Brasil

Luan x Marcos Rocha: o que o Palmeiras perde e ganha com o lateral-direito como zagueiro

Abel Ferreira tem apego a Marcos Rocha, que está na frente de Luan por lugar na zaga, mas há consequências

Muito se fala de Endrick, mas Luan também foi fundamental na virada heroica do Palmeiras em 2023. A mudança do 4-3-3 para o 3-5-2 deu muito certo também por causa da entrada do beque, um dos melhores passadores do elenco.

Mas Luan se machucou na rodada 34 do Campeonato Brasileiro do ano passado, na vitória por 3 a 0 sobre o Internacional, em Barueri. E abriu brecha para Marcos Rocha, um dos jogadores mais benquistos por Abel Ferreira, entrar improvisado como zagueiro e não perder mais a pecha de titular.

Tanto que 2024 começou, Luan está completamente recuperado, e Marcos Rocha foi o titular na estreia alviverde no ano, contra o Novorizontino, no último domingo (1 a 1) 

Hoje, Rocha é zagueiro tanto quanto lateral, nos planos da comissão técnica, mesmo se o time atuar num 4-3-3, com apenas dois zagueiros de área.

O Palmeiras muda bastante seu modo de jogar quando tem Rocha em campo como zagueiro. Sua entrada mexe com o posicionamento e funções de vários atletas. E afeta inclusive o ataque, em relação ao comportamento da equipe quando Luan joga.

As duas escolhas trazem prós e contras, que a Trivela lista abaixo.

Posição da zaga

No final de 2021, Abel mudou o lado de Gómez, que atuava pela esquerda com Felipão.

Pela direita, ele cresceu muito de produção. Quando faz dupla com Murilo, ou mesmo com Luan, o posicionamento dele segue pela direita. Mas, quando Rocha joga, Gómez vai para a frente da área, centralizado.

Nessa função, Gómez cai de rendimento. O capitão não é tão bom com a bola nos pés, construindo jogo. Tampouco sabe fazer bem a função de volante, que Luan faz bem, permitindo mais liberdade para Zé Rafael e Ríos na fase ofensiva.

O Palmeiras perde em criatividade e bolas enfiadas quando Rocha é zagueiro.

Apoio pela direita cresce

Nem poderia ser diferente. Um lateral famoso pelo apoio, Rocha faz o Palmeiras encorpar ofensivamente quando entra jogando como beque.

Rocha sobe muito e se alterna com Mayke, que muitas vezes recua para o camisa 2 passar como um ala, mesmo escalado na zaga. O Palmeiras também mantém sua perigosa jogada com cobrança de lateral quando ele está em campo.

Nesse quesito, o Palmeiras melhora com Rocha, já que Gómez, o “zagueiro-direito” quando Luan joga, não tem um apoio de tanta qualidade como o do camisa 2.

Veiga fica sobrecarregado

Um dos maiores problemas do Palmeiras após a lesão de Dudu no ano passado foi a queda de volume na armação de jogadas. Todos os pontas que entraram não tinham a articulação como cacoete, como era o caso do Baixola.

O 3-5-2 com Luan permitiu que Zé e Ríos jogassem mais soltos e próximos da área adversária, desafogando um pouco o trabalho de Raphael Veiga.

Diante do Novorizontino, voltou-se a ver um Veiga menos participativo com a bola no pé, sempre bem marcado e vindo buscar a bola para trás do meio-campo. Reflexo da diminuição do auxílio ao seu trabalho.

Bola aérea perde um pouco de impacto

Luan também é um melhor cabeceador do que Rocha, por razões óbvias: é muito mais alto e habituado a participar das jogadas aéreas.

Com o camisa 13 em campo, Raphael Veiga ganha um alvo a mais na hora de bater os escanteios. E os adversários, um jogador a mais para marcar.

Na defesa, o Palmeiras também perde uma cabeça alta a mais na área, para afastar os cruzamentos adversários.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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