Brasil

Milito aprenderá que, no Brasil, jovens estreiam na fogueira e não só quando preparados

Milito citou que jovens do Sub-20 não estão prontos, mas a necessidade de subir jogadores no Atlético é maior do que isso

Cada vez com mais desfalques no Atlético-MG, Gabriel Milito é sempre questionado sobre subir jogadores da base para completar o time. Ele afirma que não vê nenhum jovem preparado para isso. Mas ele vai entender que, na maioria das vezes no Brasil, infelizmente, os atletas da base ganham chance na fogueira e não quando já estão preparados.

O discurso de que jovens precisam passar por uma transição correta, de subirem aos poucos, treinarem com o profissional, irem aos jogos, entenderem como funciona e aí, sim, começarem a ser utilizados é ótimo. Mas, infelizmente, não é o que acontece geralmente no Brasil.

O comum no futebol brasileiro é vermos garotos da base atuando por necessidade, seja como a esperança de um “fato novo” que vai ajudar o time em um momento difícil, ou quando não há atletas na posição disponíveis.

Há um exemplo no próprio Atlético, que é Alisson. Destaque no Sub-20, ele estreou em 2023 com Felipão sob as duas situações citadas acima: falta de jogador e necessidade de um fato novo.

O Galo, em má fase, perdia em casa para o Corinthians e não tinha muitas opções ofensivas, então Scolari o acionou. O mesmo cenário contra o Grêmio, duas rodadas depois.

Momento do Atlético é de total necessidade da base

Gabriel Milito não terá nenhum volante à disposição no próximo jogo, por exemplo. A zaga e o ataque já precisam se abastecer de crias do clube, e o banco, sem dúvida, vai precisar dos que ainda estão no Sub-20, mesmo que o técnico argentino entenda que eles ainda não estão prontos.

— Eu não gostaria de colocar um jogador que está em processo formativo para jogar na elite. Prefiro convocar aos jogos os jogadores que considero que podem jogar. Temos que ter 23 jogadores só para completar 23? Não. Temos que competir com o que considero que estão prontos para isso — afirmou Milito.

Para o jogo contra o Palmeiras, Milito só tem três zagueiros à disposição, sendo que um deles já é o jovem Rômulo.

Na volância, pode ser que o também jovem Paulo Vitor volte de lesão, mas são três meses dele, que já tem pouca experiência no profissional, fora de ação.

No setor ofensivo, Alisson, de 18 anos, e Cadu, de 20, já são titulares nesse momento. Mas ele vai precisar de mais da base.

Quem dá base pode subir ao profissional?

Diante do cenário que vive, Milito deve ter só cinco ou seis jogadores de linha no banco no próximo jogo. A maioria, atacantes. Por isso, será necessário que o treinador coloque alguns atletas do Sub-20 na reserva.

O problema é que, quem mais se destacou na base do Atlético recentemente, já faz parte do time principal (Rômulo, Paulo Vitor, Alisson, Cadu e Isaac).

Diante disso, até faz sentido Milito dizer que não vê ninguém pronto no momento, pois os “prontos” já estão jogando com ele. Mas, novamente, ele vai entender que agora se trata de necessidade e não de preparação.

Eu gostaria de ter mais jovens, mas há um processo de formação para competir no nível que exige a primeira divisão do Brasil. Eu amo que os jovens joguem, mas, temos que sentir que estão preparados. Vou colocá-los quando sentir que estão preparados, sabendo que eles ainda tem muito a melhorar, mas considerando que eles já tem o mínimo necessário para competir — Gabriel Milito.

Os nomes que atendem a necessidade da posição e podem figurar no banco do time principal são do zagueiro Renan, canhoto e com ótima saída de bola, e dos meias Caio Ribas e Vitinho, que podem fazer uma função mais defensiva. Zé Phelipe era outro possível, mas está lesionado. Alguns desses jovens já estão completando treinos no profissional.

Vitinho treinando entre os profissionais do Atlético na última semana (Pedro Souza/Atlético)

Elenco disponível do Atlético

  • Goleiros: Matheus Mendes e Gabriel Delfim;
  • Defensores: Mariano*, Saravia, Bruno Fuchs, Rômulo, Rabello;
  • Volantes: Paulo Vitor*;
  • Meias: Igor Gomes, Pedrinho, Robert Santos, Alisson e Scarpa;
  • Atacantes: Paulinho, Hulk*, Cadu, Isaac, Kardec e Palácios.
    *Voltando de lesão, podem não estar disponíveis
  • Provável escalação contra o Palmeiras: Matheus Mendes; Saravia, Igor Rabello, Rômulo e Bruno Fuchs (improvisado como volante); Igor Gomes, Pedrinho, Scarpa e Alisson; Paulinho e Cadu (Hulk).
  • Prováveis reservas: Gabriel Delfim (G), Mariano* (D), Paulo Vitor* (V), Robert (M), Cadu* (A), Isaac (A), Kardec (A) e Palacios (A)

Não é culpa de Milito

É importante o torcedor do Atlético entender que, a opção por não utilizar os jogadores que hoje estão no Sub-20, não é necessariamente culpa de Milito. Na verdade, quase não é culpa do próprio Galo.

O Sub-20 deu cinco jogadores ao profissional do Atlético em 2024, o que já é um ótimo número. Nenhuma base no mundo consegue gerar 11 jogadores por temporada para o time profissional. É natural que o Galo não tenha mais opções prontas no momento.

Isaac e Cadu, dois destaques da base em 2023 que já fazem parte do profissional em 2024 (Pedro Souza/Atlético)

O único detalhe que poderia ajudar a mudar essa história um pouco, era o clube ter aproveitado mais o Campeonato Mineiro para testar mais jogadores, ver como eles se sairiam no profissional, mesmo que fosse contra adversários mais fracos.

Mas, como citado, o contexto exige que Milito e o Atlético subam jogadores neste momento, pelo menos para completarem o banco de reservas. É a necessidade diante de não ter, por exemplo, nenhum volante à disposição.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
Botão Voltar ao topo