Brasil

Palmeiras chega a 32 promovidos na Era Abel sem formar titulares em quatro posições

Por particularidades diferentes, Palmeiras precisa de jogadores para três das funções jamais ocupadas por atletas vindo da base

De contrato renovado até 2029, o ponta Riquelme Fillipi foi o jogador de número 44 formado no clube a jogar pela equipe profissional desde a chegada de Abel Ferreira. Destes, 32 foram lançados pelo treinador português.

Riquelme estreou na vitória sobre o Grêmio (1 a 0) do último sábado (26). Seu novo contrato tem uma multa de 100 milhões de euros — cerca de R$ 600 milhões. O valor dificilmente será atingido, em caso de uma negociação. Mas serve como um sinal aos clubes interessados de que o Palmeiras o coloca como um atleta muito valorizado.

Corriqueiramente citada como o melhor do Brasil, a base do Palmeiras formou, para Abel, peças que se tornaram importantes pilares do time principal desde novembro de 2020.

Vitor Reis e Renan tiveram períodos como titulares da equipe na zaga. Danilo, Patrick de Paula e Gabriel Menino também viveram épocas como principais escolhas para suas posições. No ataque, Veron, Artur, Wesley, Endrick e Estêvão experimentaram momentos de titularidade em maior ou menor conta.

Mas quatro posições nunca foram ocupadas primariamente por crias da Academia: o gol, as duas laterais e a função de “10”, responsável pela criação no meio-campo.

Talvez não por coincidência, o Palmeiras precisa de jogadores para três das funções jamais ocupadas por atletas vindo da base, por particularidades diferentes.

Homens de confiança de Abel atrapalharam?

Na lateral-direita, Garcia passou muito tempo como opção no banco. Mas nunca foi um jogador em quem Abel tenha depositado muita confiança. E justamente porque confiança sempre foi item de sobra pelo setor.

Marcos Rocha e Mayke, dois dos jogadores mais benquistos por Abel, se revezaram na função de 2 desde a chegada do técnico. Garcia nunca achou uma brecha para conquistar o técnico.

A contratação de Giay no ano passado terminou de fechar a porta para o cria. Ali ficou claro que Garcia não teria espaço. Hoje, ele está no Famalicão.

Ainda no sub-20, quem pode passar por algo semelhante é Gilberto. Com a ida de Mayke para o Santos, o Palmeiras se acertou com Khellven, sem cogitar a subida do lateral da base.

Mesmo que Rocha não fique para 2026, se subir, Gilberto vai começar sua passagem no profissional como sombra do novato e de Giay.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Lateral esquerda Top, Top, Top

Piquerez, que perdeu pênalti contra o Flamengo
Piquerez, jogador do Palmeiras (Foto: Guilherme Veiga/UAI Foto/Gazeta Press)

UAI Foto/UAI Foto

Logo na sua primeira entrevista coletiva após chegar, Abel Ferreira se derreteu pelo então titular Matias Viña:

— Ele é top, top, top — disse o técnico, criando uma frase que se tornaria clássica para os palmeirenses.

Mas Viña deixou o clube em 2021. E, para o seu lugar, o Palmeiras trouxe o também uruguaio Piquerez. No começo, Piquerez gerou desconfiança. Mas, logo ele se tornaria tão “top” como seu antecessor.

Com essa concorrência, Vanderlan, que sempre se destacou no sub-20, não encontrou brecha. Sem minutagem, não se desenvolveu na medida que parecia que conseguiria. A ponto de perder espaço para Caio Paulista no ano passado, quando Piquerez se machucou.

Academia de Goleiros em hiato

Entre suas tradições mais queridas, o Palmeiras sempre se orgulhou da sua Academia de Goleiros. Oberdan, Valdir, Leão, Velloso, Sérgio e Marcos terminaram suas formações e começaram a jogar profissionalmente no clube alviverde.

Mas faz tempo que o Palmeiras não tem um goleiro feito em casa defendendo sua meta. Em 2013, Prass chegou. A partir de 2016, ele passou a ter Jailson como sombra. E, desde 2018, Weverton é quem domina a posição.

Vinicius Silvestre, hoje no Fortaleza, não achou brecha nem para ser primeiro reserva. Mesmo caso de Daniel Fuzato, hoje no Vasco, que deixou o clube em 2018 para atuar na Roma.

Atualmente, Aranha, formado na base, é o terceiro do setor. Mas o Palmeiras busca um goleiro no mercado para iniciar a sucessão de Weverton no próximo ano.

Palmeiras não forma camisa 10 na base?

Exceto por alguns minutos ou em jogos em que apenas jogadores do sub-20 foram utilizados, nunca houve um atleta formado no clube atuando na função de camisa 10 sob comando português.

Houve promoção de jogadores que atuavam como 10 no sub-17 e no sub-20. Mas, ao chegarem no profissional, tais jogadores acabaram indo para a ponta.

Jhon Jhon, vendido ao Red Bull Bragantino, Luis Guilherme (West Ham) e Estêvão (Chelsea) foram camisas 10 nas categorias de baixo. Mas, no profissional, não conseguiram espaço assim.

O caso de Allan, um dos atuais xodós de Abel, é parecido. De meia-armador no Sub-20, ele se tornou ponta e até mesmo segundo volante nas mãos de Abel Ferreira.

Parte dessa falta de espaço foi por conta de Raphael Veiga. O jogador mais decisivo da Era Abel só foi perder a titularidade após o vice do Paulistão neste ano. No restante do tempo, foi o homem de confiança de Abel.

Assim, para poder usar os jovens, o português os colocava em funções em que eles também sabiam jogar, mas que não eram suas especialidades primordiais.

Hoje, Maurício, contratado do Internacional, é quem atua por ali.

Os 44 da base que jogaram com Abel Ferreira

  • Goleiro: Vinicius Silvestre
  • Laterais-direitos: Garcia, Lucas Sena
  • Lateraisesquerdos: Ian, Lucas Esteves, Vanderlan e Victor Luis
  • Zagueiros: Benedetti, Henri, Lucas Freitas, Michel, Naves, Renan e Vitor Reis
  • Meiocampistas: Allan, Danilo, Fabinho, Figueiredo, Gabriel Menino, Jhon Jhon, Luis Guilherme, Patrick de Paula, Pedro Bicalho, Pedro Lima e Yago Santos
  • Atacantes: Aníbal, Artur, Endrick, Estêvão, Fabrício, Gabriel Silva, Gabriel Veron, Giovani, Kauan Santos, Kevin, Luighi, Marcelinho, Newton, Pedro Acácio, Rafael Elias, Riquelme Fillipi, Thalys, Vitinho e Wesley

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo