Brasil

‘Mais difícil que imaginava’: Por que rede multiclubes brasileira vê obstáculo em expansão europeia

Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia, prevê um clube português e uruguaio na Squadra Sports

A Squadra Sports, primeira rede multiclubes brasileira, ainda não conseguiu sair das fronteiras do país e todos seus cinco clubes são nacionais (Londrina, Linense, VF4-PB, Conquista-BA e Ypiranga-BA). O grupo fundado por Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia (2018-2023), planeja dar o passo que o torne internacional, mas tem encontrado dificuldades além do esperado.

Desde o início de 2025, a empresa busca abrir o mercado e adquirir um clube nas divisões inferiores do futebol português. Bellintani planejava fechar o negócio no meio do ano. O empresário, no entanto, diz que viu o valor desses times mais do que dobrarem em um espaço de 18 meses.

— Esse é um passo difícil, mais difícil do que a gente imaginava. Foi um cronograma que não deu certo do que a gente planejou originalmente porque eu esperava já ter avançado nisso. Desde o surgimento da Squadra até hoje, em um ano e meio, o mercado português mudou absurdamente — iniciou em conversa com a Trivela via videoconferência.

Clubes da segunda liga, que valiam 5, 6 milhões de euros há um ano, hoje está se falando em 12, 13, 15 milhões de euros. Então, há uma mudança de mercado muito rápida em Portugal que a gente não conseguiu acompanhar em termos de capacidade de investimento. Eu não vou fazer nada que a gente não alcance — explicou.

O dono da rede multiclubes continua indo a Lisboa e Porto a cada dois meses para novas conversas. No momento, Bellintani negocia com duas equipes, mas, como essa mesma conversa já tinha acontecido com outras 11, ele prega paciência.

— É um movimento estratégico dentro do nosso projeto. Conversar com dois times não quer dizer nada. A gente vai com paciência, com cuidado. Não fazemos negócio do ponto de vista emocional. Se couber na nossa lógica, se fizer sentido, a gente faz. Se não, prefiro não fazer. Nesse intervalo de um ano e meio, muitos investidores chegaram lá e compraram com o primeiro que conversou. Paciência, faz parte, cada um com a sua estratégia — completou.

Mudança para Portugal pode ser ‘passo maior que a perna’ para Squadra?

Com nem dois anos de existência e tendo cinco clubes regionais, todos de menor orçamento, a Squadra pode parecer ousada demais ao tentar uma internacionalização neste momento e até ser um passo maior que a perna. O empresário tem outra visão, acreditando na “sinergia entre os projetos” que compensaria o risco.

— Estamos com seis jogadores em Portugal [que saíram de times da rede]. Se eu já tivesse o clube português, esses atletas provavelmente estariam nele e não espalhados em outras equipes. Então, ao mesmo tempo que essa compra geraria no curto prazo um trabalho maior, uma necessidade de investimento maior, por outro lado, gera também sinergia que eu creio que compense, de certa forma, esses desafios de curto prazo — analisa.

— A gente está maduro, pronto para ter um clube pequeno/médio em Portugal. O mercado português é um mundo de futebol conectado com a Europa, uma porta de entrada, mas, em termos de volume financeiro, é muito menor do que a realidade do Brasil — disse.

Bellintani acredita que quem está acostumado com os “desafios e instabilidades” do Brasil está calejado para atuar no futebol português.

Torcida de Portugal em jogo da seleção
Torcida de Portugal em jogo da seleção (Foto: Imago)

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Grupo multiclubes planeja expansão para Uruguai e outro europeu

O planejamento da Squadra trata esse ciclo inicial, do começo dos trabalhos no ano passado até 2029, como a primeira parte da caminhada da empresa. Nesse período, além dos cinco times que já tem, a rede multiclubes não prevê investir em mais aquisições no Brasil no momento, apenas construir parcerias.

Após uma equipe em Portugal, a ideia da companhia é expandir para o futebol uruguaio e, após 2029, buscar outra instituição na Europa em mercados em estejam abertos a estrangeiros.

— Depois de Portugal, Uruguai está dentro da nossa linha até 2029. Na segunda etapa do projeto, a partir de 2030, o próximo clube pode ser da Inglaterra, da Bélgica, que é um país muito interessante e um país vendedor para a Premier League. Talvez em nações mais ao leste, a Eslováquia é muito aberta para brasileiro, Áustria e Suíça estão no processo de mudança de modelo regulatório para permitir mais jogadores estrangeiros dentro da liga — explica.

— Basicamente, a etapa seguinte vai combinar países que sejam abertos a jogadores brasileiros em termos de vagas nas competições e nos elencos, combinando com o preço dos clubes e capacidade de venda dos atletas– reiterou.

A holding, que recentemente vendeu 15% de sua participação para dois investidores externos por cerca de R$ 31,5 milhões, se inspira no Grupo City, mas sem ter os petrodólares de Abu Dhabi, acionista principal do Manchester City. Só o futuro responderá até onde a Squadra pode chegar no futebol brasileiro e internacional.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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