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Ronaldinho ou Fred: um dos dois terá de marcar (mas isso não vai acontecer)

Nosso lado amante do futebol arte se empolga com a volta de Ronaldinho ao Brasileirão. Aos 35, é possível que o craque veja o Fluminense como seu último clube na carreira, então é preciso aproveitar enquanto dá para vê-lo em campo. Em uma análise mais fria, no entanto, a contratação do camisa 10 parece ter mais força midiática do que esportiva, e sua chegada levanta uma questão: é possível manter o equilíbrio em um time em que apenas oito marcam? Porque com Fred e R10 em campo, é difícil imaginar um cenário diferente.

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Nem mesmo em seu auge técnico e físico Ronaldinho foi um cara de contribuir significativamente com a marcação. Natural. Quando se tem um talento como o do camisa 10 à disposição lá na frente, torna-se até um desperdício lhe pedir que despenda tanta energia contribuindo lá atrás. Mais fácil pedir que uma peça do esquema se sacrifique um pouco mais e corra também pelo craque. Mas cada time só pode se dar ao luxo de ter um jogador que abra mão desse trabalho defensivo, e, no Fluminense, Fred já é esse cara.

Para Enderson Moreira manter o equilíbrio de time sem a posse de bola, será preciso muito treino, disciplina tática de todos os envolvidos e uma marcação precisa daqueles que forem dar o bote para tomá-la de volta. E talvez mesmo tudo isso não seja suficiente para balancear uma equipe em que pelo menos dois jogadores estarão marcando menos do que deveriam. Fred ou Ronaldinho, um dos dois precisará mudar tudo o que vimos nos últimos anos e começar a ser um atleta ofensivo que também corre atrás da bola.

Com ela nos pés, R10 pode desequilibrar. Apesar da idade avançada e de passar boa parte das partidas sem uma contribuição significativa e constante ao time, é capaz de dar lampejos que lembram aquele craque que a todos encantou. Conforme o tempo passa, isso é cada vez menos frequente. Mas basta uma atuação como a que teve contra o América, em sua passagem pelo México, dando show em poucos minutos em campo, para fazer qualquer torcedor esquecer os jogos apagados que, nos últimos tempos, têm composto boa parte de suas temporadas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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