Brasil

Santa Cruz: inimigo interno

A troca na presidência do Santa Cruz, pondo fim ao criticado mandato de José Neves, parecia a senha para a volta do tricolor ao circuito das vitórias. Édson Nogueira deixou uma herança ainda pior para quem vier receber o bastão de sucessor: em 2009, o Santa Cruz terá 60 clubes à sua frente e brigará na inchadíssima Série D, onde conseguir o acesso será uma missão duríssima. Mais que isso: acumulando três improváveis promoções, só chegaria à elite em 2011.

A situação no Arruda é tão delicada quanto os resultados podem sugerir. Pressionado, Édson Nogueira entregou o cargo antes do final de seu mandato e, até aqui, só há um nome disposto a assumir o barco. Trata-se de Fernando Bezerra Coelho, secretário estadual do Desenvolvimento Econômico e apoiado pelos grupos políticos Aliança Coral, Veneno Coral, Reconstrução e Nova Geração.

Seja quem for o novo presidente tricolor, a missão será fazer, de 2009, um ano diferente do que foi 2008. Com esperanças após um acordo fechado com Ricardo Rocha e Alexandre Torres no início do ano, o Santa Cruz sonhava ter um time competitivo e suas raízes resgatadas. A parceria com a empresa dos dois ex-jogadores durou poucas semanas e só atrapalhou a trajetória da Cobra Coral.

O fato é apenas uma das explicações para um primeiro trimestre trágico no Arruda. No confuso regulamento do Campeonato Pernambucano, o Santa Cruz terminou a primeira fase fora do grupo dos melhores e, em razão disso, passou toda a fase seguinte disputando o rebolo contra o rebaixamento.

O torcedor tricolor não imaginava que o pior ainda estava por vir. Com uma classificação suada na primeira fase da Série C, o Santa chegou ao grupo dos 32 melhores, mas não foi capaz de terminar entre os 20 que se garantiram. Assim, fechou 2008 como o ano mais trágico de sua história, deflagrando o terceiro ano seguido caindo de divisão. Entre tantos episódios negativos, como perder um jogo na Copa Pernambuco por não ter levado um médico para o jogo, a temporada teve gosto doloroso para o Santinha. Mais uma, diga-se de passagem.

O calvário tricolor começou quando o meia Lecheva, em 2006, desperdiçou um pênalti e a possibilidade do bicampeonato pernambucano para o Santa Cruz, que acabara de subir à primeira divisão. Na elite, a passagem do clube durou muito pouco e, em dezembro, já voltou para a Série B com a pior campanha daquela edição.

Edson Nogueira, então, assumiu no lugar do ex-presidente José Neves, e o barco tricolor seguiu afundando. Hoje, com uma dívida superior a 30 milhões de reais, divisões de base sucateadas e um estádio envelhecido, a dor dos tricolores se agrava ainda mais pelos rivais. Ambos na elite, Náutico e Sport estão pelo segundo ano seguido na elite e, no caso dos rubro-negros, disputarão a Libertadores em 2009 e comemoram a Copa do Brasil.

Na atual temporada, aliás, o Santa Cruz, que completou 15 anos com apenas dois títulos estaduais, sequer enfrentou seus dois maiores rivais. Hoje, não parece nem capaz de vencer a si mesmo, pois os inimigos, ilustram os últimos anos, estão dentro do próprio Estádio Arruda.

Um turno para reagir

O convincente primeiro tempo flamenguista em Florianópolis – e a confirmação da vitória no fim do jogo – serviu para confirmar que os tempos difíceis para o Fla parecem ter passado no Brasileiro. Caio Júnior foi ousado em escalar Ibson e Kléberson como seus volantes e controlou a posse de bola, pressionou o Figueirense e venceu fora de casa – o que não fazia desde 22 de junho, quando superou o lanterna Ipatinga.

Além de dar força à idéia de que o Flamengo está novamente forte, o triunfo ilustrou o claro aumento de opções no leque de Caio Júnior. Com atraso, a direção flamenguista foi às compras e deu condições ao treinador de recolocar a equipe no prumo. O meia Éverton parece uma grande aposta, Sambueza e Fierro têm enorme força para atuar pelos lados do campo e Josiel e Vandinho são atacantes, hoje, de razoável aceitabilidade no futebol brasileiro.

O melhor acréscimo ao elenco rubro-negro, porém, é o de Marcelinho Paraíba. A contratação do experiente atacante supre a carência deixada por Marcinho. Paraíba, além de ter um currículo vencedor, dá auxílio ao geralmente único meia no esquema de Caio Júnior. Volta para compor o setor sem deixar o centroavante isolado à frente. Além disso, tem uma finalização muito boa e segura a bola no ataque. Um grande negócio na Gávea.

A diferença de nove pontos para o líder Grêmio, a ser buscada em 14 jogos restantes, parece perfeitamente possível ao Flamengo, que após ter um duro embate com o São Paulo no Morumbi, tem tabela favorável para arrancar: Ipatinga, Sport, Náutico, Atlético-MG e Vasco – quatro dos cinco jogos são no Maracanã.

Se Juan e Léo Moura mantiverem a ótima forma, Ibson não oscilar tanto e, principalmente, Caio Júnior administrar o ambiente – sempre um problema para ele – o Flamengo tem tempo, sim, para crescer muito mais.

Corinthians pensa em 2009

É perfeita a idéia corintiana de já planejar 2009. Com muito brilho ou não, a equipe voltou a abrir sua maior diferença na Série B – sete pontos – e o acesso é mera questão matemática. Assim, a direção tem sido astuta em aproveitar bons negócios, explorar o marketing ao máximo e, principalmente, apressar os trabalhos para renovar com Mano Menezes.

Em nove meses de Parque São Jorge, não há qualquer questionamento consistente ao trabalho do treinador gaúcho. É verdade que a não classificação à semifinal do Paulista e principalmente a perda da Copa do Brasil foram situações traumáticas, mas o barco corintiano navegou em mares tranqüilos em boa parte da temporada e o grande objetivo, o acesso, será conseguido com a liderança – obrigatória, é verdade – de ponta a ponta.

Mano Menezes sabe que 2009 será a hora de colher os frutos pelo que vem sendo construído agora. Hoje, o elenco corintiano tem corpo, seriedade, maturidade, consciência tática e funções e responsabilidades definidas. Algo que desde Carlos Alberto Parreira, em 2002, não chegava nem perto do Parque São Jorge.

Contratações pontuais como Morais, Otacílio Neto e Diogo – e a direção tenta trazer Cristian, do Flamengo – mostra que o planejamento corintiano tem sido perspicaz para pinçar bons nomes ao elenco sem que grandes investimentos precisem ser realizados. O ano de 2009 começará sem que muitos acréscimos precisem ser feitos e isso sempre significa largar na frente.

Além disso, a oportunidade chamada Série B é bem aproveitada. É nítido o amadurecimento de atletas jovens como Dentinho, Fábio Ferreira, Lulinha e Nílton, assim como arriscar apostas como Eduardo Ramos, Wellington Saci, William Alves, Careca e Bebeto significa dar mais opções ao elenco sem precisar se fazer muitos investimentos.

Terminando o ano sem muitos desgastes físicos e mentais, além de ter um elenco quase pronto e Mano Menezes adaptado ao clube, significa que as chances de 2009 começar com um Corinthians muito forte são bastante razoáveis. Eis aí algumas lições de como cair e saber se reorganizar pode não ser tão ruim quanto parece.

Definidas as vagas da Série C

Este último fim de semana definiu as 16 equipes que brigarão por metade das vagas para o octogonal final que vale acesso à Série B em 2009. Destaque para o Atlético-GO que teve a melhor campanha da 2ªfase, com 15 pontos, e para o Ituiutaba, que fez 14.

Vale lembrar que todos os clubes, exceto, claro, os que subirem, estão garantidos na Série C de 2008, com pontos corridos. Garantiram vaga também Icasa, Sampaio Correa, Caxias e América-MG – os melhores entre os eliminados. Veja os grupos de quem briga pelo acesso:

Grupo 25: Rio Branco-AC, Luverdense, Águia de Marabá e Paysandu
Grupo 26: Salgueiro, Campinense, ASA e Confiança
Grupo 27: Atlético-GO, Mixto, Guaratinguetá e Duque de Caxias
Grupo 28: Ituiutaba, Guarani, Marcílio Dias e Brasil de Pelotas
Sampaio Correa, Icasa, América-MG

O quase fim do terror da janela

O mês de agosto se foi e com ele a possibilidade de o Brasil perder seus jogadores para o futebol europeu. Ainda que outros centros, especialmente da Ásia, ainda possam levar atletas do Brasileiro, é provável que pouca coisa se altere.

Ao longo das últimas semanas, você acompanhou nesta coluna o balanço de quem deixou o Brasileiro e partiu para o exterior. Em uma conta difícil de ser realizada, chegamos ao número de 57 atletas que partiram da Série A. Se você sabe de alguém que atuou na primeira divisão e deixou o país, avise para que os acréscimos sejam feitos.

Em números, ninguém vendeu mais que o Cruzeiro, que enviou oito jogadores para o exterior – com Edimar, antes emprestado ao Ipatinga, são nove. Apenas dois destes atletas, porém, efetivamente fazem falta: Charles e Marcelo Moreno. Fábio, Wagner, Ramires e Guilherme tiveram propostas oficiais, mas preferiram ficar para brigar pelo título.

Indiscutivelmente, o mais prejudicado foi o Flamengo, que negociou toda sua peça ofensiva – Marcinho, Souza e Renato Augusto – e também a liderança que antes parecia segura.

Confira a lista completa:
Atlético-MG: Amaral (Las Palmas), Almir (Ulsan Hyundai), Coelho (Bologna), Danilinho (Jaguares) e Renan (Celta de Vigo)
Atlético-PR: Kaio (Cerezo Osaka) e Bolívia (Naval)
Coritiba: Michael (JEF United)
Cruzeiro: Marcelo Moreno (Shakhtar), Marcinho (Kashima Antlers), Charles (Lokomotiv Moscou), Jonathas (AZ Alkmaar), Kerlon (sem clube), Luís Alberto (Nacional), Nenê (Nacional), Eliézio (Nacional) e Maicon (Nacional)
Figueirense: Felipe Santana (Borussia Dortmund) e William (Porto)
Flamengo: Souza (Panathinaikos), Renato Augusto (Bayer Leverkusen), Marcinho (Al Jazira), Rodrigo Arroz (Belenenses) e Vinícius Pacheco (Belenenses)
Fluminense: Gabriel (Panathinaikos), Cícero (Fluminense), Thiago Neves (Hamburgo), Dori (Sundsvall) e Caio (Sundsvall)
Grêmio: Roger (FC Catar) e Rodrigo Mendes (Al-Sharjah)
Internacional: Sidnei (Benfica), Fernandão (Al Gharaffa) e Renan (Valencia)
Ipatinga: Edimar (Braga)
Náutico: Wellington (Hoffenhein)
Palmeiras: Henrique (Barcelona), Diego Cavalieri (Liverpool) e Valdívia (Al-Ain)
Portuguesa: Diogo (Olympiacos), Christian (Pachuca) e Júlio Santos (Tours)
Santos: Betão (Dínamo de Kiev), Marcinho Guerreiro (Lecce), Rodrigo Tabata (Gaziantepspor), Vítor Júnior (Kashima Antlers), Alemão (Udinese), Marcelo (Wisla Cracovia) e Renatinho (Frontale)
São Paulo: Reasco (LDU), Alex Silva (Hamburgo) e Aloísio (Al-Rayyan)
Sport: Daniel Paulista (Steaua Bucareste)
Vasco: Pablo (Zaragoza), Andrade (Cadiz) e Villanueva (Bunyodkor) e Luizão (Bunyodkor)
Vitória: Dinei (Celta de Vigo)

RESUMOS DO PRIMEIRO TURNO

Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo e Vitória
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-grmio-cruzeiro.html
Coritiba, Flamengo, Botafogo, Sport e Internacional
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-coritiba.html
Figueirense, Atlético-MG, Goiás, Portuguesa e Náutico
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-figueirense.html
Atlético-PR, Vasco, Santos, Fluminense e Ipatinga
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-atltico-pr.html

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Equipe Trivela

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