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Melhor brasileiro na atualidade, Coutinho estende ótima fase à Seleção

Coutinho pegou a bola pela esquerda do ataque. É o seu habitat natural, onde consegue desenvolver melhor suas habilidades. Nem sempre faz a mesma coisa. Gosta de mudar de direção, abrir com o lateral e enfiar a bola nas costas da defesa. Mas tem sua jogada característica: puxar para a perna direita e mandar um chute forte, colocado e com curva no ângulo do goleiro. Tão previsível quanto difícil de ser marcado. Já marcou uma dezena de vezes dessa forma pelo Liverpool. A novidade é que, nesta quinta-feira, realizou sua ação favorita com a camisa da seleção brasileira, contra a Argentina, no Mineirão.

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O gol de Coutinho abriu o caminho para a vitória categórica da equipe de Tite por 3 a 0, que até então se encontrava em uma partida complicada contra a Argentina. Na seleção brasileira, ele não costuma atuar na sua posição natural por causa de Neymar, que também come, bebe e dorme na ponta esquerda. Mas se movimentou com inteligência, apareceu na região aos 25 minutos do primeiro tempo e acertou um lindo chute. Um prêmio que o brasileiro recolhe na melhor fase da sua carreira.

O ponto de virada de Coutinho foi quando chegou ao Liverpool, em 2013. Teve boas atuações na campanha do vice-campeonato da Premier League e cresceu de produção com as saídas de Suárez, Sterling e Gerrard – e as lesões de Sturridge -, tornando-se o principal jogador da equipe. No começo do trabalho de Jürgen Klopp, deu sinais de que ainda tinha muito a evoluir e vem comprovando esse potencial com atuações irretocáveis atrás de atuações irretocáveis nesta temporada.

O Liverpool, líder do Inglês, está uma máquina de gols, um dos melhores setores ofensivos das principais ligas europeias. O quarteto tem Firmino, Mané, Lallana e Coutinho, o maestro da orquestra. Tem cinco gols e cinco assistências em 11 partidas pela Premier League, além dos lances que não aparecem nas estatísticas: o drible que quebra a defesa, as arrancadas, os penúltimos passes e outras grandes ações. São 25 toques para finalização no Campeonato Inglês, o que o coloca em sexto lugar no ranking do torneio. Tem, por exemplo, apenas um a menos que Mesut Özil, o armador por excelência do Arsenal.

A grande evolução de Coutinho tem sido a regularidade. Ele sempre teve lapsos de brilhantismo com a camisa do Liverpool, mas tem conseguido jogar muito bem quase toda semana. Por exemplo: fez pelo menos um gol ou deu uma assistência em seis dos dez jogos que começou como titular na Premier League. Nas últimas três rodadas, foi bem contra o West Brom e comeu a bola diante de Crystal Palace e Watford. Também tem ido bem nos grandes jogos. Marcou duas vezes no Arsenal e anotou outro tento no duelo com o Chelsea.

Nesse contexto, o golaço de Coutinho contra a Argentina não é nada além de uma extensão do seu ótimo momento pelo clube e a retribuição da confiança que Tite depositou nele, titular nas últimas três partidas do Brasil pelas Eliminatórias Sul-Americanas. No Mineirão, talvez só tenha sido pior que Neymar. Fez o gol, deu dois toques para finalização e acertou 88% dos passes que tentou. Não foi tão brilhante quanto pode ser. Mas foi decisivo no momento mais difícil do jogo.

O melhor jogador brasileiro é Neymar, sem discussão. Mas o craque do Barcelona não tem conseguido atuações tão brilhantes com regularidade pelo seu clube, ao contrário de Coutinho na Inglaterra. Atualmente, pelo que todos apresentaram nas últimas semanas, nenhum brasileiro está jogando mais do que o camisa 10 do Liverpool.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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