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Quando Dadá Maravilha, em meio à festa do tri, virou herói da Jules Rimet

Há exatos 47 anos, o Brasil conquistava a Taça Jules Rimet em definitivo. A histórica goleada por 4 a 1 sobre a Itália, que garantiu o tricampeonato mundial, costuma ser contada e recontada desde então. Você certamente já ouviu dezenas de detalhes daquela partida, especialmente sobre os craques da Seleção. Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Tostão, Rivellino e Pelé: todos têm a sua parcela de brilhantismo na tarde lendária do Estádio Azteca. O que pouca gente conta é que Dadá Maravilha também foi herói naquela ocasião. Não da mesma maneira que os titulares de Zagallo. Mas se o tesouro chegou completo ao Brasil, o folclórico artilheiro deu a sua contribuição. Protagonizou uma anedota em meio aos festejos no México.

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O momento em que Dario salvou a Jules Rimet aconteceu pouco depois de Carlos Alberto se eternizar erguendo o troféu. O Capita já começava a dar a volta olímpica, quando um pedaço dourado ficou pelo caminho. Quase ninguém percebeu, mas a boca da taça tinha uma proteção. Peça solta, que caiu no gramado e logo foi avistada por um menino mexicano por ali, no meio de centenas de pessoas. O garoto se atirou no chão e segurou o objeto, tentando levar um pedacinho prêmio para casa. Foi então que o irreverente Rei Dadá, que tinha visto algo cair, realmente percebeu o valor daquilo.

“Diante disso, Dario perseguiu o garoto e pediu de volta o pedaço da taça, que é uma espécie de tampa, toda de ouro, forrando a cavidade superior da Jules Rimet. […] Dario disse que o garotinho não reagiu quando ele pediu o pedaço, mas ficou com cara de choro, pedindo que lhe desse como ‘regalo'”, conta o Jornal do Brasil, publicado no dia seguinte à conquista. “De volta ao vestiário, em meio aos festejos da comemoração do título, Dario pediu silêncio e, quando esperavam que fosse fazer um discurso, argumentou que tinha achado um pedaço da taça. E todos riram quando Gérson, que sempre mexe muito com Dario, disse: ‘Ô seu ignorante, este pedaço aí que você tem na mão vale uns Cr$ 180 mil'”.

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Curiosamente, a nota também fala sobre os planos da CBD em relação à Jules Rimet. Presidente da Comissão Técnica, Antônio do Passo sugeria que o troféu passasse por todas as entidades filiadas, até que ficasse exposto em uma sala construída especialmente, com fotos das delegações dos primeiros três títulos mundiais. Mal sabia ele o triste destino reservado à taça. Treze anos depois, nem mesmo Dadá Maravilha seria capaz de salvá-la.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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