A torcida no campo: Feijão dribla dificuldades para ser um dos pilares do Bahia na Série B
Por Diego Costa
Antonio Felipe Gonzaga de Aquino. Soteropolitano, 22 anos, volante. Hoje, único atleta da base a figurar na formação titular do Esporte Clube Bahia e um dos pilares da equipe dirigida por Doriva, Feijão, como é conhecido, ensinou a todos que é possível, sim, ultrapassar qualquer barreira com suor, determinação e raça.
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Sábio que é, quis o destino que o menino, após uma troca por empréstimo esdrúxula e sem sentido por Rafinha, do Flamengo, seguida de mais uma cessão por empréstimo ao Atlético Goianiense, voltasse ao Fazendão para fincar bandeira na meiúca tricolor e continuar a escrever sua história com a camisa do clube.
Apesar do pouco tempo de carreira, os feitos confirmam que Feijão é daqueles seres iluminados. Na Copa São Paulo de Futebol Júnior 2013, fez o tento que decretou a eliminação do Corinthians, dono do título do torneio no ano anterior. No mesmo ano, na equipe profissional, marcou o milésimo gol do Bahia em Campeonatos Brasileiros e gravou em letras garrafais seu nome na rica história do clube baiano para sempre.
Ladrão de bolas autêntico, Feijão é a própria torcida do Bahia em campo. Além de ser bom nos desarmes, o jogador reafirma a cada novo capítulo de sua trajetória ser especialista em driblar as adversidades. Comparado a Baiaco, um dos maiores ídolos da história do Bahia, o garoto da comunidade da Brasilgás, em Salvador, é a peça que faz com que a nação tricolor se sinta representada dentro das quatro linhas. E, por esta razão, precisa ser aceito e abraçado de uma vez pelo torcedor.
A festa dos companheiros de equipe na comemoração do gol anotado contra o CRB, na última sexta-feira (10), diz muito sobre a sua importância para o grupo. No campo, o camisa 5, tido por muitos como “brucutu” e sem qualidade, prova que os rótulos e críticas em excesso pouco incomodam. Pelo contrário. São os motivos que o fazem ir além.
O menino sonhador de Campinas de Pirajá reúne características essenciais para deixar o patamar de simples xodó e se consolidar, em um curto espaço de tempo, como um verdadeiro ídolo também. Que o destino, com toda sabedoria que possui, se encarregue de recompensá-lo mais uma vez. Antonio Felipe Gonzaga de Aquino, o Feijão, que representa não somente a torcida do Bahia, mas também boa parte dos garotos de origem pobre deste país não merece nada menos que isto.



