais velocidade e movimentação, sem essa referência. Em alguns jogos a equipe foi mais propositiva e em outros apostou mais em transições. O time até criava bastante, mas a dificuldade em converter as oportunidades em gols chamou a atenção.

Já o rendimento defensivo foi preocupante. O time foi um dos que menos sofreu finalizações no Paulistão, mas ainda assim terminou o torneio como uma das defesas mais vazadas. Ou seja, os adversários não chegavam tanto, mas quando a defesa era exigida, sofria bastante.

Só que agora as coisas mudam com a troca no comando técnico. Daniel Paulista vai substituir Allan Aal e fará a estreia na Série B tendo menos de uma semana de treinamentos. Em sua apresentação, o treinador disse que pretende montar uma equipe com muito repertório ofensivo, mas também ponderou que essa estratégia de jogo vai depender das características das peças que terá à disposição.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O elenco não sofrerá mudanças drásticas em relação ao Campeonato Paulista. Como a maioria do grupo já tinha contrato vigente, a diretoria optou pela manutenção de uma base. Dois jogadores com vínculos mais curtos – o zagueiro Romércio e o lateral-direito Eder Sciola – não renovaram e a baixa significativa foi do zagueiro Airton – capitão da equipe, ele estava emprestado pelo Avaí e foi negociado com o futebol do Exterior.

Entre as novidades, por enquanto a única contratação confirmada é do zagueiro Carlão, formado no Corinthians e que estava na reserva do Mirassol. Mas o clube já tem um pré-contrato com o atacante Lucão e ele tende a ser o nome de maior impacto entre essas caras novas. Tem perfil goleador, já foi vice-artilheiro da Série B e a expectativa é de que possa finalmente ser o ‘9’ confiável que o Guarani busca há muito tempo.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Pelo que fez no Campeonato Paulista, a principal esperança é o meia Andrigo. Ele chegou sem muito alarde, mas foi de longe o maior destaque do time no Campeonato Paulista. Foi o artilheiro da equipe com quatro gols e referência ofensiva. No início do Estadual foi escalado como um extrema pela direita e não rendeu, mas subiu demais de produção quando atuou na armação. Com liberdade para transitar e encostar no ataque, participou ativamente das jogadas ofensivas do time e teve como principal arma as finalizações de média distância.

De quem se espera muito também é do Régis, ex-Bahia e Cruzeiro. Ele chegou com status de principal contratação para o Paulistão, mas não correspondeu. Demorou um pouco para entrar no ritmo e depois sofreu com problemas clínicos – uma suspeita de Dengue. Na Série B, se espera mais regularidade.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Com potencial de explodir, acredito que não. O Guarani tem utilizado muito as categorias de base e, inclusive, quase um terço dos jogadores aproveitados no Paulistão foram formados no clube. Mas não existe aquele com pinta de protagonista. Nas últimas temporadas, o lateral-esquerdo Bidu surgiu com bastante potencial, mas o 2021 dele é bem ruim – não à toa, perdeu a titularidade nas quartas de final do Campeonato Paulista. Ainda assim, o clube conta com um bom desempenho dele na Série B para conseguir uma venda e fazer caixa, afinal ele já tem 22 anos.

Um nome de quem se espera bastante é o atacante Matheus Souza, de 20 anos. Foi bem na base em 2019, fez a transição para o profissional no ano passado e na atual temporada tem atuado com mais frequência. É veloz, tem bom um contra um, mas ainda peca nas finalizações. Talvez a ansiedade por marcar pela primeira vez no time profissional esteja pesando, mas é um aspecto a ser corrigido pra que ele possa render o que se espera.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Por causa de anos de administrações ruins, o Guarani ficou ‘parado’ no tempo. Pelo volume de dívidas, o clube tem certa dificuldade para investir em estrutura e fazer investimentos maiores no plantel. A atual diretoria tem buscado ajeitar a casa, mas a situação não é cômoda. A folha salarial do clube deverá estar entre as menores do campeonato e isso diretamente interfere na montagem de um elenco mais qualificado. Portanto, o principal obstáculo será conseguir montar um elenco modesto, mas ao mesmo tempo equilibrado e qualificado o suficiente para aguentar o tranco dessas 38 rodadas.

Outra preocupação é com o início de campanha do time. Em 2019 e 2020, o Guarani teve um péssimo aproveitamento nas primeiras partidas, frequentou a zona de rebaixamento e só evitou a queda à Série C graças a ótimos trabalhos de Thiago Carpini (em 2019) e Felipe Conceição (em 2020). É temeroso esperar que o ‘raio’ caia pela terceira vez. Portanto, é importante o Bugre conseguir uma boa largada para evitar complicações futuras.

(@LondrinaEC)

Londrina

Felipe Augusto (@felipeseriez), editor da Revista Série Z

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Sem Copa do Brasil, o Londrina focou toda sua preparação para a Série B no Paranaense. O início foi bem inusitado, com seis empates nas primeiras rodadas do Estadual. Nesse período, houve a transição com a saída de Silvinho e a entrada de Roberto Fonseca. Depois disso, o time perdeu para o rival de divisão Operário (que enfrentará na semifinal do Estadual), mas engatou uma sequência de vitórias. A melhor partida foi exatamente a última antes da estreia, quando fez um 3 a 0 acachapante para cima do Cianorte.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Desde o retorno à Série B, em 2016, o Tubarão tem dois times para a temporada: o que disputa o Estadual, com o adendo da volta de emprestados, e outro para o Nacional. Foi mais ou menos isso que ocorreu em 2021. Do time que venceu o Remo no jogo de acesso, permaneceram o goleiro Dalton, o zagueiro Marcondes, o volante Bidía, o meia Adenílson e o atacante Douglas Santos. O atacante Alisson Safira, o goleiro César e o zagueiro Augusto retornaram após empréstimo. Para a Série B, os destaques ficam pelas contratações dos centroavantes Tiago Orobó e Salatiel e um trio do Ypiranga na Série C 2020: Caprini, Mossoró e Tárik.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O nome é Adenílson. Mesmo que seja a primeira Série B da carreira dele e com 29 anos, o meia é peça fundamental do time independente do treinador. Depois de boa campanha com o FC Cascavel em 2020, ele chegou ao clube para assumir um protagonismo. Chegou a hora de mostrar o bom futebol em uma nova divisão nacional.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

O LEC tem bons nomes jovens, como Douglas Santos (22), Caprini (23) e Matheus Bianqui (23). Minha escolha será pelo último, que está há três anos no time profissional, mas pela primeira vez terá a chance de iniciar a Série B de maneira mais tranquila – pois em 2019 esteve em campo quando o time lutava para não cair. Agora, mais experiente, tem tudo para mostrar mais, sendo um volante alto, bom marcador e com bom passe.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

A regularidade. Mesmo com a mudança na metade final do Estadual, o torcedor ainda fica meio receoso sobre qual Londrina chega na Série B. Os reforços dão uma capacidade interessante ao elenco. Porém, o rebaixamento de 2019 e o acesso “com um gol contra” ainda causam dúvida na torcida, que espera que esse momento tenha sido um ponto fora da curva, pois a equipe vinha batendo na trave para subir à elite.

(@TiagoCaldas / CNC)

Náutico

Luís Francisco Prates (@luisf_prates), jornalista do DNA Alvirrubro

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Sob o comando de Hélio dos Anjos, que chegou no início do segundo turno da Série B 2020 para tentar salvar o Timba do rebaixamento e felizmente conseguiu o objetivo, o Náutico tem jogado com muita intensidade e mostrado à torcida que ela pode acreditar em um 2021 bem melhor. A equipe atua em um 4-2-3-1 com transições rápidas, marcação forte e um ataque que se movimenta bastante. Imagina-se que o time-base para o início da Segundona seja o que desbancou Santa Cruz e Sport na fase final do Campeonato Pernambucano: Alex Alves; Hereda, Wagner Leonardo, Camutanga, Bryan; Rhaldney, Djavan, Jean Carlos; Erick, Vinícius e Kieza.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Depois de cometer muitos erros na montagem do elenco em 2020, o clube procurou ser mais criterioso nas contratações para esta temporada. Dos que chegaram em 2021, o goleiro Alex Alves e o zagueiro Wagner Leonardo conseguiram vagas entre os titulares, o lateral-esquerdo Rafinha, que já foi titular, perdeu espaço para o coringa Bryan, e o zagueiro Yago ainda busca aprimorar a forma física para aumentar a concorrência no sistema defensivo, enquanto os volantes Luiz Henrique (segunda passagem) e Marciel, e os meias-atacantes Guillermo Paiva (segunda passagem) e Giovanny costumam ser acionados durante as partidas. Ainda assim, logo após a conquista do título estadual, o técnico Hélio dos Anjos declarou em entrevistas que deseja mais contratações para a disputa da Série B.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Com certeza é o atacante Kieza. Na temporada passada, mesmo tendo sofrido três lesões, ele anotou oito gols e esteve no “Top 10” da artilharia da Série B. No atual ciclo, o centroavante já se destacou como o artilheiro do Campeonato Pernambucano, com dez bolas na rede. A última delas foi exatamente na final contra o Sport. E ele ainda converteu o pênalti que deu o título estadual ao Alvirrubro da Avenida Conselheiro Rosa e Silva, consagrando-se de vez como ídolo timbu – esta já é a sua terceira passagem pelo Clube Náutico Capibaribe, por quem foi artilheiro e vice-campeão na Série B 2011.

Mais do que anotar gols: mesmo aos 34 anos, o camisa 9 está se movimentando bastante lá na frente, dando passes para lances com potencial de gol e se saindo bem em jogadas pelo alto. Dessa forma, ele obedece à intensidade exigida pelo técnico Hélio dos Anjos.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Dentre os mais jovens, eu destaco o zagueiro Wagner Leonardo, de 21 anos, que está emprestado pelo Santos. Durante o Campeonato Estadual, ele colocou no banco de reservas ninguém menos que Ronaldo Alves, jogador fortemente identificado com o clube e com a torcida. Wagner tem se saído bem nas disputas individuais com os atacantes e também vem se firmando como um exímio roubador de bolas.

Dentre os pratas-da-casa, o volante Rhaldney, de 22 anos, tem se mostrado um verdadeiro xerife na cabeça da área. É titular incontestável na posição. Já colecionou atuações decentes na Série B 2020, ainda que o Timba tenha deixado a desejar coletivamente naquele ciclo, e promete fazer mais uma boa temporada em 2021. Eu acredito que ele será a próxima grande venda do Náutico.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O desempenho ofensivo no Campeonato Pernambucano (28 gols marcados, sendo que 22 vieram do quarteto formado por Jean Carlos, Erick, Vinícius e Kieza) foi excelente. Por outro lado, o sistema defensivo (14 gols sofridos) ainda preocupa e precisa de reforços.

O time titular é coeso e tem potencial para brigar na parte de cima da Série B, mas existe uma considerável diferença de nível técnico entre os titulares e os reservas. E um campeonato tão longo como a Série B exige reposições à altura. Dentre os suplentes, os que mais agradam a torcida são o goleiro Jefferson (muitos acreditam que ele deveria assumir a vaga de Alex Alves debaixo das traves), o volante Marciel (vem entrando bem nas partidas e tem boa finalização, mas ainda precisa melhorar na marcação) e os meias-atacantes Matheus Carvalho (no entanto, passou mais de um ano sem jogar, por estar lesionado, e ainda precisa recuperar ritmo) e Guillermo Paiva (é voluntarioso e costuma melhorar a dinâmica do ataque quando entra em campo). Portanto, é necessário qualificar o elenco para a disputa da Segundona.

Hélio dos Anjos, que levou o Náutico à Série A em 2006, sabe que a Série B vai exigir muito mais dos jogadores em comparação ao Campeonato Pernambucano. Não apenas no nível técnico, mas também no aspecto físico, pois a equipe, que teve um calendário mais folgado neste início de temporada por causa das ausências nas Copas do Nordeste e do Brasil, começará a enfrentar maratonas de jogos. O treinador já sinalizou à diretoria a necessidade de reforços para a disputa do certame.

(@OFECoficial)

Operário Ferroviário

Letícia Cabral (@lehcabrall), coordenadora de esportes da Rádio Lagoa Dourada, de Ponta Grossa

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Operário manteve boa parte da base que disputou a Série B ano passado, apenas com contratações pontuais. Não começou tão bem a temporada, mas conseguiu se recuperar. Talvez a eliminação na Copa do Brasil para o Coritiba, na forma que foi, naquele jogo polêmico, tenha virado a chave e terminar a primeira fase do Paranaense em primeiro lugar, com a melhor defesa e o melhor ataque. Teve dificuldade recentemente para enfrentar a equipe do Azuriz, que tem uma forte marcação, mas conseguiu vencer nos pênaltis. Tem um time com boa movimentação, principalmente intensidade com os jogadores de meio-campo e jogadores de ponta, mas o que chama a atenção é a dificuldade para enfrentar times com fortes sistemas defensivos. Tem um esquema tático bem definido. O técnico Matheus Costa coloca uma equipe com um volante mais fixo e outro que sai mais para o jogo. Gosta de atuar com dois meias que ficam mais abertos. Função do Jean Carlo e do próprio Cleyton ou Rafael Oller. Atua com centroavante, o Ricardo Bueno, mais móvel, que volta para buscar o jogo. É um pouquinho o desenho tático. Tem uma boa defesa, tem seis bons zagueiros. A defesa foi recentemente reforçada pelo Reniê, que estava no Mirassol. E são zagueiros que sabem sair jogando, como o Rodolfo Filemon.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstâncias?

O Operário perdeu alguns jogadores nos quais estava interessado, na briga com o próprio Vasco, por exemplo, que é o adversário da estreia. Perdeu o Daniel Amorim, um atacante, perdeu o Lucas Otávio, volante que está no Botafogo, por conta da questão financeira. Teve uma queda de arrecadação significativa no sócio-torcedor por causa da pandemia. Acabou complicando um pouco as contas, mas é um time que não tem dívidas, está no limite dos gastos e tem trazido peças pontuais. Muito pé no chão. Trouxe jogadores considerados experientes, como Rodrigo Pimpão, que aceitou reduzir seu salário para jogar no Paraná, mais próximo da família em Curitiba, Ricardo Bueno, que entrou na realidade financeira do clube. O próprio Marcelo Santos, jogador de rodagem que veio do Guarani e jogou no Botafogo. Uma equipe muito pé no chão na formação de seu elenco. Reforçou o sistema defensivo com o Léo Rigo, o Odivan, o Rodolfo Filemon e o Reniê, quatro zagueiros. Também reforçou as laterais com a chegada do Lucas Mendes, que veio do Botafogo de São Paulo, e o lateral esquerdo Silva, que veio do Confiança. Teve a renovação do Leandro Vilela, volante, e também a chegada do Leandrinho, que estava no futebol português. E para o ataque, trouxe o Pimpão, que foi o artilheiro do CSA na temporada passada.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Ricardo Bueno, pela experiência, estilo de jogo e liderança dentro de campo.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Quatro jogadores da base foram incorporados. O mais recente foi o volante Tibagi, que era do sub-19, estava em casa, fazendo treinamentos on-line, praticamente desistindo do futebol. Foi chamado pelo técnico Matheus Costa e agradou. Estreou contra o Paraná no Campeonato Paranaense e fez o gol da vitória. Joga de segundo volante e tem bastante potencial. Assim como o zagueiro Zé Márcio e o atacante Alemão, jogadores da base que foram destaques da Copinha e do Paranaense da categoria.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Talvez seja o calendário um pouco apertado com jogos em intervalos muito pequenos e mata-matas para fazer pelo Paranaense. Está classificado às semifinais da competição. Tem dois jogos contra o Londrina e não sabe ainda quando vai jogar. E também é claro essa questão de enfrentar sistemas defensivos mais fortes. São alguns dos desafios que o Operário pode ter nesta Série B do Campeonato Brasileiro.

(@aapp_oficial)

Ponte Preta

Antonio Luppi (@aalupi), setorista da Ponte Preta na Rádio Bandeirantes Campinas

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Ainda é difícil traçarmos o que esperar da Ponte Preta nessa questão tática. Houve uma troca no comando técnico. O Fábio Moreno, que foi quem comandou a equipe no Campeonato Paulista, ele foi demitido, mas não saiu do clube. Ele voltou ao cargo de coordenador técnico, que era a sua função inicial quando foi contratado, em 2020. Ele tentou implementar um sistema tático, mas com a falta de resultados e a pressão da torcida, a diretoria decidiu trocar o comando técnico. Por enquanto, ainda não há o nome do novo treinador. Tudo indica que pode ser o Mozart. Está em negociação, mas ainda nada de oficial. Então, padrão tático é muito difícil.

A Ponte vem jogando há algum tempo no esquema 4-3-3, com jogadores de velocidade pelos lados do campo, um jogador mais centralizado, mas ainda não dá para confirmar se esse será o esquema tático que a Ponte vai utilizar na disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. O nível de desempenho também é preocupante porque a Ponte não apresentou um bom desempenho no campeonato estadual.

A Ponte teve muito trabalho, perdeu algumas peças para a Série B, como Luizão, que não vinha tecnicamente bem, mas era um dos líderes do elenco, zagueiro, que terminou o contrato no dia 31 e a Ponte não renovou e a saída do Apodi. Apodi acertou a rescisão de contrato com a Ponte, tudo indica que ele vá para o Goiás. E a Ponte, quando tinha dificuldades de chegar ao setor de ataque, muitas vezes usar Apodi como uma espécie de centroavante, jogando aberto pelo lado do campo. Uma jogada manjada pelos adversários da Ponte e que em 2021 não deu certo. Por isso, é muito complicado falar em desempenho porque a Ponte começa a Série B sem técnico e ainda com poucas peças no elenco para disputar a Série B, um campeonato longo, 38 rodadas e por isso ainda um futuro incerto em relação ao que esperar da Ponte na segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Na verdade, a montagem ainda acontece. A Ponte passa por um processo de reformulação pequeno, mas passa para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. Quatro jogadores que atuaram no Campeonato Paulista estão fora do Campeonato Brasileiro da Série B. O zagueiro Luizão, o volante Barreto, os dois só têm contrato até o dia 31 de maio, a Ponte não vai renovar; Bruno Michel é um atacante que teve poucas oportunidades no time titular e acabou indo para o Botafogo de Ribeirão Preto; e o Apodi, que dos quatro que saíram é a maior perda da Ponte Preta. Era um jogador com um número elevado de jogos, machucava pouco e muitas vezes acabou decidindo jogos para a Ponte, principalmente na Série B do ano passado. No Campeonato Paulista 2021 não fez uma boa apresentação.

Em relação a reforços, a Ponte contratou Richard, jogador que pertence ao Internacional e disputou a Série B pelo Botafogo de Ribeirão Preto. Disputou oito jogos e não marcou nenhum gol. Também contratou Lucas Cândido, volante que surgiu muito bem na base do Atlético Mineiro, mas depois sofreu com muitas lesões e nas duas últimas temporadas atuou pelo Vitória, um jogador um pouco mais experiente, com 27 anos. Também anunciou a contratação do lateral esquerdo Rafael Santos, de 23 anos, que pertence ao Cruzeiro, e veio por empréstimo. Disputou o Campeonato Paulista pela Inter de Limeira. Por enquanto, foram as três contratações. A Ponte ainda está em busca de pelo menos mais dois zagueiros, mais dois jogadores de meio-campo, jogadores que atuam como volantes, mais um meia, mais um atacante e um atacante de referência. A Ponte começa a Série B ainda no mercado em busca de muitas contratações, já que esse planejamento não conseguiu ser executado da melhor forma possível pelos representantes do departamento de futebol da Ponte.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Posso apontar como principal destaque da Ponte, e deve se destacar também pelo que fez no Campeonato Paulista, o atacante Moisés. Tem 24 anos, marcou seis gols em 16 partidas em 2021. Chegou à Ponte em 2020, fez 35 jogos e fez seis gols. Ou seja, precisou de menos jogos para marcar o mesmo número de gols do ano passado.

O que chama a atenção do Moisés é que ele é um atleta que não teve base. Moisés foi formado no futebol amador, no futebol de várzea de Santa Catarina. Faz pouco tempo que ele está no futebol profissional, desde 2019.  Ele não teve base, nenhum professor de fundamento, apenas o histórico no futebol amador, foi goleador. Teve a primeira experiência no Hercílio Luz, depois no Concórdia, foi emprestado para o Brusque. Ele que pertencia ao Concórdia antes de chegar à Ponte, que o contratou por empréstimo no ano passado. Este ano exerceu a prioridade de compra, R$ 500 mil por 50% dos direitos econômicos do Moisés, que assinou com a Ponte até 2024.

É a grande aposta, pode ser o grande destaque da Ponte, até pelos números dele em 2021. É um atleta que tem chamado muito a atenção de muitos clubes da Série A, como a Chapecoense, que estava de olho nele, e o América Mineiro. Aponto Moisés como um dos possíveis destaques da Ponte Preta na temporada.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

A Ponte tem alguns jogadores interessantes, que foram formados na base da Ponte Preta. O Iván, todo mundo conhece, convocado para a seleção brasileira, seleção olímpica, 23 anos, é o principal ativo do clube no momento. Mas o Iván, nos últimos seis meses, passou por uma cirurgia no punho, ficou afastado. Uma cirurgia delicada, nos ligamentos. Deu uma sumida do cenário, mas agora ele deve voltar na Série B do Campeonato Brasileiro. Tem 23 anos, não é tão jovem assim, mas é um jogador que foi formado na base da Ponte, é o titular desde 2018, já fez excelentes campeonatos e é sempre um atleta que ficamos de olho.

Cito outros dois jogadores também. O lateral esquerdo Jean Carlos, que é muito novo, só tem 18 anos, formado na base da Ponte. Ele teve poucas oportunidades no time principal, mas um fato chamou muito a atenção em 2019: a Ponte tinha um lateral chamado Abner e o Athletico Paranaense comprou esse jogador.

Jorginho, que foi campeão mundial com a seleção brasileira em 1994, era o treinador da Ponte. Na época, ele disse que a Ponte não ia contratar porque o clube já tinha um substituto pronto, Jean Carlos, que na época tinha 16, 17 anos. Só que ele também teve um problema no joelho, passou um longo período no departamento médico, voltou ano passado. Foi inscrito no Campeonato Paulista, fez alguns jogos, tem potencial, a torcida gosta dele, então o coloco como possível promessa da Ponte.

Tem um outro atleta, não é formado na base da Ponte, mas está no clube, que é o atacante João Veras. Tem apenas 20 anos, marcou três gols na temporada. Ele foi formado no XV de Piracicaba, foi destaque na base, só que tinha um pouco de dificuldade de diferenciar base do profissional. Agora tem chamado um pouco mais de atenção, fez gol contra Corinthians, contra Santos e isso, claro, cresce o olho de empresários. É um jogador que tem potencial, mas precisa colocar um pouco os pés nos chão. João veras tem prioridade de compra do São Paulo, porque a Ponte contratou Marcos Júnior, que é formado na base do São Paulo, que pediu a prioridade de compra do João Veras. É um atacante, centroavante, referência, que pode se tornar um grande jogador, se tiver humildade e pés no chão.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

São dois os principais obstáculos na Série B 2021. O primeiro é o financeiro, que acredito que todas as equipes, por conta da pandemia, estão sofrendo. A Ponte teve uma redução muito grande na cota de Série B do Campeonato Brasileiro. Há pouco tempo tinha a cota de Série A e faz aproximadamente três anos que a Ponte tem sofrido com essa questão da cota e de colocar as contas em dia.

Uma das saídas dessa questão financeira tem ligação com um destaque, que é o Iván. A Ponte, se vender o Iván, fica tranquila e supera esse obstáculo em 2021. Mas ainda é uma situação que não está confirmada. Há muitos rumores e poucas propostas oficiais pelo Iván. A sua venda colocaria as contas da Ponte em dia em 2021 e deixa o clube um pouco mais tranquilo.

Outro obstáculo para a temporada 2021 na Ponte: é um ano de eleição, um ano político. O ambiente político na Ponte é muito forte. Há sempre o presidente de honra, Sergio Carnielli, que a gente nunca sabe se está apoiando ou não está. A atual diretoria sofre muitas críticas por parte da torcida. Uma oposição que é contra o Carnielli, porque o enxerga como um aliado da atual diretoria, que tem como presidente Sebastião Arcanjo. Então, todo ano político na Ponte é um ano tenso.

As eleições estão marcadas para acontecer depois da Série B, mas a gente sabe que nos bastidores já começa logo no início do ano. Na verdade, já começou há muito tempo, porque o presidente da atual gestão, José Armando Abdalla, renunciou há muito tempo, em 2018, e veio Sebastião Arcanjo. A questão política já vem se arrastando há um bom tempo. Conhecendo os bastidores do Moisés Lucarelli, isso pode atrapalhar. O pessoal tenta blindar para que não haja influência em campo, mas sabemos que é difícil. São dois os obstáculos: o financeiro e o político por ser um ano eleitoral no Moisés Lucarelli.

(Sandro Galtran / Remo)

Remo

Matheus Raymundo (@matheusraymundo_), comentarista do DAZN e da TV Cultura do Pará

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

A equipe ataca, em regra, no 4-2-3-1, com variações para o 4-1-4-1, quando Lucas Siqueira avança e participa da transição ou da organização ofensiva. Costuma defender com duas linhas de quatro e dois homens à frente. Os laterais apoiam bastante, principalmente Marlon, pela esquerda, e Paulo Bonamigo aplica um modelo de jogo que explora muito a velocidade pelos lados, com as subidas e trocas de posições deles com os extremas. Lucas Siqueira e Felipe Gedoz organizam o meio de campo, e Edson Cariús e Renan Gorne têm alternado a titularidade como os homens de referência no ataque.

Mesmo invicto na temporada, com 10 vitórias e 5 empates, o time teve uma queda de desempenho nos mata-matas do Estadual. Algumas partidas como a classificação para a terceira fase da Copa do Brasil, conquistada nos pênaltis (vitória por 6 a 5) contra o CSA, após empate por 1 a 1 no tempo normal e a vitória com autoridade sobre o Paysandu por 4 a 2, no Estádio da Curuzu, deram ânimo aos azulinos, mas a reta final do Parazão evidenciou um problema que os resultados positivos maquiavam: a bola aérea defensiva. Até o goleiro Vinícius, ídolo e eleito vereador, em 2020, tem sido contestado por parte da torcida. Assim, o Remo perdeu a semifinal do Parazão, nos pênaltis (6 a 5), para a Tuna Luso, depois de dois empates em 1 a 1 e o clima pesou.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Remo manteve a base que conseguiu o vice-campeonato da Série C e da Copa Verde 2020. Alguns titulares na campanha do acesso, como o lateral-direito Ricardo Luz, o volante Charles e os atacantes Salatiel e Tcharlles, que não renovaram para a temporada 2021, foram substituídos por atletas de nível técnico muito próximo, como Thiago Ennes, Wellington Silva, Anderson Uchoa, Lucas Tocantins, Edson Cariús e Renan Gorne.

Na fase decisiva do Paraense, o Leão buscou nomes que já tinham encerrado suas participações em outros estaduais, como os meias Vinícius Kiss (ex-Botafogo-SP) e Erick Flores (ex-Boavista-RJ), que foram inscritos a tempo na competição e fizeram três e cinco jogos, respectivamente. Os zagueiros Sueliton (ex-Ituano), Romércio (ex-Guarani) e os atacantes Rafinha (ex-Mirassol) e Jefferson (ex-Boa Esporte) foram contratados visando a disputa do Campeonato Brasileiro, assim como o volante Paulinho Curuá, que se destacou no Parazão pelo Tapajós e vestirá azul marinho na Série B.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O volante Lucas Siqueira é uma liderança do elenco. Por conta disso, caiu rapidamente nas graças da torcida e é visto como uma referência em campo. Além de ser o capitão do time, desempenha funções importantes no modelo de jogo proposto por Paulo Bonamigo, já que foi o jogador do Remo com o maior número de assistências no Campeonato Paraense, colocando seus companheiros de frente para o gol em quatro oportunidades. Participa de boas triangulações com o lateral-esquerdo Marlon e o meia Felipe Gedoz, fortalecendo este lado do Leão Azul nas transições ofensivas e defensivas.

Aos 32 anos, o preparo físico também é um dos seus pontos fortes. Em 13 jogos na temporada, foi substituído em cinco e sempre na segunda metade da etapa final. Possui contrato com o Remo até dezembro de 2021 e, caso mantenha a regularidade, não será surpreendente uma transferência para uma equipe com maior poder aquisitivo, ao final da Série B.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Wallace é um extrema de 20 anos, oriundo das categorias de base do clube, que teve boas participações na Série C. Chegou a fazer gols em três partidas consecutivas, sendo uma delas o primeiro clássico contra o Paysandu, vencido pelos azulinos por 3 a 2. Na Copa Verde 2020, deixou sua marca na semifinal e no primeiro jogo da decisão contra o Brasiliense. É um jogador muito rápido e tem a objetividade como sua principal característica, valendo-se de dribles curtos e sempre na direção do gol, buscando a finalização.

Porém, ainda no último Campeonato Brasileiro, sofreu com uma pubalgia e desfalcou o Remo em jogos importantes, principalmente na reta final da competição. Recuperou-se a tempo de disputar a Copa Verde, mas não teve a mesma sequência de partidas e perdeu espaço no time titular. É um atleta que pode render bons frutos aos remistas, caso esteja na plenitude física e clínica.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Por ser o único clube do Norte do Brasil a disputar a Série B de 2021, o Remo terá as logísticas de viagens mais complexas, pois seus deslocamentos serão maiores do que os de seus adversários, que irão apenas uma vez para Belém. Isso fará com que a equipe perca alguns dias de treinamentos por conta da malha aérea, que obrigará o time a fazer conexões e escalas em outras cidades até chegar à capital paraense e isso pode fazer bastante diferença em um calendário apertado.

Entre os dias 29 de maio e 29 de junho, o Leão fará dez partidas, sendo duas pela Copa do Brasil e oito pelo Campeonato Brasileiro. O retorno à Segunda Divisão, grande sonho azulino dos últimos 14 anos, começará bastante agitado e bons resultados na arrancada serão fundamentais para que ele não se torne um pesadelo.

(Fredson Ferreira / Sampaio Correa)

Sampaio Corrêa

João Ricardo (@joaoricardo_15), do BolivãoCast

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Sampaio começou o ano com Rafael Guanaes como treinador. Ele veio da base do Athletico Paranaense, foi uma aposta, e o clube teve um desempenho baixo no Campeonato Maranhense. Apesar do Sampaio ter sido campeão, o Rafael Guanaes não ficou até o fim e o Daniel Neri conquistou o título, mas também saiu. Nos últimos anos, o Sampaio tem jogado no 4-3-3, esperando o adversário e buscando o contra-ataque. O nível de desempenho foi bem abaixo em relação ao ano passado, o elenco teve uma grande reformulação, o que acabou prejudicando, e o Sampaio não conseguiu contratar grandes peças. Fez muitas apostas, com muitos jogadores até então desconhecidos da torcida, e a equipe rendeu abaixo.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstâncias?

O Sampaio ainda está se reforçando. Trouxe sete jogadores e a cereja do bolo é o Daniel Costa, meia que veio do São Bento. Vieram dois jogadores da Portuguesa do Rio, o volante Mauro Silva e o lateral Watson Pires. Do Ypiranga de Erechim buscaram o lateral Zé Mário e o atacante Jean Silva. Também chegou o meio-campista Guilherme Campana, do Castanhal do Pará, e o goleiro do João Paulo, do Juventude Samas. Estava fechando com o Márcio Diogo, que é um veterano, meia-atacante de 35 anos, mas ainda não confirmou – há um imbróglio com o Moto querendo atravessar a negociação. A gente espera algumas peças, hoje o Sampaio deve anunciar alguma contratação. O presidente está em São Paulo e no Rio para tentar algumas contratações.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Eu botaria o Daniel Costa, jogador experiente, meio de campo com passagens por grandes clubes brasileiros e certa rodagem. Foi a melhor contratação da temporada. E o time tem o Ferreira, o capitão. Tem 35 anos, foi eleito o melhor jogador do Campeonato Maranhense, tem sido especulado como um possível convocado para a seleção boliviana. A gente está nessa expectativa de que ele possa representar a Bolívia. O Sampaio há muito tempo não tem um atleta convocado por seleção.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

O Sampaio tem procurado jogadores com mais bagagem. O clube trouxe alguns jovens no começo do ano, mas já foram dispensados porque não corresponderam. Não temos ninguém que eu veja com esse potencial para explodir.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Primeiro, é a consolidação no meio da tabela. Vai ser uma Série B muito difícil e o planejamento do clube não foi o ideal. Vamos deixar bem claro isso, porque, quando você tem 90 dias e três treinadores, é bem complicado. Começamos com o Rafael Guanaes, que não teve um desempenho bom. Aí veio o português Daniel Neri, que foi campeão e teve um mês de trabalho. Essa semana a gente foi surpreendido com o desligamento do Daniel Neri e contratamos o Felipe Surian, que fez um campeonato muito bom com a Portuguesa do Rio. Inclusive, ele era o cotado quando o Rafael Guanaes saiu, mas acabou vindo o Daniel Neri. A expectativa é de que o elenco consiga agregar bem a proposta do Felipe. O Sampaio já trouxe dois jogadores da Portuguesa e o Luis Gustavo, que está no Rio, pode voltar ao clube. O elenco precisará aprender o esquema tático, a metodologia. Deve continuar jogando no 4-3-3, mas o Rafael Guanaes gostava de linhas altas, o Daniel Neri oscilava um pouco, e não sabemos como o Felipe Surian vai trabalhar. Deve chegar a São Luis nesta sexta. Temos uma estreia contra o Goiás na segunda, no Castelão, mas a gente ainda tem essa incógnita.

E também existe um obstáculo financeiro. O Sampaio depende muito de bilheteria, não tem muito patrocinador, não tem um patrocínio máster muito forte. Ano passado, na reta final, faltou um pouquinho de recurso financeiro para conseguir o acesso. O time perdeu o Caio Dantas, que foi para o futebol chinês depois de ser artilheiro da competição.

(Rafael Ribeiro / Vasco)

Vasco

André Garone (@BlogdoGarone), jornalista e comentarista, do Blog do Garone, no Lancenet, no Canal do Garone e na VascoTV

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

É um time ainda em formação. O Vasco passou por um processo muito grande de reformulação depois da queda, com mudança até de diretoria. É uma equipe nova, que teve que usar o Carioca como pré-temporada, mas que já mostrou alguns pontos positivos. O time tem como base o 4-2-3-1 posicional, com essa linha de três mais ofensiva jogando por dentro e os laterais atacando o corredor. A equipe conseguiu fazer isso muito bem em alguns jogos, com Léo Matos e Zeca assumindo o protagonismo, porém, caiu de rendimento sem Marquinhos Gabriel, que vem sendo o meia-central. Agora trouxe o Sarrafiore, que ainda não estreou, pra ser opção. A ideia é ser um time de posse, que joga no campo adversário e muda constantemente os corredores de ataque. A execução, no entanto, ainda tá distante do ideal, apesar de apresentar um futebol superior ao do ano passado.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstâncias?

A grande dificuldade do Departamento de Futebol, ao meu ver, seria dar um destino aos jogadores que possuíam contratos longos e salários altos. Mas conseguiu. Saíram Pikachu, Fernando Miguel, Henrique, Leo Gil, Gustavo Torres, Carlinhos, Marcos Jr… Atletas que não vinham rendendo e ocupavam um espaço grande na folha. Em contrapartida, trouxe atletas de Série A, como Vanderlei, Zeca, Rômulo, Michel, Sarrafiore, Ernando e Marquinhos Gabriel, com contratos de produtividade. Segundo Alexandre Pássaro, diretor de futebol, a folha caiu de cerca de R$ 5 milhões para R$ 2.5 milhões. Na minha avaliação, menos custo e mais qualidade.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O Germán Cano. Sempre ele. O Vasco em 2020 teve a sua pior média de gols da história, em mais de 100 anos de futebol. Ainda assim, o argentino conseguiu se destacar e ser um dos principais artilheiros do Brasil. Acredito que tenha tudo pra sobrar na Série B, principalmente num time mais organizado ofensivamente como tem sido o Vasco do Marcelo Cabo. Tanto que já são 7 gols em 10 jogos em 2021.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Acredito que tenham dois: Matías Galarza e Gabriel Pec. Galarza é paraguaio, foi captado no ano passado para o sub-20 e está em seu primeiro ano como profissional. Começou como reserva do time B que iniciou o Estadual e hoje já é titular da equipe principal. Faz a função de volante pela esquerda, mas sempre aparecendo bem no ataque. Muito dinâmico, forte na marcação e com bom chute de média distância. Já o Pec está nos profissionais desde 2019, mas ainda tem idade de júnior. Desceu no ano passado, ganhou massa, e começou essa temporada como artilheiro do time. Vinha rendendo melhor jogando pelo lado direito, o que facilitava sua boa finalização de perna esquerda, mas com as chegadas de Morato e Léo Jabá, acabou deslocado para a direita, onde ainda tenta acertar as movimentações. De toda forma, é um meia que sabe jogar com e sem a bola.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Ainda é um elenco muito jovem. Hoje, dos 34 jogadores disponíveis para o técnico Marcelo Cabo, 18 têm 21 anos de idade ou menos. A grande maioria, menos. E alguns dos experientes contratados convivem há algum tempo com lesões, caso do Michel, que veio do Grêmio, Rômulo, Marquinhos Gabriel e Léo Jabá. Acredito que encontrar o equilíbrio desse grupo, inclusive físico, principalmente numa temporada atípica como essa, sem pré-temporada e férias, seja um dos obstáculos mais difíceis do Vasco.

(@VilaNovaFC)

Vila Nova

João Paulo Di Medeiros (@jpdimedeiros), repórter do Jornal O Popular

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Vila Nova conseguiu uma organização tática com laterais que guardam mais posição na linha de quatro e tem dois volantes com boa saída de jogo. O maior problema do clube é criar chances mais claras para o artilheiro Henan aproveitá-las.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Houve manutenção de vários jogadores campeões da Série C de 2020 e o clube tentou contratações pontuais para o ataque e para o meio-campo. O time segue buscando peças e contratou três jogadores da Aparecidense para reforçar o elenco após o Estadual, além do experiente volante Deivid, ex-Athletico-PR.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O atacante Henan, de 34 anos, é o principal nome do elenco que inicia a Série B. O jogador foi o artilheiro da equipe no título da Série C com 10 gols. Com a chegada de Henan ao time, o Vila Nova resolveu problema crônico com centroavantes. A expectativa fica sobre o substituto de Alan Mineiro, que rescindiu com o clube, uma vez que o time colorado não tem um meia à altura para o setor criativo.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O volante Dudu, de 23 anos, já não é tão novo, mas deve deslanchar nessa Série B pelo Vila Nova. O jogador surgiu como meia-atacante, mas hoje atua como primeiro volante e foi eleito o melhor jogador do Campeonato Goiano.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Não é de hoje que a situação financeira é o grande gargalo do Vila Nova. O clube é dependente de receitas oriundas da torcida, que é numerosa, e em tempos de pandemia tem abusado de ações de marketing como lançamentos de uniformes em campanhas com apelos para o torcedor contribuir com o clube. O problema é que a perda do título estadual pode abalar essa relação.

(Pietro Carpi/ECV)

Vitória

Elton Serra (@eltonserra), comentarista dos canais ESPN/Fox Sports

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Vitória melhorou seu desempenho em relação ao ano passado, mas ainda está longe de ser protagonista. Com Rodrigo Chagas, o rubro-negro é um time mais regular. Sofre menos gols, mas também cria menos. É um time que ainda não encontrou equilíbrio no ano.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Sem dinheiro para fazer grandes contratações, o Vitória apostou na divisão de base. São quase duas dezenas de jogadores formados na Toca do Leão. Os atletas contratados agregam mais em juventude do que experiência, como o atacante Samuel Granada, do Fluminense, de apenas 20 anos. A média de idade será inferior aos 23 anos.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

David, um ponta veloz, driblador e finalizador. Numa Série B de poucos espaços no campo, um jogador que consegue abrir clarões nas defesas adversárias pode fazer a diferença.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Pedrinho, 18 anos, lateral esquerdo. Jogador que se apresenta bem ao ataque e tem uma velocidade nas transições que ajuda qualquer time que se propõe a jogar com alta intensidade.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O baixo investimento no elenco. Jovem e com pouca profundidade, será difícil brigar pelo acesso. Não vejo o Vitória lutando novamente contra o rebaixamento, mas, numa Série B tão equilibrada, não tem ainda potencial para brigar por uma das quatro vagas à Série A.

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