Brasil

Recordista e artilheiro, Moreno quer levar Bolívia à Copa como último ato da carreira

Se aposentar levando a Bolívia à Copa após mais de três décadas é o grande sonho de Marcelo Moreno

Marcelo Moreno viverá uma noite de sexta-feira (8) histórica em Belém. Para isso, basta que ele entre em campo pela Bolívia no duelo com a Seleção, a partir das 21h30 (horário de Brasília). Assim que o apito inicial soar, o atacante passará a ser o recordista isolado em jogos pela seleção boliviana na história. Aos 36 anos, as marcas e os gols que tanto o deixam orgulho servem de combustível para que ele viva um último ato emblemático em sua longeva carreira. O sonho é levar o país natal a uma Copa do Mundo após mais de 30 anos.

Filho de pai brasileiro e com passagens por Cruzeiro (onde é ídolo), Flamengo e Grêmio, o centroavante se prepara para atuar no jogo de número 103 pela Bolívia. Assim, ele deixará para trás Ronald Raldes no ranking de partidas pela seleção.

– Não sei se Deus desenhou esse momento, porque eu comecei minha carreira no Brasil. Hoje, estou voltando ao Brasil para ser o jogador que mais vestiu a camiseta da Seleção na história. Não poderia ser melhor,. Coração dividido pelo meu pai que é brasileiro. Então, não poderia ser melhor. Eu acho que vou procurar esse golzinho, essa vitória, para que feche com chave de ouro esse momento – disse o centroavante, em entrevista exclusiva à Trivela.

“Dou muito valor porque eu sei o que é representar a Seleção por 16 anos. É difícil se manter durante muito tempo jogando Eliminatórias. Vamos atrás dos recordes, se pode falar assim. E tentar levar a Bolívia para o Mundial que é o que eu mais quero”. (Marcelo Moreno)

Os recordes tão emblemáticos são pouco perto do que Moreno pretende alcançar com a seleção. O centroavante sabe que esta é a sua última chance de levar a Bolívia para a Copa do Mundo. A última vez foi em 1994. O novo formato das Eliminatórias, aliás, ajuda. Hoje, são seis vagas diretas, além de uma vaga de repescagem, destinadas a países da América do Sul.

– Expectativa a mil, porque você tem oportunidade de ir para um Mundial. É o sonho que eu tenho, estou lutando. É a quinta Eliminatórias que eu estou tentando. Com certeza, essa é a oportunidade da nossa vida. Ganhando os jogos em casa todos, onde a gente é muito forte, existe possibilidade de classificar, sim. Há muito tempo não vejo uma seleção com jogadores jovens e de personalidade. Daqui a pouco, vamos ver vários jogadores indo para o exterior. É uma das melhores gerações que eu estou vendo. A ilusão de fazer uma boa eliminatória está aí – ressalta o centroavante.

Moreno já desbancou Messi, Suárez e Neymar

O recordista Marcelo Moreno é também o maior artilheiro da história da seleção boliviana , com 30 gols marcados. Mas são os gols que ele distribuiu ao longo dos últimos quatro anos que o fizeram alcançar uma marca talvez até mais emblemática.

A Bolívia ficou fora da Copa de 2022 no Catar. Mas Moreno acabou as Eliminatórias com o artilheiro, com 10 gols marcados. Desbancou “apenas” o trio MSN. Messi, Suárez e Neymar ficaram atrás do “Flechero”. E é justamente esse desempenho que o faz acreditar que estará na ativa em 2026.

– A gente vai ter que se cuidar o dobro, tem que ficar bem. Eu nunca imaginei que seria o goleador das Eliminatórias com 35 anos e atingi esse número em cima do Messi, do melhor do mundo, do Neymar, que é um craque, Suárez, que é o goleador máximo das Eliminatórias. Eu nunca pensei. Se eu com 35, estou fazendo gol desse jeito, vou tentar manter esses números para conseguir jogar mais anos. Vamos ver. Se eu estiver bem, eu vou continuar – disse o atacante.

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> Confira mais respostas da entrevista com Moreno:

Garotos da nova geração boliviana

Tem um time competitivo. Hoje, a gente pode competir melhor do que antes. Um padrão de jogo definido, com os meninos jogando e já tendo minutos e rodagem dentro da Seleção. Não vai ser um menino que vai vir e ter seu primeiro jogo na Seleção. Ele já teve preparação na Seleção principal, já ganhou confiança do treinador. Por isso que estão aqui hoje. Com certeza essa geração vai permanecer por muito tempo. Estou gostando muito do que estou vendo, dentro do que a Bolívia pode entregar para a Seleção. O Miguelito (do Santos) é um desses jogadores jovens que aproveita oportunidades, menino que teve oportunidade de fazer a base fora da Bolívia. O Navas, do Athletico, está convocado e teve chance de poder competir com jogadores de alto nível. É só encaixar e tentar fazer um ótimo jogo contra o Brasil também.

Dá para sonhar contra o Brasil?

É difícil. Mas a gente não veio para o Brasil se sentir derrotado. A gente vai entrar em campo e lutar, deixar tudo dentro de campo. Essa é a nossa estratégia. Brasil é um time que ataca muito, a gente tem que ter sabedoria de atacar no momento certo. A gente já fez isso em outros jogos com outras seleções. E para conseguir a vitória, tem que ser um jogo perfeito. A ilusão está aí. Vamos ter que mostrar no dia do jogo.

Grande chance de ir para a Copa

É grande oportunidade. Ano passado, a gente teve uma pequena oportunidade, foi a nossa melhor campanha das que eu participei. A gente estava ali com oportunidade de pegar uma vaga. Infelizmente, foram os jogos que a gente não jogou muito bem. Isso é aprendizado. A gente aprende com esses erros. É uma Bolívia bem mais forte, a gente vai conseguir ver já no Brasil.

Falta de estrutura do futebol boliviano

A gente não pode fazer comparações com Brasil, Argentina, Colômbia, Equador, Uruguai. Não pode comparar. Eles fizeram grandes investimentos para ter concentração da Seleção. Todas têm, e a Bolívia não tem. A gente precisa ter campo nos estádios a nível internacional. A gente vai jogar em um estádio que tem um tapete, só que a gente não tem esse tapete na Bolívia. Na Bolívia, precisa investimento e ter visão clara de que precisa ter campo de futebol para o futebol ficar mais dinâmico.

“A gente está precisando, o futebol boliviano, desse investimento. O pessoal da federação sabe. Mas estou há 16 anos e não mudou muita coisa de estrutura. Eu vejo que continua muito parecido com antes. Eu sei que é por falta de investimento”. (Marcelo Moreno)

Isso ajudaria muito. O Fernando Costa, presidente da federação, a gente conversou. Tem plano para fazer o prédio da seleção. Ele quer ajudar o futebol boliviano, mas não depende só dele. Precisa de outras assinaturas para ter a decisão final. Obviamente que quando você investe, consegue levar grandes treinadores. A ideia está clara. Só falta iniciar o processo, porque jogadores de qualidade tem. Mas a estrutura, é como se a gente não tivesse e vai competir contra seleções que tem tudo. Mesmo assim, a gente compete.

Bolívar City é exemplo?

É um modelo que pode ajudar muito, só que não acho que todos os clubes façam isso. Os que fizerem, vão sair na frente. Poder contratar melhor, vão ter entradas e venda de ingressos maior, investidores vão participar. No futebol, a gente não faz nada sem dinheiro. Hoje, o Bolívar é o clube mais bem estruturado na Bolívia. A nível internacional. Tem estrutura top. Estão sempre querendo evoluir, porque tem estrutura. Ajuda a se preparar melhor.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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