No que atrito entre River Plate e Racing na Argentina pode afetar o Grêmio
Clubes argentinos entraram em rota de colisão por conta de contratação de Maxi Salas por equipe de Marcelo Gallardo
River Plate e Racing, dois gigantes do futebol argentino, entraram em atrito e estremeceram a sua relação por conta do atacante Maxi Salas. Ou melhor: por conta da postura dos Millonarios para fechar a contratação do jogador de 28 anos que pertence ao clube de Avellaneda.
O Racing alega que o River fez uma espécie de “aliciamento” de Salas. Após a diretoria do clube de Avellaneda recusar as muitas propostas pelo jogador, a equipe de Marcelo Gallardo prometeu que não pagaria a multa rescisória prevista no contrato.
O que aconteceu, porém, segundo o Racing, foi que os Millonarios convenceram Salas a ativar a cláusula de rescisão contratual, mediante o pagamento de 8 milhões de euros (R$ 51,4 milhões pela cotação atual.
Segundo o “Olé”, o River depende apenas dos exames médicos e de detalhes burocráticos para anunciar a contratação de Maxi Salas.
E acredite: todo este imbróglio pode, sim, afetar o Grêmio.

No que isso afeta o Grêmio?
O que acontece é que a imprensa argentina aponta Cristian Pavón como um dos alvos do Racing para substituir Maxi Salas.
Com atuações irregulares (para dizer o mínimo), o atacante é um dos jogadores mais criticados pela torcida do Grêmio, que, de fato, cogita liberar o argentino. A grande questão é que o Tricolor quer recuperar ao menos parte de seu investimento na contratação do atleta.
Acredite: Pavón é um dos reforços mais caros da história do Grêmio. No início de 2025, clube pagou US$ 4 milhões (R$ 19,8 milhões na cotação da época) ao Atlético-MG pela contratação do jogador. Ele tem contrato com o Tricolor até dezembro de 2026.

- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
A “treta” entre Gallardo e Milito
A saída de Salas, é claro, deixou a diretoria do Racing insatisfeita. O clube de Avellaneda negociava uma renovação do contrato de Salas, que já era válido até o fim de 2026, e de acordo com Diego Milito, após as negativas do Racing, havia um acordo de palavra com o River de que a cláusula de rescisão não seria acionada.
— A palavra é decepção. Principalmente com o River Plate como instituição, e com seu secretário-geral (Stefano Di Carlo). Não honraram com a palavra. Há um mês pude conversar com eles e me disseram que essa situação não iria acontecer, que pelo pacto do nosso futebol não iriam executar a cláusula — disse Diego Milito à “TyC Sports”.
Milito também criticou o técnico Marcelo Gallardo e afirmou que procurar diretamente os jogadores é uma prática comum do treinador.
— Tem mais de um ano que não vejo o técnico do River, não tem diálogo. Não somos amigos. Entendo que, talvez, seja uma prática habitual dele ligar para os jogadores. Entendo que ele não é o único que faz isso no nosso futebol. Eu não faria. Cada um atua da maneira que quiser. Eles não conseguiram cumprir a palavra. Cada um faz o que quer. Nós defendemos o clube. O jogador decidiu, por vontade própria, com o River, exercer a cláusula — completou Milito.
— Há códigos dentro da convivência entre dirigentes e as relações institucionais. Evidentemente, para alguns clubes, não é assim. Espero que não seja um mau antecedente. O Racing não faria isso. Existem códigos, um pacto — finalizou o presidente do Racing.
Quem é Maxi Salas
Aos 27 anos, Maxi Salas é um dos principais nomes do time que fez história pelo Racing, campeão da Copa Sul-Americana em 2024, com vitória sobre o Cruzeiro na final, e da Recopa Sul-Americana, sobre o Botafogo, em 2025.
O atacante foi revelado pelo All Boys, da Argentina, mas fez boa parte da carreira fora do seu país. Ele passou por equipes de Chile e México e retornou à Argentina para defender o Racing após se destacar pelo Palestino entre 2022 e 2023.
Em 2024, Salas viveu, talvez, a melhor temporada de sua carreira. Ele fez dez gols e deu três assistências em 51 jogos. Mas o que chama atenção é seu poderio decisivo. O atacante marcou na semifinal da Sul-Americana contra o Corinthians, na Neo Química Arena, e deu uma assistência na final contra o Cruzeiro.
Na atual temporada, foram três gols e seis assistências em 25 partidas. Um dos passes para gol aconteceu no primeiro jogo da Recopa Sul-Americana, contra o Botafogo, na Argentina, e um dos gols foi marcado sobre o Fortaleza na fase de grupos da Libertadores.
Se os números em 2025 não impressionam tanto, a boa participação durante as partidas compensa. Salas atua pelo lado esquerdo do ataque, e se destaca pela velocidade, drible e pela pressão na saída de bola adversária. Nos dois jogos contra o Botafogo, por exemplo, Salas foi um dos melhores jogadores em campo mesmo sem fazer gols.



