Brasil

Em reformulação, Palmeiras muda perfil de reforços e ‘responde’ cobrança interna

Dupla ex-Fluminense negocia com clube alviverde e pode retornar ao Brasil nas próximas semanas

O Palmeiras tenta avançar nas conversas para trazer Jhon Arias e Nino, ex-jogadores do Fluminense e que atuam no futebol europeu. O movimento ocorre em meio à uma renovação do elenco, que tem apenas Gustavo Gómez como remanescente do time bicampeão da Libertadores, e após um “chamamento público” de Abel Ferreira por novos reforços.

A Trivela apurou que as conversas do Palmeiras por Nino e Arias avançam, mas as negociações são tratadas como complexas — especialmente com o zagueiro tricolor. No caso do colombiano do Wolverhampton, o Fluminense ainda teria a possibilidade de igualar a oferta palmeirense, em cláusula revelada pelo presidente Mattheus Montenegro.

Além da concorrência com o Fluminense, Palmeiras precisou subir o valor da proposta, após o Flamengo oferecer US$ 23 milhões (R$ 121 milhões) pelo atacante — que não tem interesse em defender o Rubro-Negro, por sua identificação com time tricolor. Os valores, pelo lado Alviverde, giram em torno de 25 milhões de euros (R$ 155 milhões), e, de acordo com o “GE”, o Fluminense não chegou à possibilidade de cobrir essa oferta.

Nas últimas horas desta segunda-feira, o Palmeiras avançou nos últimos detalhes para selar a contratação de Arias junto ao Wolves. A ideia da diretoria alviverde é oferecer quatro anos de contrato para o atacante colombiano.

Já no caso de Nino, com contrato até 2028 junto ao Zenit, as conversas são ainda mais preliminares. Assim como outros atletas brasileiros (Pedrinho e Luiz Henrique), o Zenit não tem interesse em liberá-los neste momento da temporada. No início do ano, já negociou Gerson ao Cruzeiro, por mais de R$ 180 milhões.

Para Arias, a situação do Wolverhampton na Premier League também pode favorecer seu retorno ao futebol brasileiro. A equipe é a principal candidata ao rebaixamento e ocupa a lanterna da competição. Além do colombiano, João Gomes e André são outros destaques que podem deixar a equipe nos próximos meses.

Jhon Arias, em duelo entre Wolves e Bournemouth (Foto: Imago)

Tanto Nino quanto Arias chegariam para suprir ausências do elenco de Abel Ferreira. Após derrota para o Botafogo-SP nesse domingo (1º), pelo Campeonato Paulista, o treinador cobrou a chegada de novos reforços, após a saída de jogadores chave do elenco. A janela de transferências do futebol brasileiro ficará aberta até o início de março.

— Não precisa ser inteligente para perceber quais jogadores saíram e quais precisamos. É fazer a conta: quem saiu? Goleiro, zagueiro, ponta, volante… Fazer as contas — afirmou o treinador alviverde.

A dupla ex-Fluminense chegaria para suprir as saídas de Facundo Torres e Micael, que deixaram o Palmeiras nesta janela de transferências rumo à Major League Soccer (MLS). Além deles, o clube alviverde negociou Aníbal Moreno (River Plate), Raphael Veiga (América-MEX), Weverton e Caio Paulista (Grêmio), e Vitinho (Santa Clara).

Mudança no alvo das contratações do Palmeiras

O ímpeto de Anderson Barros e Leila Pereira em busca dos reforços coincidiu com a fala de Abel Ferreira na entrevista coletiva. Até aqui, Marlon Freitas, ex-Botafogo, foi o principal reforço da janela de transferências.

Só pela chegada do volante, é possível perceber uma mudança no perfil buscado pelo Palmeiras: jogadores mais experientes, com “lastro” pelo futebol brasileiro. Tanto Arias quanto Nino fizeram parte do elenco do Fluminense em 2023, quando a equipe conquistou a Libertadores e se sagrou vice-campeã mundial. Já Marlon Freitas era o capitão do Botafogo campeão da América e do Brasileirão em 2024.

Até aqui, o perfil buscado pela diretoria era mais próximo de promessas. Com exceção de Andreas Pereira, o Palmeiras acertou as chegadas de Ramón Sosa, Jefté e Khellven após o Mundial de Clubes. Antes disso, no início de 2025, Emiliano Martínez e Facundo Torres foram contratados.

Na última temporada, o Palmeiras gastou mais de R$ 700 milhões para reforçar seu elenco, fruto da receita recorde — mais de R$ 1,6 bilhão — que acumulou ao longo do ano.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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