Brasil

Derrota para o Palmeiras escancara vazio do São Paulo e respalda desabafo de Crespo

Mesmo com bons lampejos ofensivos, revés no clássico expõe desorganização estrutural e amplia crise no Morumbi

A derrota por 3 a 1 para o Palmeiras, neste sábado (24), na Arena Barueri, expôs muito mais do que um tropeço em clássico. Ela funcionou como uma confirmação incômoda do diagnóstico que Hernán Crespo havia feito horas antes da bola rolar. O São Paulo saiu de campo não somente batido no placar, mas fragilizado em todos os aspectos — técnico, emocional e institucional — e segue perigosamente próximo da zona de rebaixamento no Campeonato Paulista.

Antes do jogo, Crespo já havia escancarado o tamanho do problema ao falar sobre o ambiente interno do clube. Em um tom raro de franqueza, o argentino apontou o esvaziamento do comando tricolor como símbolo de um momento que ele próprio classificou como histórico — e negativamente.

— A gente chegou aqui sete meses atrás. O presidente não está. Júlio Casares não está. Muricy não está. Belmonte não está — disparou, listando ausências que ajudam a explicar o cenário de instabilidade no Morumbi.

O técnico foi além ao descrever uma ruptura quase completa na estrutura do futebol. “Mudou tudo. Departamento médico, diretoria, presidente…”, afirmou, antes de uma risada carregada de ironia.

Em seguida, tentou projetar algum horizonte, ainda que distante: “Talvez vão chegar outras pessoas. Presidente novo. Com calma, e tentar ajudar onde a gente puder ajudar. É difícil, difícil demais. Talvez estamos falando do pior momento da história do São Paulo”, admitiu Crespo, sem rodeios.

Problemas em campo e horizonte preocupante para o São Paulo

Em campo, o que se viu foi um reflexo direto desse ambiente desorganizado, ainda que com nuances. Sobretudo no primeiro tempo, o São Paulo conseguiu produzir bons lampejos ofensivos, com triangulações interessantes pelos lados do campo e alguma fluidez para chegar ao último terço.

O problema é que essas boas sequências foram episódicas e não resistiram às falhas estruturais: a defesa seguiu extremamente vulnerável, com espaços generosos entrelinhas, marcação confusa e uma transição defensiva lenta, quase inexistente. O Palmeiras precisou de pouco para transformar desatenções em vantagem no placar.

Crespo já havia reconhecido que tenta blindar os jogadores do caos político e administrativo, mas a prática mostra como essa separação é frágil.

A insegurança fora das quatro linhas transborda para dentro do jogo, especialmente em um time pressionado por resultados e sem referências sólidas para se apoiar quando o contexto exige maturidade. Os bons momentos ofensivos não foram suficientes para mascarar um conjunto que se desmonta com facilidade diante de qualquer adversidade.

No horizonte, o cenário pouco ajuda a aliviar a tensão. O Tricolor terá uma sequência pesada, começando pela estreia no Campeonato Brasileiro, quando recebe o Flamengo no Morumbi. Depois, encara o Santos duas vezes em curto intervalo: primeiro pelo Paulistão, novamente em casa, e na sequência pelo Brasileirão, fora.

Luciano se lamenta durante Palmeiras x São Paulo
Luciano se lamenta durante Palmeiras x São Paulo (Foto: Imago)

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Os gols de Palmeiras 3 x 1 São Paulo

Num jogo que parecia que o São Paulo começava mais a vontade em campo, o Palmeiras precisou de uma boa chegada para abrir o placar na Arena Barueri. Logo aos sete minutos, o Alviverde pressionou a saída são-paulina com Maurício conseguindo o desvio no passe, Andreas Pereira roubou a bola e devolveu no camisa 18, que ajeitou o corpo e bateu rasteiro no cantinho de Rafael.

A resposta tricolor, porém, demorou poucos minutos. Com 12′ no relógio, Enzo Díaz cobrou escanteio no meio da área, Arboleda desviou de cabeça para frente e achou Bobadilla. Livre de marcação, o paraguaio finalizou fraco, mas viu a bola passar por baixo da perna de Carlos Miguel.

O clássico era tão movimentado e imprevisível, que justamente quando vivia seu pior momento em campo, o Palmeiras voltou a ficar à frente no marcador. Aos 30′, Sosa recuperou a bola na linha lateral e deixou com Marlon Freitas, que serviu Andreas à frente.

O camisa 8 abriu jogada na esquerda, e Sosa descolou passe açucarado para Flaco López — desmontando toda a defesa adversária. Com cavadinha precisa, o argentino encobriu Rafael e balançou as redes.

No segundo tempo, Khellven deu números finais ao clássico. Piquerez cruzou na segunda trave, Flaco escorou de cabeça e o lateral-direito apareceu mergulhando para, também de cabeça, deixar sua marca.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo