Palmeiras arranca empate suado no jogo maluco em que se atrapalhou com os próprios erros
Difícil fazer sentido de um jogo como esse. O Palmeiras não conseguiu jogar bem o bastante para vencer o Rosário Central, como era previsto, mas deixa o Gigante de Arroyito com a sensação de que os três pontos escaparam pelos seus dedos pelos erros cometidos nos gols dos adversários e por duas bolas na trave. Ao mesmo tempo, o empate por 3 a 3 foi um tanto heroico, depois de perder um jogador expulso na metade do segundo tempo, levar a virada e diante da pressão que o time da casa impôs. O resultado mantém o time paulista respirando por aparelhos na Libertadores, necessitado de uma combinação de resultados improvável na última rodada.
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No sétimo jogo da gestão Cuca, ainda seria impossível identificar uma equipe madura, mas o Palmeiras já repetiu alguns bons sinais que também apareceram no clássico contra o Corinthians. Está mais compacto, muito mais bem posicionado na marcação, recorre ao lançamento apenas como último recurso e tenta sair jogando com passes curtos, conscientes. O Rosário Central, porém, não permitiu que a transição do Palmeiras fosse bem executada. Pressionou bastante a intermediária defensiva dos alviverdes e frequentemente roubou a bola naquela região. O resultado foi que os visitantes tiveram pouca tranquilidade durante os 90 minutos, praticamente não ficaram com a bola e se desdobraram para marcar o bom time argentino, um dos melhores do atual campeonato nacional.
Gabriel Jesus, honrando a camisa 12 que foi consagrada por Marcos na Libertadores, foi o melhor jogador em campo pelo Palmeiras e abriu o placar logo aos 5 minutos, aproveitando uma bobeada de Musto, que recuou mal a bola para o goleiro Sosa. Antes, quando o cronômetro ainda contava o tempo da partida em segundos, havia escorregado na hora H em uma escapada pela esquerda e desperdiçado boa chance. O Rosário Central empatou em falta cobrada por Donatti, que desviou na defesa palmeirense e enganou Fernando Prass. Um lance de sorte que também fazia um pouco de justiça à pressão do time da casa. Antes do intervalo, Jesus completou falta cobrada por Robinho e voltou a colocar o Palmeiras em vantagem. No último lance do primeiro tempo, Herrera cabeceou à queima-roupa para uma defesa excepcional de Prass.
O segundo tempo começou com a mesma dinâmica, e Jesus teve uma chance de ouro de ampliar o placar para o Palmeiras. Disparou pela esquerda, adiantou a bola e acertou a trave com um belo chute. Robinho pegou o rebote e exigiu defesa de Sosa. Na jogada seguinte, ainda tentou tocar para trás, mas o cruzamento foi cortado. Uma desatenção custaria muito caro. Em uma cobrança de falta muito bem ensaiada, Cervi apareceu livre pela esquerda da grande área. Fernando Prass, um pouco desesperado, saiu para abafar a jogada e viu a belíssima finalização do camisa 10 encobri-lo e passar pelas tentativas de corte dos palmeirenses até morrer no fundo das redes. Não demorou muito para Vitor Hugo puxar Musto dentro da área e cometer um pênalti bobo. Marco Rubén cobrou, e pela primeira vez na partida, colocou o Rosário Central à frente no placar.
O terceiro empate do jogo quase foi concretizado na sequência, com uma cabeçada de Lucas Barrios na trave. A situação palmeirense piorou quando Gabriel Jesus foi expulso. Após sofrer falta, ainda no chão, o garoto deu um chute do marcador no Rosário Central, bem debaixo do nariz do árbitro, que não teve outra escolha a não ser expulsá-lo. Diante da maluquice que foi desenvolvida até aqui, você já deve ter deduzido que o Palmeiras fez 3 a 3 logo em seguida, em uma cobrança de falta completada por Barrios.
Faltavam pouco menos de 15 minutos para o apito final e a vitória ainda poderia sair para qualquer um dos lados. Mesmo com um jogador a menos, e sem conseguir manter a bola no pé, o Palmeiras inexplicavelmente parecia perigoso e buscava apenas uma brecha. Barrios e Prass, quase ao mesmo tempo, sentiram lesões. Mantiveram-se em campo apenas por raça porque, a pequenos intervalos, tinham que cair no chão para dar uma respirada. Pelo menos o atacante poderia ter sido substituído por Cuca, pois o Palmeiras perdeu totalmente o contra-ataque que precisava para vencer. Passou por vários minutos de pressão, alternando a voluntariedade da defesa com boas intervenções de Prass, como a que tirou a bola dos pés de Fernandez quando ele estava prestes a cometer o crime.
A perspectiva para o Palmeiras depois da derrota para o Nacional, em casa, há três semanas, era levar um passeio do Rosário Central na Argentina, mas não foi isso que aconteceu. O começo do trabalho de Cuca conseguiu organizar um pouco o time e o fez ser páreo duro para os argentinos. Não pode, porém, dizer que merecia vencer porque jogou pior que o adversário. Também não pode, por outro lado, deixar de lamentar o azar no primeiro gol do Rosário, seus próprios erros de concentração nos outros dois, a inexperiência de Gabriel Jesus, as duas bolas na trave e a teimosia de Barrios. Aos trancos e barrancos, os três pontos estiveram ao alcance.
A eliminação do Palmeiras está quase irreversível. Com qualquer resultado na partida contra River Plate na próxima quinta-feira, um empate ficaria de bom tamanho para o Nacional e para o Rosário Central na última rodada, a não ser que os argentinos mostrassem ambição para serem líderes do grupo e o tiro saísse pela culatra. E mesmo que o Rosário perca a partida derradeira, o Palmeiras precisaria vencer o River Plate no Allianz Parque, onde ainda não atuou bem pela Libertadores, e tirar uma diferença de três gols no saldo. Está por um fio.