‘Depois de Messi, o melhor jogador que vi em treinos foi Philippe Coutinho’
Ex-companheiro relembra impacto do brasileiro nos treinos da Inter e explica por que Coutinho já parecia especial aos 19 anos
A passagem de Mauro Zárate pela Internazionale foi breve (entre 2011 e 2012), mas o suficiente para que o argentino testemunhasse de perto o potencial de Philippe Coutinho. Aos 19 anos na época, o brasileiro ainda buscava espaço em um elenco marcado por disputas internas e forte concorrência no setor ofensivo.
Mesmo assim, chamava atenção nos bastidores, onde sua condução curta, o controle orientado e a rapidez nas tomadas de decisão destoavam da média. Zárate recorda que a rotina de treinamentos revelava um jogador de talento incomum. E embora a falta de oportunidades tenha impedido uma afirmação imediata na Inter, o ex-atacante afirma que os treinos deixavam claro o potencial que o cria do Vasco desenvolveria anos depois em clubes como Liverpool e Barcelona.
É com essa memória que ele resume sua impressão sobre Coutinho. Em entrevista à “ESPN Argentina”, Zárate foi direto ao recordar o impacto que o meio-campista, hoje no Vasco, causava nos treinos.
— Depois de Lionel Messi, o melhor jogador que vi em treinamento foi Philippe Coutinho.
— Ele jogava futsal e nós jogávamos na grama. Era uma coisa incrível! Como tocava na bola, com a facilidade que fazia. Ele era muito jovem naquele momento, não recebeu as oportunidades… Mas depois demonstrou ser um grande jogador — concluiu.
Não foi na Inter, mas Coutinho explodiu no futebol europeu

Revelado pelo Vasco e contratado muito cedo pela Internazionale, Coutinho precisou deixar Milão para mostrar ao continente tudo o que Zárate vira nos treinos. O ponto de virada veio no Espanyol, em 2012, quando recebeu sequência, liberdade e confiança. Ali, exibiu o jogo entrelinhas, a finalização de média distância e a agilidade que haviam impressionado ainda na base cruzmaltina, despertando o interesse de clubes maiores.
O salto definitivo ocorreu no Liverpool. Contratado em janeiro de 2013, Coutinho não demorou a se tornar peça central do time de Brendan Rodgers, deixando de ser promessa para assumir papel de protagonista.
Em Anfield, o meia consolidou a capacidade de decidir jogos, ampliou o repertório de chutes de fora da área e virou referência técnica de uma equipe em reconstrução. Foram cinco temporadas de evolução contínua, nas quais se firmou como um dos jogadores mais influentes da Premier League.
O desempenho com a camisa dos Reds abriu caminho para sua transferência ao Barcelona em 2018. No Camp Nou, Coutinho chegou como contratação estratégica para recompor o setor criativo, herdando parte das funções exercidas por Andrés Iniesta.
Apesar de altos e baixos, viveu momentos de destaque no time catalão, especialmente em sua primeira temporada. Ainda assim, a adaptação irregular impediu que replicasse a regularidade mostrada na Inglaterra.
Depois do período no Barça, Coutinho teve empréstimos que reabriram espaço para brilhar, como no Bayern de Munique, onde participou da campanha da tríplice coroa em 2019/20 — incluindo dois gols contra o próprio Barcelona nas quartas de final da Champions (goleada bávara por 8 a 2).
Mais tarde, no Aston Villa, reencontrou confiança sob o comando de Steven Gerrard, ex-companheiro de Liverpool. Embora oscilações e lesões tenham marcado a fase recente da carreira, sua trajetória na Europa confirma o que Zárate viu lá atrás: um talento especial capaz de produzir alto impacto quando encontra o ambiente certo.
Coutinho pelo Vasco desde que retornou em 2024:
- 67 jogos
- 14 gols
- 6 assistências



