‘Relação fria. Para mim, é um showman’: Renato Paiva desabafa sobre Textor no Botafogo
Técnico português ficou poucos meses no Glorioso e teve momentos difíceis com o mandatário do clube
Os quatro meses de Renato Paiva à frente do Botafogo foram intensos. Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e a pressão que causou sua demissão no Mundial de Clubes foram relembradas pelo técnico em entrevista à francesa “RMC Sport”, bem como os detalhes da relação com John Textor, dono da SAF do Glorioso.
— Era uma relação fria com John Textor. Para mim, é muito estranho que um dono de clube fale com o seu treinador apenas cinco vezes em quatro meses. Fui demitido porque não fazia certas coisas que ele queria que eu fizesse — declarou o português.
O técnico afirmou que Textor gostava de se envolver em questões do dia a dia por meio dos dirigentes, e que isso era um problema para a metodologia que ele adotava. “Toda a comunicação, todas as mensagens sobre como jogar, como escolher a equipe, colocar fulano nessa posição, ciclano naquela posição, ou sobre o meu sistema tático, tudo isso foi através de mensagens dos meus dirigentes”, disse.
— Ele é o dono, tudo bem, mas contratou um treinador com suas próprias ideias. Tem o direito de fazer o que fez, mas não da maneira que fez. Tenho minhas ideias. Se tiver de morrer, morrerei com as minhas ideias. O que é diferente de não ouvir. Eu ouvia meus dirigentes, mas não ia fazer coisas malucas.
Paiva continuou o desabafo justamente com queixas acerca da “falta de escuta” por parte do mandatário. “As pessoas dizem que ele não ouve muito os outros e eu sou o exemplo perfeito disso. Ele não sabe ouvir. Isso é um problema”, ressaltou.
Paiva fala de ‘méritos’ de Textor no Botafogo, mas destaca ‘problema’

Renato Paiva chegou ao Botafogo em fevereiro de 2025 após a equipe ficar mais de 50 dias sem um treinador. A ideia da diretoria era escolher um nome que pudesse permanecer por muito tempo no Nilton Santos e manter o grupo na trilha de vitórias.
O português só estreou em março, no 0 a 0 com o Palmeiras pelo Brasileirão. Ele afirmou que o jogo ficou marcado como a segunda vez em que teve contato mais direto com Textor. A primeira havia sido durante o acordo para fechar com o clube.
A dupla se encontrou novamente durante o Mundial, quando Paiva viu a versão “showman” do executivo. Houve conversas entre eles nos jogos do Botafogo contra o PSG e depois diante do Palmeiras nas oitavas — que culminou na eliminação do time do Rio de Janeiro.
— Acho que é alguém que vive para… Para mim, é um showman. Claro que tem os seus méritos, ganhou um campeonato brasileiro e a Libertadores. Mas, na minha opinião, essas conquistas não estão relacionadas à compreensão do futebol, mas sim com a escolha das pessoas.
— Faz coisas como aparecer em público usando um chapéu de cowboy, provocar as pessoas, dizer antes do Mundial de Clubes que iríamos jogar contra o PSG e que era uma equipe pequena… Quando fui entrevistado após a vitória contra o PSG, veio na minha direção e me beijou. Poderia tê-lo feito no vestiário. Fazia um show. Pôde me beijar ao vivo e, sete dias depois, me demitir. Isso diz mais sobre ele do que sobre o meu trabalho.



