O G (quase) 4
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A quarta vaga para a Copa Libertadores via Campeonato Brasileiro foi restabelecida. Depois de decisão da Conmebol de tirar a vaga do país que teve o campeão da competição, a vaga agora será tirada do país que tiver o campeão da Copa Sul-Americana – como era quando começou o Brasileirão.
O país que tem um campeão,ainda que de uma competição um pouco menor em relação à Libertadores, terá uma “punição”. Perde uma de suas vagas. É o contrário do que deveria ser o mérito esportivo.
Se era necessário criar uma nova vaga, a questão é simples, como sugerido por Leonardo Bertozzi: a vaga do campeão da Sul-Americana seria para a fase preliminar da Libertadores, com um confronto a mais em relação ao que existe atualmente. Assim, a fase de grupos ficaria inalterada e não seria necessário cria uma vaga na condicional – o que é uma aberração para qualquer campeonato.
Para entender melhor: são 38 times que recebem vagas para a Libertadores. Com a vaga da Sul-Americana, serão 39. Seria então acrescentada uma vaga, a 40ª. O que mudaria em relação ao modelo atual é que o time que tivesse o país campeão da Sul-Americana teria direito a uma vaga direta na fase de grupos a menos.
Exemplificando com o caso brasileiro: a Série A classifica seus quatro primeiros colocados para a Libertadores, sendo três destas vagas diretas. Caso um time brasileiro vença a Sul-Americana, a terceira vaga passaria a ser também para a fase preliminar. Com isso, seriam 14 times na fase preliminar (os atuais 12, o campeão da Sul-Americana e uma das vagas do país do campeão do campeão da Sul-Americana). Seriam sete classificados, que juntariam-se aos outros 25 times para formar os 32 da fase de grupos.
Claro que isso faria mais sentido se o sorteio da competição fosse feito quando todos os times que participarão da Libertadores fossem conhecidos – não aquele show de horrores que sorteia “México 2”, “Chile 3”, e afins. Mas isso é outra história.
Calendário desajustado
Um dos grandes problemas que vemos neste ano de forma ainda mais evidente que em anos anteriores é a questão do calendário no futebol brasileiro. Primeiro, temos um desequilíbrio nos semestres. O primeiro acumula estaduais, Copa do Brasil ou Libertadores e Campeonato Brasileiro. O segundo semestre tem apenas o Campeonato Brasileiro e a Sul-Americana, que nem é disputada por todos os times.
Esse é um problema que mexe também na questão do mérito. Um time que vence o Campeonato Brasileiro ganha o direito de jogar a Copa Libertadores – mas perde o de jogar a Copa do Brasil e a Sul-Americana, duas chances de voltar à principal competição continental na temporada seguinte.
Por outro lado, o 5º colocado não vai à Libertadores, mas joga a Copa do Brasil, o próprio Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana – três chances de chegar à competição continental, uma a mais do que o campeão.
A questão não é dar privilégio ao campeão. O caminho é no sentido oposto: é preciso igualar as chances dos times. E esse ajuste não é difícil de fazer, porque ele resolveria um problema grave no futebol brasileiro, que é o de impedir os clubes que chegam à Libertadores de jogar a Copa do Brasil, uma competição interessante e que precisa de todos os principais times para ganhar ainda mais qualidade e ser ainda mais atrativa, inclusive a mercados exteriores.
Primeiro: os estaduais precisam ter menos datas. Se atualmente são cerca de 20 em cada estadual, essa proporção deveria diminuir para algo em torno de 12, no máximo, permitindo aos times terem um prazo maior para pré-temporada.
Outro ponto: a Libertadores e a Sul-Americana devem ser ao mesmo tempo. Pode se discutir se o modelo europeu deve ser adotado – times eliminados na Libertadores migrando para a Sul-Americana -, mas o fato é que precisam ser concomitantes. Assim, não onera seus participantes. E deveria durar toda a temporada – seja do início ao fim do ano, seja de agosto a maio, mais ajustado com o calendário mundial.
Desta forma, a Copa do Brasil seria espalhada por toda a temporada, e não apenas um semestre. Com isso, permitiria a participação de todos os times, sem precisar abrir mão em função da Libertadores.
A mudança acabaria com essa bizarrice que é termos times que, antes do fim do Campeonato Brasileiro, estão com vaga garantida na Libertadores e, portanto, acabam não se esforçando ao máximo para conquistá-lo – caso do Internacional e que pode vir a acontecer com o Santos dentro de poucas rodadas. Seria mais interessante se os campeonato fossem concomitantes e, assim, os times tivessem que trabalhar com a hipótese de ter que se manter bem em todas as frentes – como acontece nos principais países da Europa. E para quem acha que é impossível, é só ver o que a Internazionale fez na temporada passada, quando levou os três títulos que disputou.
O difícil é imaginar que a CBF tenha essa preocupação com o futebol brasileiro. Ao longo dos anos, infelizmente não foi o que se viu. Essas mudanças seriam uma forma de valorizar mais os campeonatos nacionais e melhorar o calendário brasileiro, desajustado com o mundo.
Mas pensar na CBF fazendo isso é o mesmo que pensar na Conmebol melhorando o futebol sul-americano – algo que é difícil até imaginar.