Brasil

Em 2004, os grandes da capital foram mal e o São Caetano pôde, enfim, gritar é campeão

Azulão venceu o Paulista de Jundiaí, no que ficou conhecida como a segunda 'final caipira' da história

O ano de 2004 é um capítulo à parte na história do futebol. Em um mesmo ano, diversas zebras assolaram o esporte bretão no Brasil e no mundo. Para destacar algumas das grandes surpresas que tomaram conta do noticiário esportivo na época, tivemos a Grécia, campeã da Eurocopa diante de Portugal, em pleno Estádio da Luz, em Lisboa e o Once Caldas, da Colômbia, levantando a taça da Libertadores da América. Em âmbito nacional, o São Caetano colocou os times grandes “no bolso” e levantou o título do Campeonato Paulista de maneira incontestável.

A decisão daquele ano foi um caso à parte, já que pela segunda vez na história, nenhum dos times grandes do estado (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos) disputaram o título. Foi a segunda vez que havia acontecido tal feito, já que em 1990, o Bragantino decidiu o estadual paulista diante do Novorizontino na primeira edição da “final caipira”, que se repetiria 14 anos mais tarde. O adversário do Azulão na final do Campeonato Paulista de 2004 foi o Paulista de Jundiaí, que um ano mais tarde seria campeão da Copa do Brasil e era uma das forças do interior naquela época.

Vamos relembrar o que de melhor aconteceu naquele campeonato, que teve de tudo um pouco, com o Corinthians quase rebaixado, Santos goleado na semifinal e decisão nos pênaltis para definir o finalista de uma das mais emblemáticas edições do Campeonato Paulista de todos os tempos.

O regulamento

As 21 equipes que formavam a primeira divisão do estado de São Paulo foram divididas em dois grupos, sendo um com dez times e o outro com 11. As equipes jogavam entre si na mesma chave em turno único e os quatro primeiros de cada um dos grupos avançavam para as quartas de final da competição. O último colocado de cada uma das chaves seriam rebaixados para a Série A2 de 2005.

No Grupo A foram sorteados o São Paulo, Portuguesa Santista, Ponte Preta, União Barbarense, Rio Branco de Americana, América-SP, Portuguesa, Atlético Sorocaba, Corinthians e Juventus. No Grupo B estavam Santos, Paulista, Palmeiras, São Caetano, Santo André, Marília, Ituano, Guarani, Mogi Mirim União São João e Oeste, que na época jogava na cidade de Itápolis.

Na chave A, passaram para a segunda fase o São Paulo, na época treinado por Cuca, que terminou a primeira fase de forma invicta, com oito vitórias e um empate, marcando 21 gols e levando apenas cinco em nove jogos disputados. Na segunda colocação a surpreendente Portuguesa Santista, que fechou a fase de classificação com 15 pontos, seguida pela Ponte Preta e pela União Barbarense. Neste mesmo grupo, o Corinthians protagonizou um dos maiores vexames do clube no estadual e por pouco não foi rebaixado.

Treinado por Juninho Fonseca, depois por Osvaldo de Oliveira, o Timão foi o penúltimo colocado na primeira fase com apenas oito pontos ganhos, com duas vitórias, dois empates e cinco derrotas. O Alvinegro de Parque São jorge só não foi rebaixado por conta da vitória do São Paulo diante do Juventus na última rodada da primeira fase, resultado este que ajudou o Corinthians a permanecer na primeira divisão do estadual. Vale lembrar que o time corintiano era o atual campeão paulista.

No outro grupo, o Santos liderou com 23 pontos ganhos, com sete vitórias, dois empates e uma derrota. O Peixe terminou à frente do Paulista de Jundiaí, do Palmeiras e do São Caetano. Esta chave ficou marcada por conta da situação do Oeste, que escalou três jogadores irregulares em quatro jogos e acabou perdendo 12 pontos, terminando a primeira fase com menos dois pontos.

São Caetano aprontou nas quartas de final

Os confrontos da segunda fase do Campeonato Paulista de 2004 foram formados da seguinte forma. Os primeiros colocados de cada chave enfrentavam os quartos colocados da outra e os vice-líderes encaravam os terceiros. Neste chaveamento ficaram definidos os seguintes duelos:

  • Santos x União Barbarense;
  • Paulista x Ponte Preta;
  • São Paulo x São Caetano;
  • Portuguesa Santista x Palmeiras;

O Peixe venceu a Barbarense pelo placar de 1 x 0, enquanto Paulista e Ponte Preta protagonizaram um grande jogo em Jundiaí. No tempo normal, os times ficaram no empate pelo placar de 2 x 2 e na prorrogação, o Galo venceu por 2 x 1, fechando o placar em 4 x 3. Já Portuguesa Santista e Palmeiras se enfrentaram em Santos, no Estádio Ulrico Mursa e o Verdão levou a melhor, batendo a Briosa pelo placar de 2 x 1.

No Morumbi, a maior surpresa das quartas de final. O Favorito São Paulo enfrentou o perigoso São Caetano e acabou sucumbindo à força do Azulão. Em dois lances praticamente iguais, Anderson Lima, aquele mesmo do Grêmio, levantou a bola na primeira trave em duas oportunidades, para o artilheiro Fabrício Carvalho marcar dois gols, um no primeiro e outro no segundo tempo e calar o Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

O talentoso São Caetano, treinado por Muricy Ramalho, tinha peças ótimas em seu time, como Marcelo Mattos, Mineiro, Warley, Anderson Lima, Marcinho, Gilberto, Triguinho entre outros.  Na base da velocidade e das bolas paradas, o Azulão superou o São Paulo e foi para a semifinal enfrentar o Santos.

Força do “interior” derruba os grandes

Os finalistas do Campeonato Paulista de 2004 seriam definidos em jogos de ida e volta na semifinal, ao contrário das quartas que teve apenas um jogo. Nas partidas de ida, dois empates. O Palmeiras ficou no 1 x 1 diante do Paulista de Jundiaí e o São Caetano arrancou um empate heroico frente o Santos na Vila Belmiro pelo placar de 3 x 3. Na volta, os times “menores” mostraram a sua força e despacharam os poderosos times da capital com muita categoria.

A volta entre Paulista e Palmeiras foi disputada no Estádio Dr. Hermínio Ometto em Araras, a casa do União São João. Como previsto na época, os dois times fizeram um jogo muito equilibrado e o Galo vencia o Verdão até o último lance do jogo. Foi quando Pedrinho, em uma falta magistral, empatou o confronto e levou a decisão para os pênaltis. Mesmo com a moral mais elevada após conseguir um empate no fim do jogo, o Verdão levou a pior na série de cobranças decisivas e foi derrotado por 4 x 3.

Na outra semifinal, o São Caetano deu um baile de bola no Santos. Jogando fácil no Anacleto Campanella, o Azulão derrubou outro gigante do Campeonato Paulista e em grande estilo. Euller, o “Filho do Vento” marcou um, assim como Fabrício Carvalho e Marcinho deixou sua marca duas vezes fechando o placar no ABC em 4 x 0, era a festa do torcedor do ABC paulista, que pela primeira vez chegava em uma final do campeonato estadual.

São Caetano não deu chance para o azar e levantou o caneco

As duas finais do Campeonato Paulista de 2004 foram disputadas no Estádio do Pacaembu. Com maior favoritismo pela campanha que fez, principalmente na fase eliminatória da competição, o São Caetano justificou o prognóstico favorável e venceu os dois jogos, sendo 3 x 1 na ida e 2 x 0 na volta. No primeiro jogo, Canindé abriu o placar em favor do time de Jundiaí, mas Euller e Warley (duas vezes) marcaram os gols do Azulão.

Na volta, Marcinho e Mineiro fizeram os gols de mais um triunfo na decisão, concretizando um título incontestável do São Caetano, que mesmo não sendo tão badalado como seus rivais da época, jogou um futebol de alto nível e foi uma das “menores” zebras neste ano maluco que foi 2004.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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