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O Vasco venceu mais uma e fez história nas arquibancadas por combate à homofobia

Triunfo contra o Operário ficou em segundo plano durante manifestação da torcida no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+

O Vasco ocupa a vice-liderança da Série B do Brasileirão após a vitória empolgante por 3 a 0 contra o Operário, na última sexta-feira (24). Mas a manchete não é sobre o lado esportivo da noite em São Januário. Fora de campo, a torcida cruz-maltina deu um show e fez história com manifestações contra a homofobia.

A noite colorida já estava desenhada desde as primeiras horas do dia. Com direito a fogos e fumaça colorida, o Vasco entrou em campo para celebrar o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, tingindo o horizonte de São Januário muito além do preto e branco que predominam no uniforme do clube.

A ação é um marco no esporte, que ainda sofre com um ambiente hostil para atletas LGBT. Na sexta-feira, uma entrevista de Richarlyson ao podcast “Nos Armários do Vestiário”, do GE, repercutiu no sentido do ex-volante ter se assumido como bissexual. O jogador foi perseguido durante quase toda a sua carreira, especialmente na passagem pelo São Paulo, mas só encontrou alguma paz para se posicionar acerca da vida pessoal em um momento no qual atua como comentarista nos canais SporTV. A coragem de Richarlyson diz muito sobre como o futebol trata a questão LGBT, em pleno 2022, sempre se esquivando de combater diretamente o problema da homofobia no Brasil.

O Vasco é pioneiro no país por vários motivos e por apoio a causas de minorias. Não foi diferente durante o jogo contra o Operário. A equipe carioca, que levanta a bandeira LGBT há algum tempo e até possui camisas temáticas, soube enfrentar com muita dignidade as vozes contrárias. Nenhum outro clube brasileiro foi tão enfático nessa luta quanto o Gigante da Colina, o que certamente abre um precedente para que a causa apareça cada vez mais nos estádios, seja em bandeiras, seja em adereços ou mesmo na erradicação de cantos homofóbicos entoados por outras torcidas. A batalha, como se sabe, ainda será muito longa.

Quintero, Nenê e Palacios marcaram para o Vasco diante dos paranaenses, o que elevou a sequência cruzmaltina de 14 partidas sem derrotas. Um passo importante visando o retorno à Série A em 2023. Detalhes que ajudam a dar um contorno ainda mais brilhante ao que ocorreu em São Januário. Mais do que abraçar o próprio time, a torcida local abraçou todo um movimento. E isso vale muito mais do que qualquer título.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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