Copa América força Palmeiras a testes e a revisitar ideias descartadas no passado
Abel Ferreira tem bastante lição de casa para encontrar um novo time para cerca de nove rodadas de Campeonato Brasileiro
Como Marcelo Bielsa optou por não convocar Piquerez para a seleção do Uruguai, o estrago no Palmeiras, durante a Copa América, será menor do que o que chegou a ser imaginado.
Não que Gustavo Gómez (Paraguai), Richard Ríos (Colômbia) e Endrick não façam muita falta. Mas para quem poderia ter ficado também sem Mayke, Murilo, Zé Rafael e Raphael Veiga — todos na lista de suplentes do Brasil –, além de Piquerez, até que o dano não foi dos maiores.
De qualquer forma, a ausência do trio mexe bastante com a forma de o Palmeiras jogar, forçando Abel Ferreira a achar soluções no elenco. Até mesmo revisitando ideias usadas no passado.
Piquerez zagueiro e laterais esquerdos na expectativa
No jogo-treino disputado só por jogadores do elenco no sábado (8), uma das equipes teve Piquerez e Vanderlan juntos. Enquanto o cria jogou de lateral, Piquerez formou a zaga ao lado de Naves.
A ideia não é nova. Piquerez foi zagueiro pela esquerda na final da Copa Libertadores de 2021, contra o Flamengo, mas numa linha de cinco defensores — Scarpa foi o lateral.
Formando dupla de zaga, o camisa 22 ainda não atuou desde o começo de uma partida — apenas em momentos circunstanciais esporádicos. Marcos Rocha, que também é usado habitualmente em linhas de cinco, é outro que pode aparecer formando dupla com Murilo.
Se Piquerez for para a zaga, Caio Paulista e Vanderlan podem também ganhar minutos.

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Espaço para revelados na base
Tudo isso porque, além da ausência de Gómez, Luan está de partida para o futebol mexicano. Naves, que tem 26 jogos pelo Palmeiras, nunca falhou quando entrou, mas ainda não tem total confiança de Abel.
Quem também deve ganhar espaço é Vitor Reis, que voltou de um período de treinos com a seleção sub-20. Bem como Michel. Promovido aos profissionais, o jogador vinha lidando desde janeiro com uma lesão muscular na coxa esquerda, mas está 100% e até disputou o jogo-treino.
A volta da dupla de 2023 ou, enfim, a dupla dos sonhos
A ausência de Ríos pode levar a dois caminhos. Um que o palmeirense conhece bem e, bem ou mal, deu certo em 2023. O outro era a dupla dos sonhos inicial no Palmeiras, quando Aníbal foi contratado.
Gabriel Menino e Zé Rafael podem voltar a jogar juntos. Zé virou 5 para Menino jogar um pouco mais solto, auxiliando na armação. Embora não tenha enchido os olhos, a formação deu frutos até a lesão de Menino, que acabou fazendo de Ríos titular.
Quando Aníbal Moreno foi contratado, a ideia inicial de todo palmeirense era Zé voltar à função de segundo volante, já que Aníbal é um camisa 5 clássico. Mas um ano de início complicado para Zé, que sofreu com uma lombalgia e problemas para se readaptar como segundo volante, frustraram tal plano.
Sem poder contar com Ríos por nove jogos, Abel vai ter de optar por uma das ideias. Sem contar ainda a hipótese de se usar Aníbal com Menino ou dar mais tempo a Fabinho, que aguarda sua chance há duas, quase três temporadas.
Muitas opções, nenhuma certeza
Com Endrick, o Palmeiras tinha dois jeitos de jogar mais recorrentes. No ano passado e em parte deste, com sucesso, o ataque do Palmeiras tinha Endrick caindo pela meia-direita, chegando ao ataque para tabelas e conclusões.
Nesse estilo, o time podia ter um centroavante mais posicionado ou Rony, um atacante de profundidade, para aproveitar bolas nas costas da última linha, além de um ponta pela esquerda.
O outro jeito era com Endrick de centroavante, com um ponta aberto de cada lado e Ríos e Veiga chegando pelas meias. Mas, como já era sabido desde 2022,o Palmeiras não terá mais Endrick. E assim, tem que pensar uma nova maneira de atacar.

A boa notícia é que Dudu está de volta. Com Estêvão bem na ponta direita, Dudu pode fazer a esquerda e deixar caminho para Flaco ou Rony jogarem como centroavantes.
Com Dudu na esquerda, quem perderia espaço seria Lázaro. Mas Abel pode testá-lo também como um falso 9, aproveitando-se de sua crescente boa fase.
E, de repente, repetir, ainda que com outros jogadores, o que deu certo no ano passado: Estêvão faz o papel que Endrick teve, Dudu faz as vezes de Breno Lopes. Nesse esquema, daria até para Rômulo entrar como um meia e auxiliar Raphael Veiga na criação.



