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‘Esteve impecável’: Como foram as temporadas de Fabinho desde a saída do Liverpool?

Volante do Al-Ittihad foi a grande surpresa de Carlo Ancelotti na lista de convocados da seleção brasileir

A saída dos holofotes das cinco grandes ligas da Europa e uma transferência ao futebol asiático pode significar para um jogador o fim de uma chance na seleção brasileira, mas Fabinho mostrou que isso é possível. O meio-campista, há dois anos no Al-Ittihad, foi chamado por Carlo Ancelotti para a Data Fifa de novembro.

É a primeira convocação do jogador de 32 anos desde o fim da Copa do Mundo de 2022, ainda sob comando de Tite. No meio do ano seguinte, ele deixou o Liverpool, onde viveu os melhores momentos da carreira com título inglês e europeu, e chegou ao futebol saudita na primeira grande janela de transferências do país.

A Trivela ouviu o perfil “Central do Arabão”, da rede social X (ex-Twitter), referência entre brasileiros na cobertura do Saudi Pro League, para entender como foram duas temporadas e o início da atual de Fabinho e como ele tem atuado por lá.

Fabinho foi peça decisiva no título do Al-Ittihad

Fabinho antes de jogo do Al-Ittihad
Fabinho antes de jogo do Al-Ittihad (Foto: Imago)

Mesmo que o brasileiro tenha chegado ao Al-Ittihad, então campeão nacional, como a maior contratação da história do clube (um ano depois superado por Diaby) junto de Benzema e Kanté, a equipe decepcionou e terminou em quinto, 42 pontos atrás do campeão Al-Hilal.

Fabinho também não fez um grande primeiro ano, sofrendo com os problemas externos que causaram a demissão de Nuno Espírito Santo e Marcelo Gallardo e ainda tendo uma lesão que o tirou da reta final de 2023/24. A temporada seguinte, porém, veio seu auge no país sob comando de Laurent Blanc.

Ao lado de Kanté no meio, o volante foi peça decisiva no time que só perdeu três vezes no último Campeonato Saudita, atuando em 32 das 34 rodadas. O Tigre, como é conhecida a equipe aurinegra, atuava com Blanc no 4-2-3-1, tendo Houssem Aouar como o meia mais avançado e próximo de Benzema.

Ele foi um dos principais meio-campista da última temporada e formou uma baita dupla com Kanté, ditando o ritmo do meio-campo do Ittihad. Esteve impecável. O time, que viria a ser campeão da Copa do Rei e da Saudi Pro League, manteve um nível altamente regular ao longo de todo o ano, pois o funcionamento tático do meio-campo passava pela dupla — analisou.

Defensivamente, Fabinho somou 84 desarmes, o quinto melhor em toda liga, 39 interceptações e 60 cortes. Também brilhou na construção do time, com 83 lançamentos certos e como o quinto que mais acertou passes na competição (1891).

Com a troca de comando em 2025/26 para Sérgio Conceição, somado a uma “ressaca”, como definiu o Central do Arabão, o Ittihad, junto do jogador brasileiro, tem sido irregular e é apenas o sétimo na liga.

— Não chega a ser um mau momento [do jogador], mas está bem abaixo do alto nível que apresentou na temporada anterior. Acredito que isso se deve ao início de temporada e a uma certa “ressaca” após a supertemporada 24/25. Praticamente todo o time do Ittihad começou abaixo. Além disso, há a questão da adaptação ao novo esquema, com o novo treinador Sérgio Conceição. Acredito que seja só uma questão de tempo até voltar à melhor forma — completou.

Fabinho no futebol saudita:

  • 2025/26: 13 jogos (13 como titular)
  • 2024/25: 37 jogos (37)
  • 2023/24: 30 jogos (28)

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Por que o ex-Liverpool retornou à seleção brasileira

O campeonato da Arábia Saudita não está entre os melhores do mundo e a convocação do jogador do Al-Ittihad causa questionamento de alguns torcedores, com alguns citando que, na mesma posição, Ancelotti poderia ter chamado André e João Gomes, do Wolverhampton, Éderson, da Atalanta, ou algum nome do futebol nacional.

A ida de Fabinho está ligada a suas características e como se assemelham com as de Casemiro, quem virou o dono do meio-campo desde a chegada do italiano à Seleção.

— Quero encontrar um perfil que possa encaixar nas características de Casemiro. Temos meio-campistas muito bons. Creio que o Fabinho tem essas características, o conhecimento da posição e a experiência. Já jogou em nível muito alto na Europa — explicou o treinador.

Parece ter sido uma indicação direta do próprio titular na função, pois, no último mês, ao ser questionado se era insubstituível no Brasil, citou o meio-campista do Ittihad. “Se fosse para falar um nome de característica, falaria do Fabinho, que está no mundo árabe, mas tem um estilo de jogo parecido”, disse em coletiva.

Fabinho e Casemiro em jogo entre Liverpool e Real Madrid, em 2022
Fabinho e Casemiro em jogo entre Liverpool e Real Madrid, em 2022 (Foto: Imago)

Na Arábia Saudita, o meio-campista brasileiro não mudou muito do que tinha mostrado no Liverpool. Segue sendo um primeiro volante com boa capacidade de cobertura. “O Fabinho que todos conhecem”, analisou o Central do Arabão.

— Taticamente é um 5, às vezes um 8, não muito diferente do que desempenhou ao longo de toda a sua carreira. Faz boa cobertura defensiva e tem ótima leitura de jogo. É ele quem varre os espaços à frente da defesa, com desarmes, recuperações e boa antecipação. Baixa para formar o bloco baixo e ajuda na ligação entre defesa e ataque — finalizou.

Os próximos jogos da Seleção

  • Brasil x Senegal — quinta-feira, 15 de novembro, às 13h (horário de Brasília);
  • Brasil x Tunísia — terça-feira, 18 de novembro, às 16h30 (horário de Brasília).
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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