Por que Reinaldo ainda não tem o devido reconhecimento dos seus números?
Em entrevista exclusiva à Trivela, Reinaldo fala sobre fase artilheira que comprova que ele é muito mais do que só resenha
Ele é o lateral que mais participou de gols na era de pontos corridos do Brasileirão (e em 2025, também) e o artilheiro da equipe sensação da competição nesta temporada.
Reinaldo disputa a elite do futebol nacional pelo 14º ano seguido, com números sólidos ao longo da carreira. E parece que é só agora, aos 35 anos e vestindo a camisa do Mirassol, que o reconhecimento começa a chegar para o lateral-esquerdo ex-São Paulo e Grêmio.
— Ah, com certeza. Aqui no Mirassol mesmo, estamos falando muito mais do meu momento, dos meus números individuais que vêm acontecendo desde que eu estreei na Série A. E isso está sendo muito bom. Tenho certeza que agora estão reconhecendo ainda mais, com o trabalho do meu estafe também. Ele está mostrando que o Reinaldo é um cara que entrega muito ao futebol, ao time onde ele está. Estão falando mais do Reinaldo, dos números… Da equipe que o Reinaldo está, mas também do Reinaldo se destacando individualmente — conta Reinaldo, em entrevista exclusiva à Trivela.
O reconhecimento tardio é reflexo dos números — que ele sustenta por alguns bons anos, diga-se. O lateral-esquerdo não só lidera a artilharia do Mirassol com sete gols, como também vive o seu Brasileirão mais artilheiro da carreira. E são também três assistências na competição até aqui.

Reinaldo comprova que é muito mais do que “resenha”
O retrospecto ao longo de toda a carreira deixa também uma dúvida no ar: por que Reinaldo não foi reconhecido antes como um lateral que entrega bons números às equipes que defende?
O lateral sempre foi conhecido muito mais por seu lado “resenha”. Por ser um atleta “bom de grupo”, característica que, por vezes, era tratada de forma pejorativa.
Em cerca de 30 minutos de entrevista por videochamada, a reportagem da Trivela constatou: Reinaldo, de fato, é bom de resenha. Mas seus números também são prova de que ele é muito mais do que isso.
— Eu gosto de deixar sempre o ambiente leve onde eu estou, de brincar com meus companheiros, de tirar aquela resenha. Mas o Reinaldo é muito mais do que isso. Vem mostrando que é muito mais do que só resenha. É um cara que trabalha bastante e que tem esses números que todo mundo vê. Não é à toa. Eu mantive muitos e muitos anos no São Paulo, passei dois anos no Grêmio. Eu sempre fiz o meu melhor, sempre tive bons números. Tenho certeza que isso não é só porque eu sou bom de grupo. Não fiquei no São Paulo tanto tempo só porque sou bom de grupo, né? Lá tem muita cobrança, então fiquei lá porque realmente eu entregava para o São Paulo aquilo que o São Paulo me pedia — diz o lateral-esquerdo.
Marcas da carreira de Reinaldo
- Lateral que mais participou de gols na era dos pontos corridos: 82 participações (39 gols e 43 assistências)
- 3º lateral com mais gols na história do Brasileirão: 39 gols
- Lateral que mais participou de gols no Brasileirão 2025: 10 participações (7 gols e 3 assistências)
- Rumo ao jogo 400 de Brasileirão: são 393 partidas

Como foi a mudança do Grêmio para o Mirassol? Se tinha a ideia de que era um “passo atrás”, mas o projeto mostra o contrário…
Eu já sabia do projeto, das pessoas que trabalhavam aqui e levaram o Mirassol até a Série A. E a vinda do Paulinho também ajudou muito. Todo mundo já falava muito bem do Mirassol, e eu sabia que ia ser um trabalho muito bom, porque a estrutura de trabalho é surreal. Então eu sei que todo mundo falava que é o fim do Reinaldo, que o Reinaldo estava indo para o Mirassol porque vai ser um dos últimos anos de carreira. Mas eu tinha na minha cabeça que não, porque eu tenho muito a contribuir ainda pro futebol brasileiro.
Tenho certeza que eu saí do Grêmio mais fortalecido do que quando eu cheguei. Isso eu trabalho muito bem na minha mente. No meu dia a dia. De vir para um clube como o Mirassol e ajudar no ano do centenário. Até esse momento, graças a Deus, estamos fazendo nossa parte e ajudando o Mirassol a se manter na Série A. Como eu falo todos os dias… Estamos brigando lá em cima, mas vamos fazer o nosso primeiro objetivo que é os 45 e se Deus quiser brigar e realizar mais um sonho que é jogar uma competição sul-americana.
Esperava ser artilheiro aos 35 anos de idade?
Eu sempre procuro estar ajudando os meus companheiros. Seja com assistência, seja com os gols. Deus concebe essa bênção para mim, de estar dando assistência, de estar fazendo gol, que para um lateral é um pouco mais difícil, né? Eu procuro estar sempre ajudando e fazendo os gols, chegando à frente com qualidade, porque eu sei da minha capacidade, eu sei do que eu posso produzir, eu sei do que eu posso fazer quando eu estou ali no terço final de campo. Então, procuro terminar a jogada muito bem.
E isso não é só aqui no Mirassol, mas em todos os clubes que eu passei eu sempre. Me destaquei por isso, por estar dando bastante assistência, por estar chegando, fazendo jogada. Como no Grêmio também eu participei de muitos gols também. Então estou mantendo o mesmo nível aqui no Mirassol. Se Deus quiser, esse ano vou bater o meu recorde de gols, que eu não sei nem quanto que é, nem de assistência, mas vou fazendo.
No final, o pessoal da minha assessoria vai passar para mim e vai dizer se eu bati, se eu passei, se eu fiquei igual. Mas o mais importante é estar ajudando o Mirassol.
E se parar para pensar, tem muito atacante por aí que não fez tantos gols quanto você…
Caramba, como Deus é maravilhoso, assim, na minha vida, de conceber essas bençãos de fazer gol, de dar assistência. Eu só tenho que agradecer a Deus de me dar saúde, me fortalecer todos os dias. Graças a Deus, com 35 anos, procuro estar sempre me cuidando.
Sempre me policiando sobre a minha alimentação, sobre as minhas recuperações no dia a dia, então. Tenho certeza que isso faz muito bem, para não ter lesões. Para estar sempre bem dentro de campo para desempenhar o melhor futebol e, como falei.

Acha que não tem o reconhecimento devido?
Com certeza, com certeza. Eu falo que se eu mantive esse nível durante esse ano todo de carreira no Campeonato Brasileiro… Desde que eu estreei pelo Sport, eu sabia que não iria mais sair da Série A. Eu ia para cima.
Procurei focar nos meus objetivos de estar sempre jogando em alto nível e jogando na Série A. Eu tenho certeza que nos clubes que eu passei tem muita gente que reconhece isso do meu trabalho, de estar sempre mantendo essa média de jogar em alto nível no Campeonato Brasileiro
E eu espero que, durante essas entrevistas, esse bate-papo com vocês na imprensa, vocês vão se lembrar. Sabendo também do quanto os números são muito grandes… Como você falou, tem muitos atacantes que não têm esses números. Então para um lateral, eu tenho certeza que tem que ser bem valorizado, porque são números bem expressivos, assim, individualmente. E pra um lateral manter esse nível de gol, de assistência, isso tem que ser bem reconhecido.
Por que você acha que não teve esse reconhecimento?
Eu não sei nem explicar isso. Como eu falei, eu procuro mostrar o meu trabalho no clube onde eu estou, jogar em alto nível igual sempre joguei. E sempre é um sonho, é um sonho de ser lembrado para ir para uma seleção brasileira… O meu trabalho sempre foi ajudar o clube que eu estou vestido a camisa. Mas igual eu falo aqui em casa, está sempre em entregue na mão de Deus.
Eu estou apto a fazer o meu futebol, jogar, correr, dar assistência, fazer o voo e estar sempre em alto nível. Eu oro todos os dias para que Deus me abençoe e me dê essa graça de vestir a camisa da seleção brasileira.
Reencontro com o Grêmio na Arena
No primeiro turno, deu muito certo. Graças a Deus consegui marcar dois gols e ser feliz. Como eu falo, contra minhas ex-equipes, eu faço gols, jogo bem, então espero repetir no próximo encontro lá contra o Grêmio, na Arena, onde eu fui muito feliz, sou muito grato ao Grêmio.
Esses dois anos que eu passei lá foram maravilhosos. Tenho certeza que vai ter aquele friozinho na barriga, como sempre tem, mas respeitar como respeito ao Grêmio, a instituição que me recebeu muito bem, então deixei muitos amigos lá, não só jogadores, mas a parte ali de roupeiro, de massagista. Médicos, uns caras que estão no meu coração.
Vai ser minha primeira vez de volta à Arena. Se Deus quiser, fazer uma excelente partida, ajudar o Mirassol a conquistar os seus objetivos. Que seja um jogo de muita paz, e que seja um jogo de reencontro com os amigos. Dar uns abraços, e dar muito risada também com eles. E se Deus quiser, comemorar a vitória.
Ir para a Libertadores com o Mirassol seria um título que falta para o Reinaldo no Brasileirão?
Com certeza. Vai ser mais do que um título. Imagina, o primeiro ano do Mirassol na Série A. Permanecer já era um título. Imagina chegar numa Libertadores. Isso é o sonho de todos nós, é mais do que um título. Tenho certeza que aqui em Mirassol, se a gente conseguir essa tão sonhada vaga para a Libertadores, a cidade e região vão estar em festa. Acho que, antes de ir para a Libertadores, acho que vai ter até rodeio.



