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São Paulo quer transformar Beraldo em maior venda de um zagueiro na história no Brasil

São Paulo se protege com multa de 60 milhões de euros e fará jogo duro para vender Beraldo em caso de proposta

A diretoria do São Paulo olha para tudo o que Lucas Beraldo fez em 2023, e a renovação de contrato anunciada na última sexta-feira (29), é tão óbvia quanto o potencial do jovem de 19 anos. O histórico respalda uma valorização mais do que merecida. Mas é no futuro que o clube mira, ao prorrogar o vínculo com o zagueiro por mais cinco anos – até o final de 2028.

De imediato, o Tricolor se protege ainda mais para fazer jogo duro com os interessados em contratar o defensor e garantir uma permanência mais longeva em 2023 para a disputa da Libertadores. E quando chegar a hora de vender, o São Paulo projeta fazer a maior transferência de um zagueiro na história do futebol brasileiro.

O clube não divulgou detalhes do acordo para a renovação. Mas além da ampliação do vínculo, Beraldo recebeu um aumento substancial nos vencimentos. A multa rescisória estipulada em contrato está na casa dos 60 milhões de euros (aproximadamente R$ 320 milhões pela cotação atual).

A renovação com Beraldo está em pauta há tempos no São Paulo. O clube e o estafe do atleta conversam sobre a prorrogação e valorização salarial para o jovem desde que ele virou titular da equipe. Algo natural e merecido. Até a assinatura da última sexta-feira (29), o zagueiro ainda recebia salário equivalente ao de um garoto que recém subira das categorias de base, e não no patamar de quem é um dos protagonistas do time. O defensor, aliás, se enquadrava nos dois casos.

São Paulo quer fazer maior venda de um zagueiro na história

Com Beraldo, o São Paulo espera fazer a maior venda de um zagueiro na história do futebol brasileiro. A Trivela apurou que o clube só aceita abrir negociação a partir de 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 106 milhões), com expectativa de faturar ainda mais. Em caso de valor mais baixo do que isso, o Tricolor aceita negociar, mas por uma fatia menor dos direitos do jogador, de olho em uma futura venda na Europa.

Em números absolutos, uma venda por 20 milhões de euros seria com folgas a maior de um atleta da posição na história do futebol brasileiro. Para comparação: o Corinthians negociou Murillo com o Nottingham Forrest, da Inglaterra, em agosto deste ano, por 12 milhões de euros (R$ 64,4 milhões), com possibilidade de receber mais 2 milhões de euros (R$ 10,7 milhões), em bônus por metas a ser alcançadas pelo atleta.

Hoje, quem detém o recorde em valores absolutos é o próprio São Paulo, que negociou Breno ao Bayern de Munique, em dezembro de 2007, por US$ 19 milhões. Mas como muito dos negócios foram feitos há mais de dez anos, a Trivela usou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para “atualizar” os valores e retratar o quanto cada venda “valeria” hoje em dia.

As 10 maiores vendas de zagueiros no Brasil:

  1. Edmílson – do São Paulo para o Lyon, em agosto de 2000
    Valores corrigidos: R$ 113 milhões
    Valores na época: US$ 10,5 milhões (R$ 19,11 milhões)
  2. Breno – do São Paulo para o Bayern, em dezembro de 2007
    Valores corrigidos: R$ 101,9 milhões
    Valores na época: US$ 19 milhões (R$ 34,01 milhões)
  3. Alex – do Santos para o PSV, em fevereiro de 2004
    Valores corrigidos: R$ 92,9 milhões
    Valores na época: US$ 8 milhões (R$ 25 milhões)
  4. Roque Júnior – do Palmeiras para o Milan, em junho de 2000
    Valores corrigidos: R$ 87,6 milhões
    Valores na época: 8,5 milhões de euros (R$ 14,45 milhões)
  5. Thiago Silva – do Fluminense para o Mila, em dezembro de 2008
    Valores corrigidos: R$ 85,97 milhões
    Valores na época: 10 milhões de euros (R$ 32,1 milhões)
  6. Jemerson – do Atlético-MG para o Monaco, em janeiro de 2016
    Valores corrigidos: R$ 84,07 milhões
    Valores na época: 11 milhões de euros (R$ 47 milhões)
  7. Mina – do Palmeiras para o Barcelona, em janeiro de 2018
    Valores corrigidos: R$ 80,53 milhões
    Valores na época: 12,3 milhões de euros (R$ 48 milhões)
  8. Gil – do Corinthians para o Shandong Lunen, em janeiro de 2015
    Valores corrigidos: R$ 78,63 milhões
    Valores na época: 10 milhões de euros (R$ 43,9 milhões)
  9. Henrique – do Palmeiras para o Barcelona, em junho de 2008
    Valores corrigidos: R$ 70,29 milhões
    Valores na época: 10 milhões de euros (R$ 25 milhões)
  10. Murillo – do Corinthians para o Nottingham Forrest, em agosto de 2023
    Valor: 12 milhões de euros (R$ 64,4 milhões)*
    *Mais 2 milhões de euros (R$ 10,7 milhões) em bônus

Com valores atualizados, a maior venda também é do São Paulo. O clube negociou Edmílson com o Lyon, em agosto de 2000, por US$ 10,5 milhões (R$ 19,11 milhões à época). Em 2023, esse valor equivale a R$ 113 milhões. Para fazer a maior venda da história, o Tricolor terá de vender Beraldo por pelo menos 21,3 milhões de euros.

Vale lembrar que o Tricolor não é dono da totalidade dos direitos do atleta. Os direitos do zagueiro de 19 anos estão divididos entre o São Paulo (60%), o XV de Piracicaba (20%) e o próprio jogador (20%).

São Paulo já recusou propostas por Beraldo

Com a renovação, o São Paulo pretende segurar Beraldo ao menos até a metade de 2024. A diretoria entende que o mercado de transferências na Europa é de que a janela de janeiro – meio da temporada europeia – é menos aquecido do que a janela do meio do ano – início da temporada no Velho Continente. A diretoria não só pretende resistir ao interesse de clubes do exterior, como já vem resistindo.

O zagueiro esteve na mira de clubes da Premier League durante esta temporada. O Tricolor recebeu mais de uma oferta pelo atleta. O Wolverhampton, por exemplo, acenou com uma proposta de 10 milhões de libras (R$ 63,3 milhões) pelo defensor. O valor foi recusado pelo clube.

“O que o Beraldo joga é de outro planeta, já está na hora de se pensar em convocação para seleção principal. Já chegou proposta e proposta alta, mas alta para aquele momento. Agora, vão ter que pagar o que ele vale. Quando o Miranda estava conosco ainda, o Beraldo ainda não tinha jogado no profissional, ele falou ‘esse moleque vai ser melhor que eu'”. (Carlos Belmonte, diretor de futebol do São Paulo)

 

Dinheiro da Copa do Brasil ajuda a evitar venda

A recusa foi sustentada por uma aposta da diretoria: não vender jogadores para tentar ser campeão da Copa do Brasil e fechar as receitas com verbas de premiação e bilheterias. Deu (muito) certo. O título veio acompanhado de um salto de patamar que faz com que o São Paulo se permita pensar grande para a próxima temporada. Os R$ 88,7 milhões em premiações recebidas da CBF pelo título mudam as diretrizes do clube na hora de negociar seus jogadores. Hoje, o Tricolor só vende seus atletas pelo preço que quiser. E não pela necessidade/obrigação de fazer dinheiro para fechar as contas.

Um exemplo perfeito de comparação para esta mudança de postura é Gabriel Sara. Em julho de 2022, o meio-campista foi vendido pelo São Paulo ao Norwich, da Inglaterra, por 9 milhões de libras (R$ 60 milhões na cotação da época). Um valor próximo ao da proposta recebida por Beraldo na última janela.

Pouco mais de um ano atrás, o Tricolor não teve como recusar a oferta pelo jogador, mesmo entendendo que poderia faturar ainda mais se o vendesse em outro momento. Hoje, o São Paulo consegue segurar seus atletas – como foi o caso de Beraldo – e só vendê-los pelo valor que entender ser o correto (ou irrecusável).

 

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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