Brasil

Nem todos os jogadores do São Paulo envolvidos em confusão após clássico serão denunciados; entenda

Fora do clássico, Wellington Rato e Rafinha serão denunciados por ofensas à arbitragem assim como três dirigentes

Coube ao presidente Julio Casares externar toda a inconformidade do São Paulo com a arbitragem no empate em 1 a 1 com o Palmeiras, no último domingo (3), no MorumBIS, pelo Campeonato Paulista, em um pronunciamento na zona mista do estádio. O presidente subiu o tom de seu discurso nos microfones, mas não chegou nem perto à revolta expressa por são-paulinos contra a equipe de arbitragem no túnel de acesso aos vestiários.

Ali, Casares, o diretor de futebol Carlos Belmonte, o adjunto Fernando Bracalle Ambrogi e alguns jogadores que não foram relacionados pela arbitragem hostilizaram o árbitro Matheus Delgado Candançan e seus assistentes. Imagens publicadas pelo portal ge mostram Rafinha, Wellington Rato e Calleri, três desfalques no Choque-Rei, entre os mais exaltados proferindo ofensas à arbitragem. A polícia inclusive teve de intervir para conter a confusão com escudos de proteção que separavam os “dois lados” da briga.

Tudo isso foi registrado pelo árbitro na súmula da partida, mas com uma ressalva. Calleri, um dos mais exaltados nos xingamentos e nas reclamações, não foi citado pelo árbitro no documento. Nos bastidores do São Paulo, uma versão que circula para explicar a ausência do argentino entre os mencionados é que um dos auxiliares de Matheus Candançan ofendeu o atacante durante a confusão. O relato ouvido pela Trivela é de que o assistente entrou no vestiário, fora do alcance das câmeras que gravaram o episódio, e passou a xingar o centroavante.

Assim, o argentino poderia alegar que reagiu a ofensas que ouviu da equipe de arbitragem em um possível julgamento do episódio. A Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de São Paulo irá denunciar todos os envolvidos citados na súmula pelo árbitro. Calleri não está entre eles.

Em pronunciamento na zona mista do MorumBIS, o presidente Julio Casares externou todo o seu descontentamento com a arbitragem no clássico. Ele inclusive mencionou o xingamento de um dos auxiliares a Calleri.

A revolta são-paulina no clássico tem a ver com três lances decisivos na partida. Casares esbravejou porque o VAR não pediu revisão de uma entrada de Richard Ríos em Pablo Maia no lance do gol marcado por Alisson — o São Paulo reclama a expulsão do colombiano. Além disso, o clube contesta a marcação do pênalti de Rafael em Murilo após consulta ao monitor e a não marcação de um pênalti de Piquerez em Luciano, também após revisão.

Presidente Julio Casares está entre os nomes que serão denunciados pela Procuradoria do TJD (IconSport)

— É um dia triste para o futebol paulista que é forte. Não pode acontecer o que aconteceu hoje! Protestaremos contra esse auxiliar do árbitro que xingou o Calleri, que estava quieto. O árbitro se acovardou quando o VAR chamou e o lance do Pablo é uma agressão, um garoto convocado agora. E o lance do pênalti do Rafael é um absurdo, se for assim, ele dará quatro ou cinco pênaltis por jogos. Eu lamento, merecíamos a vitória pelo feito dentro do campo. Lamentamos a omissão do VAR e a incompetência do árbitro e principalmente a omissão. No lance do Pablo, ele deu amarelo e o var não chamou, o que o VAR está fazendo? Achou pênalti contra o Santos, achou expulsão do Arboleda, e hoje se omitiu. Vamos reagir! Aqui no Morumbi não acontece mais isso. O Abel tinha que ter sido expulso, ele apitou o jogo! Ele expulsou alguém do nosso banco — concluiu Casares.

O São Paulo publicou o vídeo da reclamação de Casares em seus perfis oficiais nas redes sociais. A indignação vem desde antes do Choque-Rei. O presidente já havia esbravejado contra a arbitragem de Edina Alves na derrota para o Santos. Ele reclamou também da expulsão de Arboleda no empate em 2 a 2 com o Red Bull Bragantino.

O que o árbitro relatou na súmula da partida:

Informo que ao final da partida a equipe de arbitragem foi interceptada no túnel que dá acesso ao vestiário dos árbitros, por diversos dirigentes e atletas (Não relacionados) do São Paulo FC.

Foi proferido as seguintes palavras pelos dirigentes Fernando Bracalle Ambrogi, Carlos Belmonte Sobrinho, Julio César Casares, “safados, que pênalti foi esse, sem vergonhas, filhos da p***, vai tomar no c*, você não vai ficar em paz, desgraçados, o Abel apitou o jogo hoje”.

Foi identificado também os Atletas não relacionados para a partida Sr. Márcio Rafael Ferreira de Souza, proferindo as seguintes palavras contra a esquipe de arbitragem “Vai tomar no c*, como dá um pênalti desse, safado, você nunca mais vai apitar aqui”, e o Sr. Wellington Soares da Silva, proferindo as seguintes palavras contra arbitragem “safado, vai tomar no c*, filho da p***”.

Informo ainda que foi necessária a intervenção do policiamento local com escudos, para retirada das pessoas acima mencionadas.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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