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Como a contratação de Saúl pode agregar ao Flamengo de Filipe Luís

Após cancelar acordo com time turco, meia espanhol se aproxima de acerto com Rubro-Negro Carioca

O Flamengo está perto de anunciar a contratação de Saúl Ñíguez, meio-campista do Atlético de Madrid. Apesar de ainda ter mais um ano de contrato com o clube espanhol, o jogador já havia iniciado o processo de rescisão junto à diretoria colchonera. Por isso, a tendência é que chegue “de graça” ao time rubro-negro.

Saúl tinha um princípio de acordo com o Trabzonspor, porém, acabou recuando da decisão nos momentos finais. “Não deu certo por questões pessoais. Espero que nossos caminhos se cruzem novamente um dia”, escreveu nas redes sociais.

A informação da negociação avançada com o Flamengo foi divulgada por Fabrizio Romano, jornalista especializado em transferências do futebol. José Boto, diretor do clube carioca, teria trabalhado intensamente na última noite para convencer o atleta a ingressar no projeto rubro-negro.

A chegada à Gávea levanta expectativas sobre o impacto que o experiente meio-campista espanhol pode ter no time comandado por Filipe Luís. Com uma carreira consolidada na Europa, incluindo passagens por Atlético de Madrid, Chelsea e Sevilla, Saúl traz na bagagem uma combinação rara de versatilidade, intensidade e leitura de jogo — características que podem ser determinantes na briga por títulos no cenário nacional e continental.

Mas afinal, o que exatamente Saúl pode agregar ao elenco rubro-negro? E, mais importante, onde ele se encaixaria nesse Flamengo de proposta de jogo moderna, baseada em domínio da posse e imposição territorial?

O que Saúl pode agregar ao Flamengo de Filipe Luís?

Versatilidade tática

Versatilidade, como citado, é um dos principais atributos do jogo de Saúl. O espanhol de 30 anos consegue atuar em diversas posições no meio-campo sem que seu nível de atuação caia. No Atlético de Diego Simeone, sobretudo na primeira passagem, o camisa 8 foi uma espécie de “curinga” — era utilizado onde a equipe mais precisava.

Ele costuma ser escalado como meia central — sua posição mais natural ao longo da carreira —, onde atua como um jogador “box-to-box”, cobrindo uma grande área do campo e participando tanto da defesa quanto do ataque.

O possível reforço do Flamengo também pode ser colocado na volância ou até mesmo mais aberto na meia-esquerda. Uma flexibilidade valiosíssima para Filipe Luís, que preza por um time com mobilidade e que se adapte a diferentes esquemas táticos e cenários de jogo.

Saúl aplaude torcida do Sevilla
Saúl aplaude torcida do Sevilla (Foto: Imago)

Inteligência tática e disciplina defensiva

Ainda no aspecto tático, Saúl é conhecido por sua leitura de jogo impecável e disciplina acima da média. Trata-se de um meio-campista agressivo na pressão, que intercepta passes, cobre espaços e participa ativamente da recomposição defensiva. Raçudo, voluntarioso e importante dentro do esquema.

Predicados que seriam cruciais para a solidez defensiva que Filipe Luís tem buscado implementar (e conseguido), especialmente em um time que gosta de ter a posse de bola e ser agressivo na recuperação. Saúl é um jogador de grupo, que se doa pelos companheiros e coloca o coletivo em primeiro lugar.

Qualidade na saída de bola e distribuição de jogo

Além de seu forte lado defensivo, Saúl tem boa técnica com a bola nos pés. Apesar de não ser um “maestro” clássico na criação, o meia espanhol é eficaz na distribuição. Ele dificilmente erra passes simples e possui uma visão de jogo apurada para encontrar as melhores opções.

Essa capacidade de conferir qualidade à saída de bola e fazer a transição entre defesa e ataque de forma limpa e inteligente é um diferencial, especialmente para times como o Flamengo de 2025, que buscam construir suas jogadas desde trás e ditar o ritmo das ações em campo.

Saúl, assim como Jorginho, volante ítalo-brasileiro recém-contratado pelo Rubro-Negro, consegue receber e liberar a posse com poucos toques, acelerando a transição e facilitando a articulação ofensiva.

Infiltrações e chegada à área

No futebol, “infiltração” refere-se à capacidade que um jogador tem de se mover sem a bola em espaços vazios na defesa adversária — muitas vezes entre as linhas de marcação — para receber um passe em zona perigosa ou para desorganizar a estrutura defensiva do oponente.

Saúl se destaca nesse fundamento. O espanhol tem excelente senso de colocação para infiltrar na área como elemento surpresa, gerando superioridade numérica e perigo iminente de gol. Essa habilidade faz com que o meia seja uma peça valiosa em transições ofensivas e jogadas de construção mais elaborada.

Sua leitura de jogo permite que ele explore brechas entre os defensores, atacando o espaço no momento exato, muitas vezes pegando a zaga desprevenida.

Saúl em ação pelo Atlético de Madrid
Saúl em ação pelo Atlético de Madrid (Foto: Imago)

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Onde Saúl se encaixaria no time?

Considerando a ênfase de Filipe Luís na solidez defensiva, controle de meio-campo e protagonismo dos laterais e pontas no ataque, Saúl se encaixaria em um esquema com dois volantes ou como um dos meias em uma formação 4-3-3.

Ele poderia formar dupla com outro volante mais posicional, liberando-se para avançar e participar da criação, ou atuar como um “camisa 8” no meio, oferecendo apoio defensivo e ofensivo.

Sua inteligência e versatilidade permitiriam a Filipe Luís explorar diferentes formações e estratégias, tornando o time ainda mais imprevisível para os adversários.

Posições que Saúl pode atuar no Flamengo:

  • Volante ao lado de Pulgar ou Allan (jogadores de combate) — Sua capacidade de marcação e saída de bola seria fundamental para dar consistência defensiva e iniciar as jogadas. Atuaria como um “box-to-box” mais defensivo, cobrindo as subidas dos laterais e participando da distribuição de jogo;
  • Meia-central em uma linha de três — Nesse esquema, Saúl poderia ser o meia que dita o ritmo do jogo, participa da construção e chega como elemento surpresa na frente. Sua inteligência tática e leitura de jogo apurada seriam cruciais para conectar a defesa ao ataque, especialmente se Filipe Luís optar pela escalação de pontas mais agudos;
  • Meia-esquerda — Embora sua melhor versão seja atuando na faixa central de campo, Saúl já atuou como meia-esquerda e até mesmo como lateral-esquerdo em algumas ocasiões. No Flamengo, com laterais ofensivos como Ayrton Lucas e Matías Viña, ele poderia ser uma opção para dar mais solidez defensiva pelo lado esquerdo do meio-campo, fechando os espaços quando os laterais sobem.

Fim de uma era no Atlético de Madrid

Após 10 temporadas defendendo o Atlético de Madrid (sem contar as categorias de base), Saúl Ñíguez se despedirá do clube mais importante de sua carreira. Segundo o jornal “Marca”, o meia era visto como um problema para o clube colchonero resolver, por não ter espaço na equipe de Simeone.

O jogador regressou este verão ao Wanda Metropolitano, depois de uma temporada de empréstimo no Sevilla. Com a camisa do time rojiblanco, marcou um gol e concedeu seis assistências em 26 partidas. Números e desempenho insuficientes para convencer o Atleti a reaproveitá-lo em 2025/26.

A concorrência pesada no elenco, aliada à queda de rendimento nas últimas temporadas e o alto de salário de Saúl, pesaram para sua saída. Ele deixa o Atleti com os seguintes números: 427 jogos, 48 gols, 26 assistências e seis títulos.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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