Oswaldo tem um plano para colocar o Palmeiras nos trilhos, mas conseguirá executá-lo?
Não existe treinador que consiga transformar o Palmeiras em um candidato a títulos de uma hora para a outra. Dorival Junior ou Ricardo Gareca não conseguiriam. Nem Pep Guardiola ou José Mourinho. Oswaldo de Oliveira também sabe que o trabalho que pretende realizar no Parque Antártica será longo e, dado o histórico recente do clube, há boas chances de não dar certo. Mas calmo como sempre, elegante em um paletó cinza e brincando com os repórteres, deu algumas indicações do que pretende fazer durante o seu ano de contrato.
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Embora o palmeirense esteja cansado de ter esperança em dezembro e se decepcionar em fevereiro, é possível tirar algumas conclusões positivas do discurso de Oswaldo, o único homem da história a treinar os quatro grandes de São Paulo de Rio de Janeiro. A começar pela utilização de jovens, reproduzindo no Palmeiras o trabalho que realizou com sucesso nos seus últimos clubes. Revelou Vitinho e Dória no Botafogo e Geuvânio no Santos, por exemplo.
O Palmeiras notabilizou-se por ser um clube mais comprador que formador. Com poder de investimento quase zero ano passado, foi praticamente obrigado a dar oportunidades a jovens como Nathan, João Pedro e Victor Luis. O trio parece ter potencial, assim como outros garotos das categorias de base, mas precisam de um mentor. É o que Oswaldo quer ser. “Aquela coisa de revelar, buscar, dar oportunidade me excita muito”, afirmou. “Mas não é só com garotos que gosto de trabalhar, gosto de jogador bom. Não me importa se for jovem, austríaco ou brasileiro”.
Nenhum austríaco ainda foi contratado, mas tem quatro argentinos no elenco que foram um pouco escanteados na passagem de Dorival Júnior. Depois da demissão do sobrinho do ex-volante Dudu, colocaram a boca no trombone por causa da falta de oportunidades e principalmente porque Dorival reclamou publicamente das suas posturas profissionais: Allione não treinava bem, Mouche estava fora de forma, Tobio machucou-se, Cristaldo teve chances e não aproveitou. Oswaldo deve dar pelo menos mais uma chance a eles.
Há um outro estrangeiro no elenco que sempre ganha atenção especial dentro do Palmeiras, pela sua empatia com a torcida, a relação de amor e ódio que tem com ela, e sua qualidade técnica, muito superior à dos companheiros. Era claramente o dono do time de Dorival Júnior, tanto que ganhou a braçadeira de capitão e atuou mancando nas rodadas finais. Todas as bolas passavam pelos seus pés. “Não existe time em torno de um jogador”, enfatizou. “A última Copa do Mundo prova isso, Portugal e Argentina seriam campeões (com Cristiano Ronaldo e Messi). De 20 anos para cá não é mais assim. Não serão apenas 11 titulares, vamos preparar a equipe para revezamentos”.
Nos últimos anos, Valdivia sempre foi uma faca de dois gumes. Quando entrava em campo, conseguia ser decisivo, mas na sua ausência sempre havia a expectativa de que voltasse e salvasse o dia. O time geralmente era montado a sua espera. O chileno pode ser mais útil ao Palmeiras, caso renove o contrato no meio do ano, caso Oswaldo consiga armar um esquema independente a ele e ao qual ele possa se adaptar quando a coxa permitir.
Para fazer isso, espera contratações. Quer trabalhar com 30 jogadores de linha, três para cada posição, e quatro goleiros. Como a lista de dispensa, prestes a ser divulgada, deve ser das mais longas, muitos jogadores devem chegar. O único confirmado, garantido e inevitável até agora é o volante Amaral, do Goiás, mas o lateral direito Lucas, ex-Botafogo, e o zagueiro Victor Hugo, do América-MG, também estão próximos. “Otto Glória disse uma vez que que sem ovos não se faz omelete”, comentou. “Seria ideal iniciar a pré-temporada com o grupo todo resolvido, mas acho difícil”.
Também chamou a atenção o motivo que Oswaldo deu para ter escolhido trabalhar no Palmeiras: estabilidade. Quem acompanha o dia a dia do clube nos últimos anos deve ter achado que o técnico ficou maluco. Ainda mais porque citou os problemas financeiros do Botafogo e do Santos como um passado que ele não quer mais vivenciar, mesmo assinando com um clube que precisou de um empréstimo de quase R$ 140 milhões do presidente para continuar operacional. “Acredito no projeto que o presidente me falou”, disse.
Esse parece ser o ponto chave para o futuro do Palmeiras. Paulo Nobre ganhou mais dois anos de mandato basicamente porque não havia mais nenhum candidato viável e precisa mudar de postura para colocar o time nos trilhos. As primeiras movimentações do final da temporada, afastando-se do futebol e dando liberdade ao novo diretor de futebol Alexandre Mattos, indicam que está fazendo isso. O discurso do novo comandante também, embora, no Palmeiras, colocar palavras e ideias em prática costuma ser muito difícil. Apesar das aparentes boas intenções, Oswaldo precisa suar para fazer o seu plano funcionar.
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