Brasil

Entre lesões, roubo de posição e voltas ao time, um Palmeiras bem diferente pega o São Paulo, um mês após a Supercopa

O Palmeiras que encara o São Paulo neste domingo, no Morumbis, tende a ser muito diferente do time derrotado nos pênaltis na Supercopa

Foram tantos, os acontecimentos no clube alviverde, desde 4 de fevereiro, que a sensação é de que já se passaram muito mais do que 28 dias entre a data de hoje e o dia em que Palmeiras e São Paulo se enfrentaram na Supercopa Rei, em Belo Horizonte.

Nos seis jogos que se seguiram à derrota do Alviverde nos pênaltis, Abel Ferreira testou e achou jeitos diferentes de o Palmeiras jogar.

De lá para cá, o português também sacou alguns jogadores, por escolha e por lesões, e deu mais espaço a outros — por necessidade e oportunidade.

Há também os aspectos que se mantiveram e até melhoraram neste intervalo. Como jogadores que eram incertezas e acabaram se tornando peças indispensáveis. Bem como alguns problemas que se mostraram ainda mais complicados com o decorrer do tempo.

E, desse modo, um novo Palmeiras vai jogar no Morumbis, às 20h.

Uma defesa diferente

Marcos Rocha treina na Accademia de Futebo observado por Breno Lopes e Zé Rafael (Cesar Greco/ Palmeiras/ by Canon)

Foi na própria Supercopa que Mayke lesionou o quadríceps da coxa direita. A partir do jogo seguinte, Marcos Rocha se firmou na equipe como lateral e vem jogando muito bem.

Titular em cinco jogos, o camisa 2 deu mais duas assistências desde aquele dia e acabou sendo alçado à condição de capitão da equipe, por conta da lesão de Gustavo Gómez diante do Corinthians.

Sem o paraguaio, Abel testou uma formação com três zagueiros, tendo Rocha, Naves e até Piquerez como companheiros de Luan, que entrou no time, e Murilo. Mas, no fim das contas, deve ficar mesmo com uma linha de quatro clássica: Rocha, Luan, Murilo e Piquerez.

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Aníbal e mais dez

Único jogador a ser utilizado nos onze jogos do time no ano, Aníbal Moreno ganhou ainda mais espaço desde a decisão. Foram cinco jogos como titular, tendo jogado as partidas inteiras quatro vezes.

Na Supercopa, começou no banco. Abel não foi claro na coletiva após a derrota para o São Paulo, mas deu a entender que o argentino não começou aquele jogo por conta de alguma lesão.

Para colocar Moreno no time, Abel variou a formação. Escalou três volantes e adiantou Veiga. Sacou Ríos e até poupou o camisa 23, adiantando Zé Rafael. O que está bem claro é que Aníbal não sai mais do time.

Aníbal Moreno comemora seu primeiro com a camisa do Palmeiras, contra o Mirassol, na Arena Barueri (Foto: Anderson Lira/Fotoarena/Sipa USA) – Photo by Icon Sport

Rony sem espaço, Endrick de volta e Flaco intocável

Na entrevista coletiva após a Supercopa, Abel não tentou esconder que estava muito insatisfeito com Flaco López, por conta de um lance em que ele não conseguiu completar para o gol um lançamento no segundo pau, em uma bola na qual ele teve de se jogar para tentar acertar.

Fora do calor do momento, assistindo ao VT do jogo, o técnico deve ter notado que a reclamação acintosa não era justa. A chance de gol nem era tão clara assim.

Tanta reclamação era porque Flaco ainda não tinha se tornado o atacante que se tornou desde então. Mais um do bonde dos que jogaram cinco vezes, o argentino fez cinco gols neste intervalo, sendo apontado melhor jogador da partida em três oportunidades.

Inversamente proporcional ao prestígio adquirido por López foi a queda de Rony. Embora siga entrando nas partidas, o camisa 10 não ameaça a posição de ninguém na equipe. Até porque, Endrick voltou ao time.

Flaco comemora gol do Palmeiras contra o São Bernardo com Estevão (Footo: cesar Greco/Palmeiras/ By Canon)

Após o fiasco da seleção pre-olímpica, o camisa 9 retornou ao Alviverde para ser dono de um lugar entre os titulares. E vem mostrando a mesma qualidade que impulsionou o Palmeiras à conquista do Campeonato Brasileiro do ano passado, inclusive com um golaço no Dérbi.

Num esquema com dois atacantes, Endrick e Flaco hoje jogam sem contestação. Mas, se Abel for retomar o 4-3-3, Caio Paulista e Lázaro hoje brigam em pé de até ligeira superioridade com Rony, por um lugar no time.

Weverton em queda

Era início de temporada, mas Weverton já tinha falhado contra Novorizontino e Inter de Limeira, em lances que geraram gols dos adversários.

Na Supercopa, o goleiro mais uma vez enfureceu a torcida por não defender nenhum pênalti. Antes parasse por aí.

Depois disso, teve falha inexplicável no gol de empate do Corinthians, no Dérbi do dia do último dia 18. Não cortou o escanteio que gerou gol do Mirassol e, mesmo não sendo vazado contra a Portuguesa, falhou em todos os cruzamentos à sua área.

Weverton, durante jogo contra a Portuguesa no Estádio do Canindé, em São Paulo. (Photo: Roberto Casimiro/Fotoarena/Sipa USA) – Photo by Icon Sport

Como foi e como deve ser

Tudo isso para dizer que haverá mudanças de esquema e escalação entre os times da Supercopa e do Choque-Rei deste domingo.

Na Supercopa, o Palmeiras começou, num 3-5-2, com:

Weverton; Marcos Rocha, Gómez e Murilo; Mayke, Zé Rafael, Richard Ríos, Raphael Veiga e Piquerez; Rony e Flaco López

Já neste domingo, deve ter, num 4-3-3 (em negrito, as novidades):

Weverton; Marcos Rocha, Luan, Murilo e Piquerez; Aníbal Moreno, Zé Rafael e Raphael Veiga; Endrick, Flaco López e Lázaro (Caio Paulista ou Rony)

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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