No Majestoso, Gustagol e Volpi saem como retratos do que é este início de 2019 aos seus times
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Corinthians e São Paulo faziam um clássico importante para o estado anímico de ambas as equipes. O início do ano, convenhamos, não anda sendo muito virtuoso nem em Itaquera e muito menos no Morumbi. Fábio Carille não faz mágica neste recomeço à frente dos alvinegros e, por mais que os resultados importantes venham de um jeito ou de outro, a forma está distante de satisfazer – e os tropeços contra pequenos incomodam. O São Paulo, por sua vez, já demitiu o primeiro treinador e está sob as ordens do interino por tempo indefinido. Pior que jogar mal foi naufragar na grande (e única) obrigação do semestre, a Libertadores. O Majestoso na Arena seria apenas um atenuante ao que necessita de muita terapia aos tricolores. E necessitará de mais. Em um jogo tecnicamente fraco, reflexo dos times, e cheio de polêmicas como a arbitragem brasileira quase sempre determina, a balança pendeu ao Corinthians. Vitória por 2 a 1, que põe em contraste dois reforços-símbolos no 2019 de corintianos e são-paulinos. Gustagol sai com a fama, Tiago Volpi carrega o fardo.
Gustagol não é apenas o cara do Corinthians nestas primeiras semanas da temporada. Ele também é a cara de um time que praticamente joga em sua funcionalidade. O jogo aéreo é o principal caminho aos alvinegros, mais do que tinha sido antes com Carille. E os paralelos com o Jô de outrora se tornam naturais. O veterano complementava mais o dinamismo de seus companheiros, até por sua inteligência na movimentação. Gustagol ainda é uma joia bruta, mas as jogadas têm continuidade com o homem de referência, seja para ajeitar ou para definir. O centroavante é a grande certeza em uma equipe que tateia.
E essa ascensão de Gustagol vale demais ao Corinthians, ainda errante. Quase todos os resultados positivos do time em 2019 contaram com a participação do artilheiro iluminado. O jovem demonstra os cacoetes para se tornar um centroavante de primeira linha e um dos mais importantes valeu o triunfo na Arena: a sorte. Mesmo quando não pegou em cheio na bola, quando acertou a canela, ainda assim o atacante teve a fortuna de se encontrar com as redes. Comemorou e ganhou um clássico para chamar de seu, mantendo a hegemonia corintiana diante dos são-paulinos. Cai tanto nas graças da torcida que o sufixo “-gol”, incoerente a tantos, parece até pouco para justificar a ótima fase. É a peça mais proeminente de um elenco que busca o seu encaixe, depois de tantos reforços.
A alegria de Gustagol, no entanto, se contrastou com o desespero de Tiago Volpi. O goleiro não pode ser considerado necessariamente um vilão do clássico, mas a impressão é a de que poderia ter feito bem melhor nos lances de ambos os gols do Corinthians. No primeiro, o maior questionamento fica para o chute de Pedrinho que espalmou. Era uma bola sem tanta força e que veio em sua direção. O arqueiro começou a movimentar a mão esquerda para tentar agarrar a pelota, mas preferiu espalmar para escanteio. Pagou o preço depois, na cabeçada de Manoel que quase salvou. Já no segundo tento, que reclame de falta e negue a falha, ele incontestavelmente saiu mal. Deslocado ou não por Vágner Love, faltou mais firmeza no salto, parecendo preferir mais o direito à reclamação do que a defesa em si. Não ganhou altura para disputar com as mãos uma bola na cabeça de um atacante relativamente baixo. E, no fim das contas, o lance que o árbitro considerou normal pendeu ao outro lado, graças a Gustagol.
Volpi, assim como outras contratações no inflado mercado do São Paulo, chegou badalado. E de fato merecia o reconhecimento, pelo excelente trabalho no Campeonato Mexicano. As primeiras atuações com os tricolores, todavia, já deixam algumas orelhas em pé. Em um clube que foi um cemitério de goleiros desde a aposentadoria de Rogério Ceni, há uma cobrança grande e o novato ainda não conseguiu cumpri-las. Mas não é só ele, em um time desencontrado pelas más atuações e alvejado pelo descrédito. A missão de Volpi para se recuperar dependerá de um grande esforço mental. O mesmo com o São Paulo, necessitando ainda de uma boa dose de coesão coletiva. Com um pouco mais de proteção, o goleiro já fica mais em condições de dar a volta por cima. Antes, precisa(m) reconhecer o que não vem dando certo.
A discussão do clássico nas mesas redondas da TV, obviamente, já está ditada. A bola que saiu antes do primeiro gol do Corinthians; a reclamada falta em Danilo Avelar antes do gol do São Paulo; a disputa entre Volpi e Love; o toque no braço de Carneiro, anulando o tento de empate dos tricolores já no final. Em um resultado que não se muda, porém, o impacto do Majestoso em Corinthians e São Paulo já está traçado. Gustagol como um porto seguro, Volpi como uma interrogação no elenco repleto delas.