‘Tá, mas e o futebol?’: As perguntas que Abel deixou de responder sobre o Palmeiras no Choque-Rei
Palmeiras apresentou problemas e soluções, que Abel Ferreira não teve chance de explicar, mas que foram avaliados pela Trivela
Quem mais perdeu com o veto do São Paulo à presença de Abel Ferreira na sala de entrevistas coletivas do Morumbis, após o Choque-Rei do domingo (3), pelo Campeonato Paulista, foi o torcedor do Palmeiras.
Diante de um primeiro tempo muito ruim, e de um empate conquistado à base de muita entrega e de uma mudança tática abrangente, muita gente gostaria de saber o que foi ajustado para que o time melhorasse tanto – entre muitos outros questionamentos.
A Trivela, que esteve no estádio e estava posicionada para ouvir o português quando foi informada de que o clube alviverde deixaria o local em silêncio, imaginou quais poderiam ter sido alguns dos questionamentos.
Ao mesmo tempo, reassistindo a alguns lances do jogo, procuramos entender também quais poderiam ser as explicações. Abel, provavelmente, daria respostas diferentes. Abaixo estará a leitura que a reportagem fez da partida.
Embora tenhamos muitas horas de voo como espectadores das entrevistas da Abel, também não tentaremos emular o jeito de falar do treinador. Assim como deixaremos de lado a acidez e o tom impaciente e irônico tão característicos, que acompanham muitas das suas falas.
1. O que aconteceu no 1º tempo, em que o Palmeiras teve volume de jogo, mas saiu derrotado?
O Palmeiras começou melhor. A estratégia com três volantes permitiu que Ríos e Zé Rafael jogassem mais soltos e chegassem ao ataque.
O Palmeiras criou as primeiras boas chances do jogo, mas as desperdiçou, e o São Paulo foi encontrando o melhor posicionamento.
Depois do gol, numa falha do Palmeiras, o São Paulo se recolheu e criou uma barreira à frente de sua área. O Palmeiras ficou com inferioridade numérica e chegava sem força para invadir a área e criar condições melhores de conclusão.
2. O gol saiu em mais um lance envolvendo Weverton. Como foi a avaliação da comissão sobre o jogo do goleiro?
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O gol saiu em uma pressão do São Paulo na saída de jogo, em uma falha de comunicação do goleiro com Ríos. O São Paulo vinha tentando essa pressão seguidamente, forçando chutões.
O passe do Weverton, para evitar o chutão, veio forte, fora do pé do volante, no corredor central da área e entrou por suas costas. Por isso, o colombiano não conseguiu dominar e acertou Pablo Maia na sequência.
Weverton tem errado sistematicamente. Com o pé, entregou gols contra Inter de Limeira e Novorizontino. No chute de Alisson, caiu de joelho e não esticou o braço. A bola passou ao seu lado.
O jogador passa por uma queda técnica geral, mas vai seguir como titular, pois a comissão técnica, conforme a Trivela apurou, confia no seu trabalho.
3. Por que o Endrick jogou tão longe da área no 1º tempo?
Dois fatores explicam essa questão. Primeiramente, a ideia de Abel vem sendo usar o camisa 9 pela direita, quase como um ponta que corta para dentro do campo.
Deixá-lo longe da área também é uma forma de potencializar seu arranque, muito rápido e forte, uma de suas características de maior destaque.
Para completar, Carpini, sabendo disso, posicionou o Wellington na linha do meio-campo, impedindo Endrick de desgarrar muito dele. Mas ficou claro que a estratégia do Palmeiras não deu certo, dado que o melhor jogador do time pouco pegou na bola no 1º tempo.
4. O que foi corrigido para o time melhorar na segunda etapa?
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As entradas de Lázaro e Mayke transformaram o Palmeiras num 4-3-3 na fase ofensiva, com o camisa 12 mais espetado, fazendo com que Wellington tivesse de se preocupar com ele, graças às permanências de Aníbal, Zé e Ríos em campo.
Isso permitiu mais liberdade a Endrick, que continuou vindo do meio, mirando Flaco como referência, inicialmente. Pela esquerda, Lázaro entrou bem e deu maior poder de fogo ao ataque, aberto pela esquerda. O recém-chegado vem ganhando ritmo e entendimento do jeito de jogar do Palmeiras.
O São Paulo seguiu recolhido, mas o Palmeiras passou a ter muito mais opções de jogo. E, desse modo, mesmo quase sofrendo um gol, aos 45 do 2º tempo, fez por merecer a virada.
5. Qual foi a influência da arbitragem no resultado do jogo?
O lance do pênalti em Murilo já deveria ter sido marcado sem o auxílio do VAR, pois foi um claro soco na cabeça do zagueiro, embora a bola também tenha sido acertada.
O pênalti em Luciano, assim como o do Palmeiras, foi um lance de interpretação, e o árbitro entendeu que não deveria apontar.
Houve uma grande erro, que foi o vermelho não mostrado a Ríos. Esse lance poderia ter mudado muito o rumo do jogo.