Brasil

Defesa que ninguém passa do Palmeiras fez jus ao hino e garantiu mais um ano nadando de braçada

Segura, versátil e inteligente, defesa do Palmeiras foi o setor que menos oscilou ao longo da temporada

Quem acompanha futebol ficará zero surpreso ao saber que a defesa do Palmeiras, por mais um ano, foi preponderante para as três conquistas do clube na temporada: Supercopa do Brasil, Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro.

Gustavo Gómez e Murilo, os escolhidos para a titularidade no miolo, até tiveram oscilações. Houve momentos de queda física, técnica e até mesmo de dificuldade de adaptação tática. Mas houve muito mais momentos de desempenho quase ideal.

No Paulista, o Palmeiras terminou a primeira fase com cinco gols sofridos. Água Santa e São Bernardo, os segundos melhores no quesito, sofreram quase o dobro: nove. Na Libertadores, com 6, teve o terceiro melhor índice. No Brasileirão, com 33, o segundo.

Mas a dupla não jogou sozinha. Mayke e Piquerez talvez tenham vivido seus melhores anos. Luan, reserva imediato da zaga, entrou nos momentos mais difíceis e foi um dos pontos altos na arrancada heroica. Marcos Rocha virou opção real e segura como zagueiro. E Naves e Vanderlan mostraram que podem ter papéis cada vez maiores no time.

E, por mais um ano, Weverton foi crucial. Basta dizer que ele defendeu dois dos pênaltis mais difíceis que o time teve contra si no ano: Cavani, pela Libertadores, e o de Tiquinho Soares, quando o Botafogo, que tinha um a mais em campo, teve chance de fazer 4 a 1 no Palmeiras, no Brasileiro. Como todos sabem, o jogo acabou 4 a 3 para o bicampeão.

Versatilidade foi o grande segredo do setor

Quando o Palmeiras parecia morto, após a eliminação na Libertadores, Abel precisava dar um choque na equipe para ressuscitá-la. Para a frente, encontrou a dupla Endrick-Breno Lopes. Mas para que essa dupla de ataque fizesse sentido, era também preciso vir mexendo nos demais setores, de trás para frente.

O Palmeiras que arrancou para o título teve na entrada de Luan o seu ponto de virada. Com três zagueiros, o time cresceu na frente, porque os laterais ganharam liberdade para atacar ao mesmo tempo. Os volantes puderam dar um passo à frente e ajudar na armação. E um dos beques – Goméz ou Rocha – ainda podia subir e ocupar a ala-direita, com a proteção do “falso-líbero”.

Inteligência futebolística

Tudo só funcionou porque o QI de futebol dos defensores do Palmeiras é muito alto, e Abel os treina para desempenhar mais de uma função. Nenhum defensor do Palmeiras faz um só papel. E isso permite variabilidade tática inclusive com o jogo em andamento.

Todos os laterais sabem jogar como laterais recuados, alas e zagueiros. Gómez sabe fazer a ala. Luan, além de líbero, sabe atuar como volante: ninguém na defesa do Palmeiras toca samba de uma nota só.

Inclusive, além do jogo aéreo dos zagueiros, os defensores do Palmeiras contribuíram com gols de Piquerez, assistências de Vanderlan, chegadas no fundo de Mayke e lançamentos de Weverton (com pés e mãos) e Luan.

O pior ano de Gómez?

A temporada 2023 talvez tenha sido a pior de Gustavo Gómez desde que ele se firmou como titular da equipe, em 2018. Em dois jogos-chave do ano, o capitão foi expulso e deixou o time em situação difícil: Fortaleza e Flamengo. Não por acaso, dois dos únicos três jogos que o Verdão não ganhou na arrancada final de 11 jogos.

Isso posto, o paraguaio passou longe de ser um problema para Abel Ferreira. Sim, ele teve alguns erros que resultaram em gols, como contra o Boca, na volta da semifinal. Mas esses foram as exceções.

Até porque, Gómez disputou 6.213 minutos em 2023, de acordo com levantamento da CIES Football Observatory. O defensor foi o jogador com mais minutos disputados no ano em todo o mundo. Foram 70 jogos, somando participações no Verdão e na seleção de seu país. Se diante disso, um erro ou outro não acontecessem, é que haveria algo errado.

Pouco a melhorar

A necessidade fez Abel ter certeza de que tem jogadores com qualidade para mais de um papel dentro de variações táticas defensivas.

O que é bom, considerando que, ao longo do ano, o time terá ausências por conta de convocações constantes para seleções. Vanderlan, cotado para os Jogos Olímpicos, e Naves têm tudo para crescer e amadurecer ainda mais, dentro desse cenário.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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