Ano do Palmeiras ainda pode acabar muito bem, mas já dá para listar os erros a serem evitados em 2024
Mesmo com o Palmeiras na rota da conquista do Campeonato Brasileiro, já é possível apontar alguns erros cometidos pelo clube na temporada
Mais uma vez, o Palmeiras chega à reta final de uma temporada disputando um título de primeira linha. Impensável até o início deste mês, o favoritismo do Alviverde no Campeonato Brasileiro é real. O empate heroico contra o Fortaleza no domingo só reforçou isso.
Mas ao contrário de 2022, quando o time chegou sobrando às últimas rodadas, se vier, a conquista deste ano virá no laço.
A dificuldade é fruto de um cenário de muito equilíbrio, aliado a uma tardia derrocada botafoguense no último quarto do torneio. Mas, no caso do Palmeiras, também e fruto de questões internas.
Porque ainda faltam três jogos para o fim do Nacional, mas já é possível entender onde estiveram alguns dos erros que tornaram a caminhada do Palmeiras mais complicada do que o desejável:
Reforçar (logo) a equipe que está ganhando

O Palmeiras foi muito bem na contratação de Aníbal Moreno. O problema foi tê-la feito com um ano de atraso, em se tratando da reposição de Danilo.
Zé Rafael, demonstrando mais uma vez sua qualidade, deu conta do recado como “5”. Mas por melhores que tenham sido Gabriel Menino e Ríos, nenhum deles soube ser um “8” tão bom quanto Zé.
No fim das contas, o Palmeiras entrou 2023 só com Artur na reposição. Ríos era uma aposta que está se mostrando um acerto, mas não deixa de ter sido uma aposta.
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Elenco curto só é bonito na Europa
Abel Ferreira gosta de trabalhar com um elenco curto, a fim de aumentar a competitividade e evitar descontentamento por parte daqueles que terão menos chances.
No papel, a filosofia inspirada no Manchester City de Pep Guardiola é fantástica. Mas funciona melhor num país pequeno de um continente também diminuto que, exceto pela Rússia, cabe inteiro no território do Brasil. E cujos times não fazem nem 65 jogos em um ano.
Ter 24 jogadores de linha mais três goleiros é pouco para um clube que joga cerca de 80 vezes em cada temporada e que viaja 22 mil quilômetros dentro do país ao longo de 38 rodadas de Brasileirão – sem contar Copa do Brasil e outras competições.
Exemplo da comparação, o Manchester City viaja cerca de 4.300 km por edição de Premier League.
Se o time vai ter atletas da base, é preciso escalar

Se a opção do Palmeiras é por elencos enxutos, é preciso trabalhar com as poucas peças que se têm. Mesmo que sejam jovens Crias da Academia.
Como a comissão técnica do Palmeiras hoje não permite que os treinos sejam assistidos pela imprensa, tudo que acontece dos portões da Academia de Futebol para dentro é muito obscuro.
Mas a percepção é de que faltou confiança de Abel em alguns especialistas de posição em detrimento de improvisações. A mais notória é o famoso uso de Mayke na ponta direita depois de Dudu, o ponta esquerda, se lesionar.
Kevin, que estava no banco, entrou na fogueira contra o Boca Juniors, na semifinal da Libertadores, e foi bem. O que indica que ele talvez pudesse ter sido o substituto de Dudu, se Abel tivesse treinado essa hipótese, em vez de usar Mayke e Artur invertido por oito jogos.
Jogar no Allianz Parque faz muita diferença
A julgar pelo esforço para que o time encarasse América-MG e Fluminense em seu estádio, essa o clube já parece ter mais do que decorada.
O Palmeiras só perdeu duas vezes no Allianz no Brasileiro, onde sabe se aproveitar muito bem da atmosfera.
O contrato com a Real Arenas, braço da WTorre que administra o estádio, dá ao consórcio a prerrogativa de selecionar datas para eventos. Mas, numa boa relação, é inconcebível que um parceiro tire o clube de sua casa na reta final de qualquer campeonato, como foi neste ano.
Além da parte esportiva, a parte financeira também sofre, já que os jogos em Barueri atraem bem menos público que no Allianz – mesmo com valores de ingressos reduzidos.
Há dívidas e outras questões a serem aparadas entre clube e WTorre, mas não às custas do time.
Imprensa é não é fórum para troca de acusação com torcedores

Que a malfadada entrevista concedida por Leila Pereira tenha ensinado a lição de uma vez. Não tem qualquer cabimento a dirigente trocar farpas e provocações com torcedores pela imprensa.
Se há questões internas do clube, que se cumpra os trâmites internos. Se há questões cíveis ou criminais, que a Justiça e as forças adequadas sejam acionadas.
Levar esse tipo de conversa para a arena pública só acirra os ânimos e torna pior o clima para o time. Lembrando sempre que o time pertence à torcida, os clientes nessa relação, e não à diretoria.



