Brasil

No fim, Abel e o Palmeiras foram profissionais e 100% pragmáticos na questão Al Sadd

Treinador falou da questão após vitória sobre o Botafogo por 1 a 0 no Campeonato Brasileiro

Abel Ferreira estava preparado. Tinha até um discurso escrito. Mas, foi só na quinta pergunta da entrevista coletiva, após a vitória sobre o Botafogo (1 a 0), no domingo (17) que ele foi indagado sobre o acordo do Palmeiras com o Al Sadd, que o livrou de talvez sofrer uma sanção na Fifa.

Pela primeira vez, Abel admitiu que estava mesmo de saída para o clube do Qatar no fim de 2023. E que tinha uma proposta ótima. Mas afirmou que recuou do plano, após conquistar o Bicampeonato Brasileiro e escutar a família.

— Os mesmos que me disseram para não ir, depois me disseram que daqui não sairiam — disse o técnico.

Mudar de emprego é direito do profissional

E assim foi. No fim das contas, Abel fez o que qualquer trabalhador pode fazer: pensar em aceitar condições melhores de trabalho. Não teve traição, não teve bola nas costas. Não houve desonra. O que houve foi um profissional que mudou de ideia e levou a questão ao seu empregador.

O Palmeiras tampouco foi feito de bobo, ou se diminuiu diante da atitude do técnico. O clube entendia que Abel era a melhor opção no mercado. Ouviu do treinador que ele tinha decidido partir, mas que mudara de ideia. E foi pragmático, sem se deixar levar por melindres.

Em outros tempos, o Palmeiras, como instituição, certamente agiria de outro modo. Poderia ter se levado por um ferimento de sua “honra institucional” e escorraçado o técnico. Mas não. Teve uma atitude completamente profissional e ofereceu respaldo ao treinador que queria ter no clube.

— A maior prova de amor não é dizer todos os dias ‘eu te amo’, mas escolher ficar quando é mais fácil ir embora, como outros fizeram na mesma situação. Eu escolhi ficar. Quero publicamente agradecer o apoio e a assessoria jurídica do clube, porque quando decidi eu mesmo resolver esse assunto por conta própria, o clube mais uma vez me apoiou. Tudo isso foi sempre partilhado e seguido pela minha esposa, que é meu maior suporte em decisões da vida pessoal e profissional — disse.

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Caminho livre para outra novela

O desfecho da história também não foi danoso ao Palmeiras. Os tais R$ 10 milhões que o clube deixou de receber do Al Sadd, pelos 25% de Giovani, não desfalcam o caixa do clube. Que permanece com metade dos direitos econômicos de um jogador que não vai sair do Al Sadd de graça futuramente.

Com o pronunciamento de Abel, essa página vira, e a questão se encerra de uma vez. Deixando caminho livre para a próxima novela: a renovação até 2027.

Mais de uma vez, Abel e a presidente Leila Pereira já disseram que está tudo certo no que diz respeito às bases do acordo. Mas, assim como no fim de 2023, quem vai dar a palavra final será a família do treinador.

— Em relação ao meu contrato, se ficou ou não fico esse ano, quem vai decidir vai ser a minha família. Mas não é momento nenhum para decidir o que quer que seja. O importante não foi e nunca será o Abel. O mais importante será sempre o que for melhor para o Palmeiras — afirmou.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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