Brasil

O que fez com que o São Caetano fosse destruído?

Vice-campeão da Libertadores em 2002 e campeão Paulista em 2004, São Caetano foi rebaixado para a Série A4 do Paulista nesta semana

Considerado uma das grandes forças do futebol paulista no início dos anos 2000, o São Caetano chegou a incomodar muita gente grande, conquistando seguidamente três vice-campeonatos importantes. Foram dois nos Campeonatos Brasileiros de 2000 e 2001, além da emblemática perda da Libertadores de 2002, na final, contra o Olímpia. Mas o tempo não fez bem ao clube, e após a saída da família Klein, antiga dona das Casas Bahia, principal financiadora do projeto do time, os feitos de outrora viraram rebaixamentos e decepções.

A partir de 2004, ano em que chegou às quartas de final da Libertadores e foi eliminado para o Boca Juniors e depois foi campeão estadual contra o Paulista de Jundiaí, na segunda final caipira da história, o São Caetano foi impactado pela falta de dinheiro. Após 20 anos de muitos erros administrativos, o clube chegou ao ponto mais alto de sua crise, sendo rebaixado para a quarta divisão do futebol de São Paulo. A confirmação de mais um descenso na história veio nesta quarta-feira (20), com o W.O. da Matonense.

Brigas internas e fim de parceria forte culminaram na queda do São Caetano

Quando a família Klein assumiu as operações dentro do Anacleto Campanella, o São Caetano passou de um time desconhecido para uma das maiores potências do futebol paulista e nacional em um curto espaço de tempo. Mesmo quando o time precisava se remontar ao perder alguma peça importante, o dinheiro de uma das principais redes de varejo do país conseguia manter o padrão e uma folha salarial que dava inveja até aos clubes grandes no Brasil.

Saul Klein era um dos nomes mais influentes desta parceria entre os representantes da empresa e o clube, mas após um desentendimento com Nairo Ferreira, então presidente do São Caetano, tudo mudou e as coisas começaram a se complicar financeiramente.

Segundo Klein, a família do investidor teria doado mais de R$ 80 milhões de reais ao clube, ao mesmo tempo, teria acumulado uma dívida de R$ 50 milhões. Tal desentendimento entre os dirigentes causou o fim da parceria de anos em 2020. Com tantos problemas fora de campo, o São Caetano acumulou oito rebaixamentos em duas décadas em uma crise que não terá seu fim tão cedo.

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Ídolos do São Caetano lamentam situação atual do clube

Adhemar era dono de um chute poderoso. Chute esse que fez calar o Maracanã com mais de 70.000 torcedores do Fluminense na semifinal da Copa João Havelange. Na ocasião, o atacante marcou o gol que deu a classificação ao São Caetano para a final daquela competição, a primeira decisão em âmbito nacional da história do clube.

O atacante foi revelado no São José–SP e fez parte do início do projeto esportivo do clube do ABC, sendo vice-campeão brasileiro em 2000 e 2001. À Trivela, o jogador expressou sua tristeza ao ver a atual situação do São Caetano e lamentou o fato de um clube tão promissor estar prestes a acabar se nada sério for feito para salvar o time.

Adhemar conta que antes da ascensão do São Caetano passou dificuldades ao lado de outras peças importantes do elenco e cresceu junto daquela equipe, que era como uma quinta força do estado de São Paulo e fazia frente a qualquer clube grande, jogando um futebol ofensivo e de muita intensidade.

“Fico muito triste por ter participado do início daquela trajetória vitoriosa, acho que todos que participaram daquele elenco, daquele grupo, lutaram com unhas e dentes, com salários baixos, com dificuldades, sendo vice de brasileiro, vice de Libertadores, campeão paulista, disputar várias libertadores, ser um dos grandes da época, um top 5  da época do futebol brasileiro, e hoje né, por administrações e montagens de elenco ruins estamos na “banguela sem freio”, e para frear agora, para tentar segurar a situação é muito difícil”, explanou Adhemar.

 

São Caetano
Dono de um chute poderoso, Adhemar fez história no São Caetano e lamenta situação do clube. Foto: São Caetano/Divulgação

 

Claudecir foi um dos melhores volantes do país nos anos 2000. Moderno para o que a função exigia para a época, o ex-camisa cinco do São Caetano foi um dos principais nomes do time que chegou ao vice-campeonato da Copa João Havelange em 2000. Figura presente em jogos beneficentes e outros eventos esportivos, o jogador também foi ouvido pela reportagem da Trivela e expressou sua lamentação com a atual situação do clube.

O ex-meio-campista revela que em todos os jogos que participa ou mesmo quando está em encontros de torcedores é questionado sobre aquele time que fez tanto sucesso. Claudecir se diz muito grato por fazer parte daquele grupo vencedor, lembrado até hoje com muito carinho por quem acompanhou os tempos mais vitoriosos da equipe.

“Fomos um time que nos anos 2000 acabou sendo o segundo time do torcedor brasileiro. Até hoje eu converso com torcedores que eu encontro nos jogos que eu faço, jogos beneficentes, na rua. Eles falam carinho daquele time e dos jogadores que marcaram a história do futebol no Brasil. Eles lembram daqueles bons momentos que nós tivemos e essa lembrança é muito gratificante para nós”, disse Claudecir.

Diretoria do clube se silencia mediante a crise

A queda do clube do ABC Paulista para a Série A4 do Paulistão leva consigo uma parte do amor do torcedor de São Paulo pelo futebol e causa temor nos atuais dirigentes sobre o que será do futuro.

Jorge Machado, atual gestor do clube, proibiu funcionários do clube a se pronunciarem à imprensa. Segundo apuração feita pela Trivela, o São Caetano só vai se posicionar de forma oficial sobre a atual crise no final deste mês de março, em data a ser definida, quando será explanada a situação do time e o planejamento para o restante do ano.

Até lá a preocupação é encerrar o Campeonato Paulista da Série A3 de forma digna e com uma vitória em casa frente o Sertãozinho, para a partir daí pensar no que fazer para reestruturar o clube e tentar fazer do Azulão um clube temido pelos grandes novamente.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de SouzaRedator

Lucas de Souza é jornalista formado pela Universidade São Judas em São Paulo. Possui especialização em Marketing Digital pela Digital House, e passagens pelos sites Futebol na Veia e Futebol Interior.

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