Santos atropela apatia do São Paulo para decidir 7ª final do Paulistão com todos os méritos
No começo de 2015, o Santos não tinha um time. Teve que se remontar com as diversas saídas de jogadores, como a de Arouca e Aranha, duas peças importantes. O clube ainda demitiu Enderson Moreira no meio do caminho, o que parecia um sinal de que as coisas iam mal. O que se viu, porém, foi um time cheio de méritos em todas as posições. O time que era visto como uma chacota por remontar 2003 com Ricardo Oliveira, Robinho e Elano. Este último não é titular, mas os dois primeiros foram fundamentais. O confronto com o São Paulo neste domingo, pela semifinal do Campeonato Paulista, foi uma vitória merecida de quem foi mais time, no jogo e no campeonato.
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O placar mostrou 2 a 1 para o Santos, mas poderia ter sido mais. O time da baixada mostrou ser mais time que o São Paulo o tempo todo. No segundo tempo, aliás, até chegou a ser displicente, perdendo muitas chances de matar o jogo e até construir uma goleada. O São Paulo pareceu jogar uma partida qualquer, não uma decisiva. Não pareceu sentir o gol, mas no pior possível dessa expressão. O time era apático, continuou assim, seguiu do mesmo modo até o final. Nos últimos cinco minutos, até tentou alguma coisa, em modo de desespero, mas foi só de um ou outro jogador – especialmente Centurión, que sempre faz isso – e só. Arrancou um gol, de Luis Fabiano, quando parecia difícil chegar ao empate, em um belo passe de Pato. Luís Fabiano estava impedido, mas isso acabou não fazendo diferença.
O São Paulo que entrou em campo contra o Santos na Vila Belmiro parece ter poucas chances de fazer frente ao Corinthians na próxima quarta-feira, quando o time decide a sua classificação para a próxima fase da Libertadores. É verdade que pode até avançar com um empate, mas o futebol não é animador para o time. São vários os problemas que assolam a equipe, desde a falta de vontade mostrada na Vila até a bagunça tática, a falta de ideias de um time que parece não ter nunca nem treinado junto, que dirá jogar. O time pensa muito pouco e embora tenha por característica ficar com a bola, ter a posse, não parece ter a menor ideia do que fazer com isso.
Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato, que deveriam ser os craques do time, simbolizam uma completa desconexão com a realidade, com o jogo, com o calor de uma eliminação. Não pareceram se importar com o que acontecia no jogo. Lamentam burocraticamente a derrota, da mesma forma como jogam burocraticamente em campo. O São Paulo tem problemas demais para tratar até quarta-feira, que Milton Cruz não parece ter capacidade de fazer.
Ao Santos, porém, será a chance de decidir o Campeonato Paulista pela sétima vez consecutiva, o que não é pouco. De 2009 até este 2015, o Santos esteve em todas as decisões, vencendo três delas. Em 2009, perdeu para o Corinthians, em 2010 venceu o Santo André, em 2011 bateu o Corinthians e em 2012 bateu o Guarani. Em 2013, perdeu para o mesmo Corinthians e em 2014 quem venceu foi a surpresa Ituano. Se contarmos desde 2006, o time esteve entre os dois primeiros em nove das 10 vezes, uma vez foi campeão em 2006 (era pontos corridos, o São Paulo foi o vice-campeão) e bateu o São Caetano em 2007. O time tem conseguido se remontar ano após ano com jogadores da base, com erros também de gestão, é evidente – e o caso Neymar e sua venda para lá de questionável em termos de valores é mostra disso.
O time que chega à final tem diversos méritos. Robinho é um ótimo jogador com a camisa alvinegra, aquela que ele parece ter nascido para vestir. Ricardo Oliveira é um ótimo centroavante. Lucas Lima tem se mostrado o melhor meia do Campeonato Paulista. Geuvânio cresceu de produção e mostrou, com o golaço deste domingo na Vila, que pode ser um jogador importante para o Santos. A decisão será mais uma oportunidade do Santos encher ainda mais a sua já repleta galeria de títulos. E isso nunca é desprezível.
Veja os gols do clássico:



