Nem Rayan, nem Neymar: Por que Paquetá merece uma das últimas vagas da Seleção
Meia do Flamengo tem entregado alto nível e exerce diferentes funções, fator importante em uma Copa do Mundo
Há uma grande expectativa para o anúncio dos 26 convocados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 nesta segunda-feira (18). Porém, as surpresas devem ser raras, afinal, a seleção brasileira tem uma base consolidada desde a chegada do técnico italiano, e a última Data Fifa, em março, deu mais certezas.
Com isso, se não houver novas lesões, praticamente não há margem para novidades no gol, zaga ou laterais. O meio-campo, após grande atuação de Danilo, do Botafogo, contra a Croácia no último amistoso antes da convocação, parece ter ganhado seu quarto integrante ao lado de Casemiro, Fabinho, Bruno Guimarães.
Com isso, Lucas Paquetá, até o começo do ano quase uma certeza, virou uma dúvida porque, pelo mau momento no retorno ao Flamengo, ficou fora da última convocação. O meia, no entanto, pode ganhar uma vaga a partir de uma das posições do ataque.
⭐️ Em apenas uma convocação, Danilo Santos mostra o suficiente para ter espaço na Copa do Mundo
— Trivela (@trivela) April 1, 2026
Meia do Botafogo se destaca na vitória contra a Croácia, dando opção que faltava com Ancelottihttps://t.co/svokwpaE49
Em grande fase, Paquetá se beneficia de dúvidas na seleção brasileira
Ancelotti prevê nove vagas reservadas para o ataque. Gabriel Martinelli e Vinicius Júnior serão os pontas esquerda; Matheus Cunha, João Pedro e Igor Thiago — ou Igor Jesus — as posições mais centrais do ataque; e Raphinha e Luiz Henrique, para a ponta direita.
Com isso, sobrariam dois espaços, pois Rodrygo está confirmado fora da Copa por uma lesão no joelho e Estêvão, com um problema na coxa, é praticamente certo que será desfalque.
Endrick, por ter sido o responsável pela vitória contra a Croácia, com pênalti sofrido e assistência quando o placar estava 1 a 1, ganhou moral e pressão por sua presença, ainda reiterada pela boa passagem no Lyon desde janeiro. Ele deve ficar como o oitavo nome do ataque, capaz de exercer as funções de um ponta direita, como tem jogado na França, ou como um atacante central de mobilidade.
A última vaga, então, estaria aberta. Aí que entra Paquetá. O meia do Flamengo, mesmo que tenha sofrido com um edema na coxa que o tirou de sete partidas entre 18 de abril e 14 de maio, vinha mostrando um nível impressionante.
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O técnico do Rubro-Negro, Leonardo Jardim, precisou do camisa 20 para atuar como um segundo volante a partir de lesões no setor no começo de abril, em especial nos jogos contra Fluminense, Independiente Medellín e Bahia, e o atleta entregou demais na função.
Quando o Fla tem a bola a partir do grande círculo, Paquetá, normalmente, é o homem que fica à frente do trio que faz a saída de bola (dois zagueiros e Evertton Araújo). Nessa função, deu lançamentos, pois tinha mais espaço por estar recuado, desafogou pressão da marcação com toques de primeira, encontrou passes nas costas da defesa adversária e realmente ditou o ritmo por onde a equipe atacaria.
O meia, no entanto, não se limitou a essa faixa do campo próximo da intermediária do campo. Ao mesmo tempo que apareceu entre os zagueiros para fazer a saída de bola — e, assim, ter menos pressão para um lançamento ou passe mais ousado –, surgia na área para finalizar. Inclusive, fez um belo gol dessa região que abriu a goleada sobre o Medellín. Frente ao Tricolor Baiano, marcou após escanteio.
O jogo sem bola de Paquetá também chamou atenção, sempre muito dedicado para pressionar no campo de ataque e tentar a recuperação da bola.
Paquetá pelo Flamengo no Brasileirão
- 10 jogos (8 como titular)
- 3 gols (2º no elenco rubro-negro)
- 9 passes decisivos (5º)
- 9 dribles certos (5º)
- 48 duelos no chão ganhos (2º)
- 15 desarmes (3º)
Fonte: “SofaScore”
Mais um jogo, mais um gol de Paquetá e mais uma PARTIDAÇA do #GarotoDoNinho!!#lancedojogo pic.twitter.com/5YMssEQQUh
— Flamengo (@Flamengo) April 20, 2026
Como camisa 8, o jogador vindo do West Ham no início deste ano viveu a melhor fase no Flamengo, mas ele já tinha somado boas atuações como meia pela esquerda, pela direita e camisa 10 após um início devagar.
A versatilidade é essencial para a seleção brasileira, pois ele pode ser um reserva de Bruno Guimarães, de Matheus Cunha ou até de um dos pontas, a depender da compensação de um dos laterais subindo para ocupar o corredor.
Ancelotti já se mostrou um grande fã do futebol do atleta de 28 anos. “Pela qualidade que tem, Paquetá tem que estar aqui conosco“, disse, em setembro do ano passado, após vitória sobre o Chile pelas Eliminatórias.
— Pode jogar de diferentes maneiras, hoje jogou como meia-atacante, não tem problema jogar também como segundo volante, tem muita qualidade no manejo da bola — completou.
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Situação de concorrentes de meia do Flamengo torna tarefa mais fácil para Ancelotti
Se o técnico italiano considerar essa última posição aberta no ataque para Paquetá, os concorrentes dele seriam Andrey Santos, Neymar ou Rayan. O camisa 10 do Santos, finalmente, tem conseguido jogar mais do que o conturbado 2025. Desde abril, atuou 90 minutos sete vezes. No período, marcou três gols e distribui duas assistências.
Ney, porém, precisou ser poupado em três oportunidades, além de ter ficado suspenso em um jogo. É uma prova que ainda não tem as condições reais para engatar uma sequência competitiva. Inclusive, o maior teste antes da convocação seria o clássico contra o Palmeiras, mas optou por não participar por conta do gramado sintético do Allianz Parque.
Em campo, há alguns momentos de brilho. Um passe improvável que deixa um colega de time na cara do gol ou alguma finalização impecável que relembra o craque que ele foi no Barcelona, no PSG e na primeira passagem no Santos. Ainda são raros esses lances. Neymar entrega pouco em intensidade e, tecnicamente, pouco do que se espera dele. Mesmo assim, informações da imprensa apontam que, provavelmente, ele será convocado de última hora.
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Rayan, por outro lado, tem estado em forma física impecável.
Ele finalmente desabrochou seu talento sob o comando de Fernando Diniz no Vasco no ano passado, quando marcou 20 gols. O bom desempenho o levou ao Bournemouth, onde suas características de força física, explosão e boa finalização lhe deram uma adaptação quase imediata: foi titular em 11 jogos, marcou cinco gols e distribuiu duas assistências.
O jovem de 19 anos chegou à seleção brasileira na última Data Fifa pela primeira vez após o brilho na Inglaterra. Ancelotti, no entanto, deu apenas 14 minutos para o atacante e, quando falou dele em entrevistas, o citou como uma peça para o futuro. É um indicativo de que a ideia para Rayan é ser uma peça importante no ciclo para a Copa de 2030.
A visão de futuro é parecida com o cenário de Andrey Santos, de 22 anos, reserva no Chelsea nos últimos meses, com participação fraca na Data Fifa de março e desempenho abaixo quando esteve em campo. O jovem parecia garantido para a Copa, mas os fatos recentes mudaram isso e ele pode perder a vaga, deixando seu sonho para o próximo Mundial.
Inclusive, faltam apenas detalhes para o técnico italiano renovar por mais quatro anos para comandar a Seleção também na Copa seguinte. Ainda terá que disputar o primeiro, entre junho e julho deste ano. O primeiro passo será a convocação, seguida por amistosos contra Panamá e Egito antes da estreia contra o Marrocos, no dia 13 do próximo mês.