Série B

Dez histórias para acompanhar nas Séries B e C do Campeonato Brasileiro de 2022

As duas principais divisões de acesso do futebol brasileiro começam neste fim de semana

Depois da Maior Série B de Todos os Tempos, vem aí a Maior Série B de Todos os Tempos. São seis títulos da Libertadores, para ficar apenas em um critério (um deles bem recente inclusive – o Grêmio em 2017). Sem falar em outras conquistas importantes e camisas pesadas que disputarão longas 38 rodadas para eleger os quatro novos integrantes da elite do futebol brasileiro.

Tem Grêmio, tem Vasco, tem Cruzeiro, tem Bahia, e, portanto, vai ter muita SAF também, inclusive porque a Chapecoense entrou em recuperação judicial. Mais uma temporada com o dérbi campineiro e agora também com Náutico x Sport. Medalhões e técnicos muito experientes, o que também se aplica para a Série C, agora com novo formato: turno único na primeira fase envolvendo os 20 integrantes.

As duas competições começam neste fim de semana (a Série B até já começou, com uma novidade mó legal na transmissão, olha aqui) e selecionamos dez histórias para acompanhar durante os próximos meses de muito futebol nas nossas divisões inferiores.

Tentando voltar

Não falta camisa pesada. Além do Bahia, do qual falaremos em um tópico à parte, Vasco e Cruzeiro ganharam a companhia do Grêmio, rebaixado ano passado. Os gaúchos parecem dispostos a provar que foi mesmo um acidente de percurso. O começo de ano é agridoce. A eliminação para o Mirassol na Copa do Brasil custará muito dinheiro e uma oportunidade de fazer uma campanha relevante em cenário nacional, em uma competição que conhece muito bem. Mas conquistou o título gaúcho pela quinta vez consecutiva e parece ter engrenado na reta final sob o comando de Roger Machado. Vasco e Cruzeiro ganharam impulso anímico com as negociações da Sociedade Anônima, ainda que a cruzmaltina não esteja concluída – e que a cruzeirense esteja um pouco bagunçada. A Raposa vem do vice-campeonato mineiro, melhor que na temporada passada, quando caiu nas semifinais e segue na Copa do Brasil. O Vasco também foi semifinalista no Estadual, mas perdeu para o Juazeirense na copa nacional.

Bahia começa contestado

Caiu, ok, ruim para um clube que vinha se estabilizando no meio da tabela da Série A. Mas o começo de ano foi… estranho. Eliminado na primeira fase do Campeonato Baiano, eliminado na primeira fase da Copa do Nordeste. Passou também por um inaceitável e criminoso atentado com bomba antes de um jogo pelo torneio regional. Conseguiu pelo menos três vitórias consecutivas antes do hiato de três semanas que deu ao técnico Guto Ferreira muito tempo para preparar o time à estreia, contra o Cruzeiro, na Fonte Nova. Deu tempo de ambientar também os novos reforços Vitor Jacaré, Didi, César e Matheus Davó. Boas condições para tentar uma arrancada nas primeiras rodadas, mas um começo de ano em que nenhum dos objetivos foi alcançado deixa um ponto de interrogação em torno do Esquadrão.

Adilson Batista volta ao batente

Adilson Batista de volta ao trabalho (Foto: Divulgação)

Adilson Batista está de volta aos bancos de reservas do futebol brasileiro após dois anos sem emprego. Ele havia sido uma tentativa desesperada de salvar o Cruzeiro do rebaixamento em 2019, tão desesperada que foi contratado em dezembro. Foi demitido em março do ano seguinte, em meio à profunda crise da Raposa, e saiu atirando contra todo mundo: jogadores, diretoria, até departamento de marketing. Não espanta que tenha precisado de um certo tempo para deixar a poeira abaixar. Chegou ao Londrina para substituir Vinicius Eutrópio, que também estava há poucos meses no cargo e caiu após perder na primeira fase da Copa do Brasil. O Tubarão foi 16º colocado na última Série B e não caiu por apenas um ponto.

CSA e Guarani apostam na continuidade

Enquanto alguns clubes brasileiros trocam de técnico como se fossem… clubes brasileiros, CSA e Guarani apostam na continuidade. Os alagoanos ficaram muito próximos do acesso na última temporada e mantiveram o trabalho de Mozart, apesar da derrota para o CRB na semifinal do Campeonato Alagoano. Ele ganhou o reforço de Sassá, ex-Botafogo e Cruzeiro. O Guarani também quase subiu. Foi o sexto colocado, a quatro pontos da terra prometida. Tem o técnico mais longevo da segunda divisão, Daniel Paulista, no comando há quase um ano inteiro, acredita? Fez bom papel no Campeonato Paulista.

Rivalidade pernambucana

Enquanto muitas atenções estarão voltadas a Cruzeiro, Grêmio e Vasco, vale também ficar de olho na quente rivalidade entre dois clubes pernambucanos. O Náutico ficou no meio da tabela ano passado, a uma certa distância do pelotão à sua frente que brigou até as últimas rodadas pelo acesso, e terá a companhia do Sport, rebaixado da primeira divisão. Um começo muito ruim levou à demissão do paraguaio Gustavo Florentín, mas Gilmar del Pozzo conseguiu colocar o trem de volta aos trilhos e chegou à final da Copa do Nordeste. O Náutico aguarda Retrô ou Salgueiro na final do Campeonato Pernambucano.

Medalhões

Leandro Castán é apresentado pelo Guarani (Foto: Divulgação)

Não faltam medalhões na Série B, aqueles jogadores que passaram por clubes grandes, que todo torcedor adorou cornetar em algum momento, que possuem qualidade, mas estão com idade avançada ou em um momento de baixa. E muitos acabaram de chegar. Como Giovanni Augusto, contratado pelo Guarani para o Paulistão. Na defesa, o Bugre terá Leandro Castán. Pará é um dos novos reforços do Brusque. O Criciúma foi logo atrás de dois: Marquinhos Gabriel e Negueba. O CRB conta como Anselmo Ramon, a Chapecoense tem o zagueiro Léo e Thiago Ribeiro voltou ao Londrina. A Série C também tem sua cota, como o meia Jadson, no Vitória, Felipe Menezes, na Aparecidense, e Rodrigo Pimpão, no Remo.

Novo formato na Série C

Após flertar com um modelo puro de pontos corridos, a Série C encontrou um meio termo para o seu formato. Fixada com 20 clubes desde 2009, passou por grupos regionalizados, dois grupos de dez e agora terá todos os seus participantes em uma única chave, com turno único, classificando os oito primeiros para os quadrangulares do acesso, que serão em ida e volta. A primeira fase terá 19 rodadas e eles deram um jeitinho de decidir quem acabará fazendo mais jogos como mandantes: os dez melhores ranqueados terão esse privilégio.

Re-Pa

Com o rebaixamento do Remo, os dois rivais ser reencontram na Série C, como em 2020, quando chegaram a disputar o quadrangular do acesso por uma vaga na segunda divisão – com vantagem para o Remo, que ganhou os dois confrontos da fase decisiva e conseguiu o acesso. Recentemente, eles se cruzaram na semifinal da Copa Verde, novamente com o Remo rindo por último. Fizeram a decisão do último Campeonato Paraense e adivinha quem ganhou? Pois é. O Papão está com muita coisa entalada na garganta.

Geninho (de novo) no Vitória

Geninho voltou ao Vitória (Foto: Divulgação)

Após muito resistir, o Vitória caiu. Terá que disputar a Série C pela segunda vez, como em 2006. Foi uma tempestade perfeita, com problemas tanto dentro de campo, quanto fora dele, com uma crise institucional que levou ao afastamento do presidente Paulo Carneiro. Quinto colocado no Campeonato Baiano, fora das semifinais, o técnico Dado Cavalcanti foi demitido, após dez jogos no comando. E aí, nada como um bom gostinho de passado. Geninho, aos 73 anos, foi convocado para iniciar sua sexta (eu tive que usar o ctrl+f para contar) passagem pelo comando do Leão. Seu último clube havia sido o Avaí.

Chegou a hora do Botafogo-PB?

Apenas o Confiança tem mais participações na Série C do que o Botafogo da Paraíba. Mas nenhum está há tanto tempo sem disputar a segunda divisão. A última vez foi em 1989, e o Belo segue tentando todos os anos desde 2014. Passou perto na última temporada. Chegou ao quadrangular final, mas ficou a um ponto do Criciúma, segundo colocado do seu grupo. Será que o calvário vai acabar? Falando em calvário, o do Ferroviário não é muito menor. Sua última participação na Série B foi em 1991.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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