Redução da dívida em 2023 pavimenta caminho para Flamengo ainda mais protagonista
Rubro-negro conseguiu receita bruta de R$ 1,3 bilhão e reduziu sua dívida em quase 80% com relação ao ano passado
A divulgação do balanço oficial do ano passado é só mais um testamento de como o Flamengo está no seu próprio mundo com relação às finanças no futebol brasileiro. O principal de tudo foi a redução expressiva da dívida operacional em quase 80%, deixando-a praticamente nula. É possível perceber que o clube vive um momento especial quando a receita bruta de R$ 1,3 bilhão é ofuscada.
Esse é o terceiro ano consecutivo que o Flamengo supera a marca bilionário no balanço, algo que jamais foi atingido por nenhum clube brasileiro. Se o 2023 foi repleto de fracassos dentro de campo, fora dele o Rubro-Negro voltou a dar show.
Redução da receita atinge outro patamar
Um clube zerado de dívidas no futebol brasileiro é missão quase impossível, mas a gestão de Rodolfo Landim está empenhada em colocar o Flamengo justamente assim. Quando se fala em redução de 79% com relação a 2022, vemos que o débito do clube foi de R$ 227 milhões para incríveis R$ 48 milhões, uma diminuição de R$ 179 milhões. É outro patamar.
A diminuição não é de hoje e vem desde o início da gestão Landim. Em 2019, o primeiro ano de mandato, a dívida era de R$ 466 milhões e chegou a aumentar na temporada seguinte, para R$ 585 milhões, por conta da pandemia da Covid-19. De lá para cá foram três jornadas de redução: 2021 (de R$ 585 para R$ 292 milhões), 2022 (R$ 292 a R$ 227 milhões) e, agora, 2023.
Os R$ 48 milhões em dívidas, inclusive, colocam o Flamengo em grande companhia*. Os únicos clubes próximos ao rubro-negro carioca são Fortaleza, Ceará, Atlético Goianiense, Goiás e Cuiabá, esse último tendo a menor dívida entre equipes das primeiras divisões, com apenas R$ 2 milhões. Alguns gigantes, no entanto, passam perrengue, como o caso de Atlético-MG, Cruzeiro e Corinthians, todos próximos da marca bilionária.
| Corinthians | R$ 1.650,00 bilhão |
| Atlético-MG | R$ 1.571,00 bilhão |
| Cruzeiro | R$ 800 milhões |
| Palmeiras | R$ 558 milhões |
| Internacional | R$ 604 milhões |
| Botafogo | R$ 614 milhões |
| Fluminense | R$ 612 milhões |
| Vasco da Gama | R$ 715 milhões |
| São Paulo | R$ 698 milhões |
| Santos | R$ 539,9 milhões |
| Grêmio | R$ 518,1 milhões |
| Red Bull Bragantino | R$ 301,1 milhões |
| Athletico-PR | R$ 285 milhões |
| Bahia | R$ 284,3 milhões |
| Coritiba | R$ 237,5 milhões |
| América-MG | R$ 122,5 milhões |
| Goiás | R$ 48,2 milhões |
| Ceará | R$ 38 milhões |
| Fortaleza | R$ 33,1 milhões |
| Atlético-GO | R$ 8,2 milhões |
| Cuiabá | R$ 2 milhões |
*Dados retirados da última divulgação financeira das equipes
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O bilhão em receitas
Bom, agora podemos voltar para o desempenho do Flamengo nas receitas. Nesse ponto, nada novo sob o sol, já que o clube conseguiu atingir o bilhão pelo terceiro ano consecutivo. Nesta temporada, contudo, o valor foi maior do que em qualquer outra na história do futebol brasileiro, incluindo o reajuste da inflação para momentos financeiros especiais de outras equipes.
“O valor da receita bruta representa um recorde para o Flamengo e para o futebol brasileiro, mesmo considerando a atualização dos valores históricos pela inflação”, disse trecho do documento.
Além do recorde na receita, o Flamengo também deu destaque aos quase R$ 500 milhões de Ebitda, que funciona como uma medida dos lucros do clube. O cálculo é feito antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No fim, falemos do superávit, que esteve na casa dos R$ 320 milhões, entre os melhores da América do Sul.

O único arranhão
Como nada é 100%, perfeito, livre de erros, o balanço do Flamengo teve apenas um desempenho pior do que em 2022. Foi na receita recorrente e a diferença foi mínima, de R$ 1.091 bilhão para R$ 1.071 bilhão na temporada passada.
A receita recorrente é faturamento contínuo recebido por empresas que trabalham com produtos ou serviços fornecidos e renovados de maneira pré-definida. Ela funciona com o fator da previsibilidade, já que os recebimentos acontecem de forma automática e contínua nesse modelo de negócio.
Flamengo dificilmente perderá o protagonismo
Com dívidas quase nulas e faturamento muito acima de outro clube no futebol brasileiro, é improvável pensar que o Flamengo venha a perder esse protagonismo nos próximos anos. O patamar financeiro, costurado pela gestão Landim, é de deixar muitos de queixo caído e, pelo tamanho (e falta de paciência) da sua torcida, o caminho parece ser único.
Os números também ajudam o próprio Rodolfo Landim a eleger um sucessor. Por ter conseguido permanecer no clube ao longo de dois mandatos, o presidente precisará organizar uma chapa de situação no Flamengo. Nesse momento, o vice-presidente geral e jurídico, Rodrigo Dunshee de Abranches, aparece como opção. O pleito só acontecerá em dezembro.



