O Gre-Nal que tornou a memória de Larry eterna para a torcida colorada
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Quando o telefone tocava e algum jornalista se identificava do outro lado da linha, a pergunta era a mesma: “Você quer saber sobre aquele Gre-Nal de 1954?”. Afinal, por maior que fosse a trajetória de Larry no Internacional, nenhum episódio superava aquele vivido em 26 de setembro de 1954. Era o primeiro clássico dentro do Estádio Olímpico, a nova casa do Grêmio inaugurada na semana anterior. E o centroavante reconhecido pela qualidade técnica e pela exuberância não teve piedade dos tricolores: comandou a goleada por 6 a 2 dos colorados no jogo festivo, promovendo um batismo vermelho ao novo campo. O cartão de visitas para que se tornasse um dos maiores ídolos da história do Inter.
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Larry ainda era um novato na equipe. O carioca havia estourado no Fluminense, com o qual foi campeão estadual e chegou à seleção olímpica. Em 1954, aos 21 anos, transferiu-se a Porto Alegre para ganhar experiência. E precisou de alguns meses para deixar uma impressão eterna sobre o imaginário dos colorados, com o desempenho implacável no Gre-Nal. O suficiente para não tirar mais a camisa vermelha.
A partida parecia sob o controle do Grêmio quando Sarará abriu o placar, aos seis minutos. Aos 33, Jerônimo empatou, enquanto Larry deu o ar da graça para virar aos 42. E, na volta do intervalo, o atacante viveu um segundo tempo infernal. Em seu gol mais bonito, deixou o célebre Ênio Rodrigues no chão, após sair driblando todo mundo, e deu um leve toque para vencer o goleiro Sérgio. Depois, ainda estufou as redes mais duas vezes, enquanto Canhotinho completou a vantagem. No fim, Zunino descontou, mas não lavou a honra pisoteada dos gremistas. Tamanho era o baile que Sérgio resolveu deixar a sua meta após o quinto tento, quando Larry parou a bola em sua frente e bateu no canto, em deboche. Mas voltou, para buscar a bola mais uma vez.
“Era uma festa fantástica. Na inauguração do Olímpico, que era um monumento para a época, o Inter tinha um estádio modesto (os Eucaliptos). O do Grêmio era uma coisa luxuosa. Então, se esperava muito deles, e nós revidamos assim. Antes do jogo, nosso clima era de apreensão, o estádio estava lotado, o Grêmio tinha um time muito bom e imaginávamos um embate duríssimo. De repente, com o desenrolar da partida, houve uma atuação fantástica. Nós saímos do normal. Não se imaginava fazer seis, que coisa desagradável seria, né?”, declarou Larry em 2014, durante entrevista ao blog Torcedor Colorado. “Nosso diferencial era o toque, tratávamos a bola com muito carinho. Tinha eu, Bodinho, Luisinho, Jerônimo, Canhotinho e Chinesinho. Era um time extremamente habilidoso”.
Larry marcou época no Rolinho, o time herdeiro do histórico Rolo Compressor, conquistando o Campeonato Gaúcho em 1955 e 1961. Também participou da conquista da seleção brasileira nos Jogos Pan-Americanos de 1956, com um elenco formado apenas por jogadores do futebol gaúcho. Aposentou-se em 1961, quando já havia ingressado na política, eleito vereador de Porto Alegre dois anos antes. Nesta sexta, por fim, Larry deu seu adeus. Faleceu aos 83 anos, vítima de pneumonia. Eterno aos colorados, eterno ao Gre-Nal.