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Mais do que a classificação, Palmeiras trouxe orgulho ao seu torcedor com jogaço em Itaquera

Nas estatísticas, o jogo deste domingo ficará marcado como um empate por 2 a 2 na Arena Corinthians. As estatísticas, porém, são apenas números. No coração do torcedor palmeirense, será uma gigante vitória. “Ah, é o Paulistinha”, alguém dirá. É verdade que o Campeonato Paulista – e os estaduais como um todo – não sejam lá muito empolgantes. Mas quando entram em campo dois grandes rivais, não há amistoso, não há competição desimportante. Na memória do torcedor estará a defesa de Fernando Prass nos pênaltis de Elias e Petros, que classificaram o Palmeiras para a final.

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Desde o início do jogo, o Palmeiras se colocou em uma postura de pressionar o Corinthians no campo de defesa, algo que o próprio time alvinegro costuma fazer com os rivais. Marcando alto na saída de bola, colocou o time da casa em dificuldade. O gol, porém, veio de uma jogada para lá de tradicional: bolas paradas. Em um escanteio, Victor Ramos tentou o cabeceio, a bola bateu em Danilo e caiu nos pés dele, que finalizou com os pés desta vez para abrir o placar, logo a 13 minutos do primeiro tempo.

O coração do torcedor palmeirense saltitava, mas o Corinthians estava no jogo. Mostrou a sua força em uma jogada igualmente tradicional, e não fruto das características dos dois times: bola parada. Desta vez, foi Jadson quem cobrou falta com precisão na cabeça de Danilo. Ele, sempre decisivo, cabeceou muito bem para empatar o jogo em Itaquera, aos 33 minutos.

O Corinthians não estava no seu melhor, mas fez por merecer chegar em um segundo gol. E foi um golaço. Mendoza dominou bonito a bola, avançou diante do espaço dado pela marcação palmeirense e mandou uma bomba no canto baixo de Fernando Prass. Gol que virou o jogo e colocou de novo o jogo nas mãos do Corinthians, no final do primeiro tempo, aos 44 minutos.

O segundo tempo, porém, teve um Palmeiras muito mais inteiro. Não só fisicamente, mas em postura. Oswaldo de Oliveira também teve seu mérito: fez as alterações para manter o time no ataque. Colocou, logo no início da etapa , Cleiton Xavier. O Palmeiras cresceu em voluma de jogo, porque teve Robinho recuado para volante. O Palmeiras buscou o jogo, buscou o empate, que veio aos 29 minutos do segundo tempo, em uma jogada pela esquerda. Dudu cruzou da esquerda para Rafael Marques entrar pela direita de peixinho e empatar. Resultado que parecia fazer mais jus ao jogo que aconteceu.

Do gol ao final do jogo, os dois times se arriscaram pouco. Os pênaltis pareceram inevitáveis. E vieram com toda a dramaticidade que lhe é peculiar. O empate por 2 a 2 mantinha a invencibilidade do Corinthians, mas a classificação ainda poderia escapar.  O lado das cobranças foi o lado onde estava a torcida do Palmeiras, em um cantinho. Imediatamente atrás do gol, porém, estava a torcida do Corinthians.

A primeira cobrança foi um balde de água fria nos palmeirenses. Robinho mandou um chute longe do gol, por cima. Deixou o time alviverde já atrás logo de cara. O que foi mantido durante quase toda a primeira série de pênaltis. Até que veio a cobrança do quinto e último pênalti pelo lado do Corinthians. Todos os anteriores tinham acertado. Estava nos pés de Elias classificar o Corinthians à final. Logo ele, que veste a camisa 7, cobrou no canto direito baixo. Fernando Prass, vestindo a camisa 1, foi buscar no canto e manteve o Palmeiras vivo. Uma cobrança muito parecida com a de Marcelinho Carioca, que também vestia a camisa 7, naquela fatídica semifinal da Libertadores de 2000. Marcos gostava da camisa 12, mas naquela Libertadores vestia o número 1.

Depois disso, todos mundo foi acertando nas cobranças alternadas. Petros queria cobrar. Gil não deixou e partiu ele mesmo para a bola. Bateu de forma perfeita: no canto alto, forte, sem chance alguma de defesa. Veio então a cobrança de Kelvin, que entrou no segundo tempo, e converteu. Petros, desta vez sem ninguém impedir, foi para a bola. Jogou no canto esquerdo de Prass, que foi buscar. Palmeiras classificado pelas mãos do goleiro. Uma história que o palmeirense conhece.

O torcedor do Palmeiras tem por característica valorizar a sua própria história. É algo inerente ao palmeirense. O goleiro é uma tradição na academia palmeirense e Fernando Prass é o primeiro a vestir a camisa do time sem ter sido formado na base do clube desde Gato Fernández, em 1994. Classificou o time contra um rival, na casa do rival, em uma disputa de pênaltis. Já mostrou que tem tudo que precisa para fazer a torcida muito feliz.

O Palmeiras se livra dos seus traumas e mantém a vantagem histórica no clássico. O Corinthians, se vencesse, passaria à frente em vitórias, que estava empatado em 121 a 121 antes do jogo na Arena Corinthians. O Palmeiras mantém o recorde empatado. Mas o Palmeiras segue em frente, continua resgatando pouco a pouco o orgulho palmeirense. Pode ser no Campeonato Paulista, mas é de uma importância enorme para o torcedor.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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