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Palmeiras terá de mudar esquema que virou ideal; entenda opções e consequências

Meio-campo do Palmeiras vai ter que mudar nos próximos compromissos

Além da derrota, da polêmica com a declaração de Rogério Ceni, do fim da invencibilidade de 11 jogos e do fim da posse do melhor aproveitamento do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras perdeu, em Salvador, uma evolução conquistada após nove meses de inconstância.

Piquerez e Lucas Evangelista, substituídos ainda no primeiro tempo do 0 a 1 diante do Bahia, passaram por exames. E, enquanto a situação do uruguaio não preocupa, o volante vai passar por cirurgia nos próximos dias, para corrigir um desacoplamento do tendão posterior da coxa direita. E a tendência é que ele não jogue mais nesta temporada.

Lucas deixou o campo aos 17 minutos de jogo, com dores no posterior da coxa direita. Na transmissão foi possível entender que o jogador dizia ao banco de reservas que sua perna estava “dura”, “travada”.

Não por coincidência, foi após a saída de Lucas que o Palmeiras também travou na Fonte Nova. Abel optou pela entrada de Aníbal Moreno como 8. E o jogo pensado do Palmeiras morreu ali.

Desfalque certo, Lucas não tem, entre os reservas, um substituto capaz de manter a dinâmica no setor. Mas esse jogador existe no time. O problema é que se trata do titular na meia ofensiva: Andreas Pereira.

O ponto é que foi com Lucas na volância e Andreas mais avançado que o Palmeiras encontrou equilíbrio tático. E recuar Andreas significará também alterar a dinâmica ofensiva, que tão bem vinha funcionando.

Alguma escolha, no entanto, terá de ser feita.

As opções do Palmeiras sem Evangelista

Dupla de volantes Martínez-Anibal

Ambos mais destruidores do que criadores, os gringos não formam uma dupla criativa, capaz de chegar à frente para apoiar, como Lucas fazia. A formação, porém, mantém tanto a solidez defensiva quanto Andreas na posição em que vem atuando.

Dupla de volantes Martínez/ Moreno-Allan

Na Copa do Mundo, seu melhor momento, Allan jogou como meia/ponta. Mas foi como 8 que ele começou a ser testado por Abel Ferreira. O cria da Academia traz fluência ofensiva, mas diminui o poder de marcação.

Dupla de volantes Moreno-Andreas

É a solução mais óbvia do ponto de vista da posição. Andreas é o único 8 de ofício do elenco além de Evangelista. Contudo, desde sua chegada, o ex-Fulham vem atuando e treinando mais à frente, com um meia direita, arrumando os problemas que ali existiam.

Recuar Andreas breca essa evolução e abre o leque para algumas possibilidades

Facundo Torres pode jogar dos dois lados

Segundo jogador mais escalado no ano, Facundo pode entrar no setor de Andreas. Inclusive, foi ele quem deixou o time para que o recém-chegado entrasse na equipe. O Palmeiras ganha velocidade e perde um poco de sua qualidade técnica.

Abel pode ainda deslocar Felipe Anderson para a direita, setor que ele conhece bem, e colocar Facundo na esquerda.

Raphael Veiga ou Maurício concorrem por lugar

Os dois meias, titulares em alguns momentos do ano, concorrem por um lugar, caso Andreas seja recuado.

Os dois jogadores são menos “ritmistas” que Andreas. São atletas que mais atacam do que criam e fazem os colegas jogar — embora saibam tabelar e enfiar bolas.

Com Veiga, o Palmeiras perde um pouco de aceleração. Com Maurício, um pouco de cadência e da capacidade de fazer inversões e progressão de jogo associado.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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