No lugar de Romário, o que você diria ao senador que não viu nada demais no 7 x 1?
A CPI do futebol presidida por Romário (PSB-RJ) aprovou, nesta quarta-feira, a quebra do sigilo fiscal e bancário do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que curte férias forçadas em uma prisão da Suíça. Além disso, o que chamou atenção na sessão foi a volúpia com a qual o senador João Alberto de Souza (PMDB-MA) defendeu a CBF, ao ponto de tentar argumentar que a derrota para a Alemanha, por 7 x 1, nas semifinais, e o quarto lugar da Copa do Mundo, em casa, não foram o fim do mundo para a seleção brasileira.
LEIA MAIS: Romário solta o verbo e nomeia os deputados da “bancada da CBF”
João Alberto de Souza é um proeminente político maranhense, e você sabe o que isso significa: seu padrinho é o ex-presidente José Sarney. Com o apoio dele, foi governador do Maranhão, entre 1990 e 1991, e vice de Roseana Sarney, de 2009 a 2010. É próximo de Fernando Sarney, vice-presidente da CBF, e tentou ser presidente da CPI para esvaziá-la em nome da entidade. Também chegou a chefiar o Conselho de Ética do Senado, informação que cabe nesta matéria pelo seu conteúdo irônico.
O peemedebista participou da sua primeira sessão da CPI do Futebol, substituindo Eunício Oliveira (PMDB-CE), e não dá para dizer que foi uma estreia discreta. Disse que o futebol brasileiro é um dos mais organizados do mundo, o que levou o país a “sucessivas conquistas” – que pararam em 2002 -, e não viu nada demais na saída da Seleção no Mundial nas semifinais. “Achamos que fomos os grandes derrotados porque já nos acostumamos a sermos os primeiros”, afirmou. Verdade. Não foi porque tomamos 7 x 1 da Alemanha em casa.
Romário rebateu muito bem, citando que o Brasil não tem dirigentes bons e ruins, mas “ruins e péssimos” e que não consegue conceber como alguém com experiência no futebol – já foi dirigente de clubes – consegue fazer uma avaliação positiva da campanha do time de Felipão na Copa do Mundo de 2014. Chamou Marco Polo Del Nero de “safado, ladrão, desonesto, corrupto, imoral, um senhor que não presta e que representa um câncer, e como todo câncer, tem que ser extirpado”.
Bem ao estilo bocudo de Romário, que às vezes exagera nos xingamentos. Mas João Alberto correu para defender Marco Polo e a CBF, dizendo que o ex-jogador não deveria dar sua opinião na CPI. Bom, ele não falou nada sobre vocês, certo? O que vocês diriam para o político maranhense se estivessem no lugar de Romário?
//
Para vocês terem noção de como é difícil mudar o futebol no nosso país. No vídeo abaixo vocês terão uma amostra da visão equivocada, míope e parcial de um parlamentar que deveria lutar para melhorar o esporte no nosso país. O senador João Alberto (PMDB-MA) disse que temos o futebol mais organizado do mundo. Para ele, ter perdido a Copa do Mundo em casa, por 7×1, não significou uma derrota.Claro que rebati essa colocação absurda.A opinião do nobre senador maranhense foi dada durante a reunião, na tarde desta quarta-feira, da CPI do Futebol, aqui no Senado. Nos reunimos para votar a quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente preso da CBF, José Maria Marin.Tirem suas próprias conclusões.
Posted by Romário Faria on Quarta, 23 de setembro de 2015



