Brasil

Sem receber proposta oficial do Catar, Palmeiras aguarda Abel e estipula data limite por definição

Quase oficialmente campeão brasileiro, Palmeiras quer uma definição de Abel Ferreira antes do início das férias

O Palmeiras está em compasso de espera. Com Abel Ferreira sob contrato até o final de 2024, o clube não recebeu qualquer notificação do Al Sadd, do Catar, sobre intenções de contratar o treinador. E, por essa razão, não se movimenta para obter uma resposta de Abel.

Segundo a Trivela apurou, no entendimento do clube, é Abel Ferreira quem tem que dizer o que pretende fazer. O que, aliás, o clube espera que aconteça ainda nesta semana.

— Não defini, vocês sabem. Sabem o que passa comigo, que eu tenho contrato. Isso é especulação — foi o que ele disse na entrevista coletiva concedida após a vitória sobre o Fluminense (1 a 0), que praticamente garantiu a conquista do bicampeonato brasileiro ao Palmeiras.

Leila Pereira e a diretoria não querem que o Palmeiras entre em recesso sem a total certeza de que o português, que comanda o planejamento esportivo para 2024, será o treinador da equipe na próxima temporada.

Existe uma aproximação do clube catari ao estafe de Abel, com uma proposta astronômica. A ponto de fazer o técnico considerar trabalhar no Oriente Médio, mercado que nunca constou em seu planejamento de carreira no passado.

A proposta para Abel o tornaria, se aceita, o técnico mais bem pago do planeta, superando os R$ 189 milhões anuais que Diego Simeone recebe no Atlético de Madrid.

Pedro Caixinha?

A Trivela apurou que o nome de Pedro Caixinha, que acabou de renovar contrato com o Red Bull Bragantino para até o fim de 2025, não está sendo discutido como substituto de Abel. Em especial porque o clube não trabalha com a hipótese de Abel sair.

Vale o mesmo para Vojvoda, do Fortaleza. Ambos são técnicos de ponta e poderiam ser considerados para o futuro. Mas, para o momento, não há nomes sendo discutidos.

Abel deixa dubiedade no ar

Abel Ferreira enviou mensagens dúbias durante toda a entrevista coletiva após a vitória sobre o Fluminense. Como, por exemplo:

— Não vou comentar especulações, vocês sabem como é o futebol brasileiro. Já falei ao longo do ano, tem várias especulações, é normal. O mais importante é o jogo mais importante do ano, queremos carimbar este título, porque neste momento não somos campeões e queremos muito ser.

— É desfrutar da jornada. Não sei até quando essa viagem vai durar… Eu tenho contrato e tem coisas no contrato que devem ser cumpridas.

Mas, no final, após muita insistência dos repórteres sobre o tema, o técnico encerrou a entrevista com uma frase e um gesto emblemáticos:

— Eu não sou ingrato – disse Abel, antes de dar uma piscada na direção da imprensa, bater com a caneta na mesa e deixar a sala sorrindo.

O fim da sessão contrastou com algumas de suas frases. Em muitos momentos, a clara impressão era de que Abel estava se despedindo. Como quando disse que não sabia se encontraria outro clube mais organizado em sua trajetória. Ou quando falou de Anderson Barros, dizendo que era o melhor diretor com quem ele já trabalhara.

Por outro lado, Abel falou com fúria do gramado do Allianz Parque, ajeitado às pressas para que a partida contra o Fluminense pudesse acontecer na casa do Palmeiras – na madrugada de sábado para domingo, o Allianz recebeu o show “Amigos”. É m assunto que não deveria preocupar alguém que não vai jogar no Allianz em 2024.

Abel também falou muito dos seus atletas, e cheio de elogios. O que, de certo modo, engrandeceu a ideia de despedida.

E também revelou como foi a conversa com o grupo no sentido de reverter o abatimento com a queda na Libertadores e ajeitar a rota para a provável conquista do Brasileirão.

— Digo duas coisas. Tivemos a 14 pontos, ou 13. Disse a eles que, se largassem, eu seria o primeiro a largar. Se eu sentisse que eles largassem (o campeonato), eu largaria. Essa foi a primeira. E a segunda foi que vos disse: temos uma oportunidade de sair daqui, eu como melhor treinador e vocês como melhores jogadores. São estes momentos que podem nos fazer crescer e retornar ainda melhores, e acho que eles entenderam o que quis dizer.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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