O gol irregular é inegável, assim como é inegável o crescimento do Fla e o atropelo sobre o Flu

Em um Brasileirão marcado pelos erros de arbitragem, é natural que o assunto volte à tona, ainda mais em um clássico de tamanho peso. Nada justifica o flagrante equívoco do trio comandado por Ricardo Marques Ribeiro no primeiro gol do Flamengo, diante do toque de mão de Wallace antes de Emerson Sheik estufar as redes. Asterisco na vitória categórica dos rubro-negros sobre o Fluminense no Maracanã, diante de 56 mil presentes. Em um jogo dominado pelos flamenguistas, o lance irregular dá motivos para se contestar o placar de 3 a 1, apesar da superioridade clara. Mas não tira o embalo do time de Oswaldo de Oliveira, que emenda o quarto triunfo consecutivo e mira a Libertadores.
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Depois das boas atuações nos últimos jogos, o Flamengo começou a partida no Maracanã atropelando. Diego Cavalieri operou duas grandes defesas e a trave ainda evitou que o primeiro gol saísse aos dois minutos. Os rubro-negros se postavam no campo ofensivo, com o meio-campo exercendo muita intensidade e os laterais bastante adiantados. Pior, a defesa do Fluminense abusava dos erros. Naquele instante, o gol parecia questão de tempo. No entanto, só veio após o erro da arbitragem.
O toque de mão evidente de Wallace, antes de Emerson Sheik fuzilar para as redes, deu motivos para o Flu reclamar. Manteve o time atordoado, diante da excelente partida que os rivais faziam. E, sem dar margem às dúvidas desta vez, o Fla ampliou apenas cinco minutos depois. Pará executou um passe magistral e Kayke tocou com categoria na saída de Diego Cavalieri. Os rubro-negros talvez nem precisassem da irregularidade para sair em vantagem, em seus prováveis melhores 15 minutos no campeonato. Mas ele aconteceu, inegavelmente.
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Com a vantagem estabelecida, o Flamengo se manteve agressivo diante de um Fluminense perdido em campo. Desperdiçou outras ótimas chances de ampliar no primeiro tempo, até que os tricolores finalmente dessem o seu primeiro chute somente aos 45 minutos. Já na volta do intervalo, o Flu voltou melhor e um pênalti grosseiro cometido por Samir permitiu que diminuíssem. Mas não dá para dizer que os flamenguistas perderam a sua força. Cavalieri seguiu fazendo milagres, antes que Paulinho anotasse o terceiro, de cabeça, após cruzamento de Kayke – em lance que também gerou reclamações, apesar de ter sido legal. Diante da vantagem, o jogo diminuiu de ritmo. E, depois da expulsão de Everton, Paulo Victor evitou o que seria o segundo gol do Fluminense, no apagar das luzes. Nada feito.
O crescimento do Flamengo desde a chegada de Oswaldo de Oliveira é evidente. A equipe desorganizada de Cristóvão Borges deixou de cometer tantos erros, mesmo que eles ainda se repitam. Mais importante, os rubro-negros passaram a apresentar um padrão de jogo. O latifúndio entre o ataque e a defesa deixou de existir, com a equipe se posicionando de maneira bem mais compacta. Além disso, após a pressão inicial, o Fla soube se resguardar, sem dar tantos espaços às costas da sua zaga. Trabalho que faz efeito na tabela, com os 12 pontos conquistados nas últimas quatro rodadas: melhor aproveitamento do campeonato no período, que deixa o clube a apenas três pontos do São Paulo, o quarto colocado.
É impossível negar o erro de arbitragem do jogo, que pode ter contribuído com os rumos da partida. Assim como é em vão subestimar a maneira como o Flamengo foi superior, bem mais produtivo e finalizando o triplo que os rivais. Entre possibilidades e fatos, os três pontos rubro-negros são concretos, assim como a ascensão na tabela. Por mais que os flamenguistas possivelmente preferissem uma vitória completamente inquestionável, a forma como ela se desenhou só dá margem de questionamento pelo árbitro, e não pelo domínio do time.



