Brasil

Meio caminho andado

Ainda que existam cinco jogos pendentes, o Campeonato Brasileiro completou sua décima-nona rodada, finalizando o primeiro turno com o São Paulo à frente, olhando todos do retrovisor após sete vitórias consecutivas. O período que divide o torneio ao meio é momento propício para um resumo geral e uma constatação: o favoritismo dos são-paulinos é maior a cada dia.

Seleção do campeonato: Diego Cavalieri, Wagner Diniz, Thiago Silva, Miranda e Jorge Wagner; Rodrigo Souto, Richarlyson, Valdívia e Paulo Baier; Josiel e Dodô.

Confira um pouco sobre cada clube. Outros detalhes na próxima coluna.

SÃO PAULO 

Artilheiro: Borges – 5 gols
Quem foi bem: Rogério Ceni, Jorge Wagner, Miranda, Breno e Richarlyson
Quem não foi bem: Jadílson
Quem de importante saiu: Ilsinho

O São Paulo iniciou o campeonato em meio à traumáticas eliminações – no Paulista e na Libertadores – e supostas interferências do presidente nas escalações de Muricy Ramalho, também com o pescoço a prêmio, inclusive nesta coluna. Dispondo de um ótimo e versátil elenco, e isso também é mérito do treinador, o clube se reergueu na tabela, especialmente em julho e agosto, onde os rivais sofreram pela falta de opções no plantel.

Ao vencer o Botafogo e o Grêmio fora de casa, em um intervalo de quatro dias, o São Paulo já dominava a maior sequências de vitórias do campeonato e dava passos largos para terminar o primeiro turno com 7 pontos – e um jogo a mais – que o segundo colocado. Respaldado na imbatível defesa, com média de 0,36 gol sofrido por jogo, a equipe do Morumbi desponta como maior favorita, mesmo que não encante.

BOTAFOGO

Artilheiro: André Lima – 11 gols
Quem foi bem: Juninho, Joílson, Lúcio Flávio, Jorge Henrique, Dodô e André Lima
Quem não foi bem: Júlio César e Zé Roberto
Quem de importante saiu: ninguém

Clube que mais liderou a competição, doze rodadas, o Botafogo foi também quem mais encheu os olhos. No Campeonato Brasileiro, o técnico Cuca mostrou em cenário nacional seu interessante 3-4-3 e o Brasil, como em 2006, se rendeu a Dodô. Vitórias convincentes, como contra Internacional e Vasco, faziam do alvinegro o maior candidato ao título em boa parte do turno.

Após o episódio Dodô e os problemas com Júlio César e Zé Roberto, tem sido nítida a queda do Botafogo, que só ganhou um de seus últimos cinco jogos. Como em Caio Martins viver grandes dramas é habitual, Cuca precisará fazer o time renascer. E tem dois bons reforços em mãos: Athirson e Reinaldo. 

CRUZEIRO

Artilheiro: Roni – 7 gols
Quem foi bem: Fernandinho, Wagner, Ramires, Guilherme e Roni
Quem não foi bem: Gatti, Léo Fortunato e Hérick
Quem de importante saiu: Araújo, Renan, Luizão e Gladstone

Outro a iniciar o campeonato em crise, o Cruzeiro dava sinais iniciais de brigar mais pela permanência do que pelo título. Rapidamente, Dorival Júnior conseguiu dar cara e filosofia de jogo para a equipe, hoje melhor ataque do Campeonato Brasileiro. Time agradável de se ver, esse celeste atual tem ainda atraído e muito a simpatia dos torcedores.

Analisando a evolução dos times dentro do campeonato, é o Cruzeiro quem desponta como eventual adversário do São Paulo na briga pelo título. Para isso, Dorival Júnior deverá, primordialmente, dar mais solidez ao sistema defensivo, calcanhar de aquiles na Toca da Raposa.

VASCO 

Artilheiro: Leandro Amaral – 5 gols
Quem foi bem: Sílvio Luiz, Vílson, Wagner Diniz, Perdigão, Conca e Leandro Amaral
Quem não foi bem: Romário e Morais
Quem de importante saiu: Abedi e André Dias

Absolutamente a maior surpresa do campeonato. Com elenco taxável como rebaixado, o Vasco do não menos duvidoso Celso Roth, tem feito belíssimas partidas, contando inclusive com bom desempenho do treinador com fama de retranqueiro. Calcada pelo desempenho dentro de casa, a campanha vascaína tem uma marca: o clube dificilmente perde chances de pontuar, quando deve o fazer.

Com um time combativo e veloz, inicialmente taxado de violento, o Vasco tem mostrado fôlego suficiente para se manter entre os primeiros e de repente apagar a decepção de 2006, chegando enfim na zona da Libertadores. Isso é possível, especialmente se for considerada a volta de Morais e a entrada de Andrade no meio-campo.

PALMEIRAS

Artilheiro: Valdívia – 5 gols
Quem foi bem: Diego Cavalieri, Wendel, Martinez, Valdívia e Edmundo
Quem não foi bem: Alex Afonso e Cristiano
Quem de importante saiu: Michael

Terminar o turno na quinta posição talvez soe como satisfatório para a campanha palmeirense. Enfiado em muitos altos e baixos, o time de Caio Júnior pode vislumbrar um degrau a mais na tabela, desde que consiga dentro de casa, os resultados que tem trazido na bagagem.

Taticamente, o Palmeiras possui variantes para jogar nas mais alternadas situações, e isso é mérito do treinador, que também contornou bem situações delicadas com Edmundo. Ainda assim, Caio Júnior precisa trazer a torcida para si, e só assim o clube pode se desgarrar dos que vem atrás: o Sport, décimo colocado, só tem três pontos a menos.

GOIÁS

Artilheiro: Welliton – 6 gols
Quem foi bem: Élson, Paulo Baier, Felipe e Welliton
Quem não foi bem: Fabrício Carvalho e Fabiano Oliveira
Quem de importante saiu: Welliton

O Goiás é dos clubes que, pode se dizer, fizeram bem ao trocar de treinador. Bonamigo, contratado às vésperas do campeonato, deu outra perspectiva ao esmeraldino. Trouxe de volta o seguro 3-5-2 e acertou ao mandar Paulo Baier para o meio. Entretanto, a perda de Welliton pode tirar o gás que todos precisarão no final: o centroavante era o craque do time.

GRÊMIO

Artilheiros: Diego Souza e Tuta – 4 gols
Quem foi bem: Diego Souza, Gavilán e Carlos Eduardo
Quem não foi bem: Amoroso, Tuta, Schiavi e Patrício
Quem de importante saiu: Lucas e Lúcio

Só na reta final do turno o Grêmio deu a sensação de estar focado pelas primeiras posições. Sem Lucas e principalmente Lúcio, o técnico Mano Menezes precisou também se desdobrar para suprir as enormes deficiências de elenco e a ainda ativa campanha da Taça Libertadores. Aparentemente subindo, e com vocação para brigar pelos primeiros lugares, os gremistas são candidatos a abocanhar posições mais altas na tabela, principalmente se ficarem com Carlos Eduardo.

SANTOS

Artilheiro: Marcos Aurélio – 7 gols
Quem foi bem: Rodrigo Souto, Pedrinho, Marcos Aurélio, Kléber e Kléber Pereira
Quem não foi bem: Maldonado e Carlinhos
Quem de importante saiu: Zé Roberto e Cléber Santana

Após a goleada sofrida contra o Vasco, a equipe santista se viu totalmente sem rumo na competição. Com um elenco remodelado às pressas, Vanderlei Luxemburgo encontrou uma formação ideal e rapidamente colocou o Santos no rumo das vitórias. Se contar logo com Maldonado e seguir em evolução, além de eventualmente tirar algo de bom de Petkovic, o clube pode também entrar na briga pela Libertadores.

INTERNACIONAL

Artilheiro: Adriano – 6 gols
Quem foi bem: Marcão, Alexandre Pato, Pinga e Adriano
Quem não foi bem: Fernandão, Renan e Edinho
Quem de importante saiu: Alexandre Pato

A aposta em Alexandre Gallo, cru demais para um trabalho da dimensão do Internacional, possivelmente foi crucial para as pretensões do clube. Não que o treinador tenha deixado os colorados em situação horrível, mas a força dos oito times à frente, além da venda de Pato, dá a impressão de que um lugar entre os quatro primeiros já será mais do que bem vindo no Beira Rio.

SPORT

Artilheiro: Carlinhos Bala – 8 gols
Quem foi bem: César, Diogo, Carlinhos Bala e Durval
Quem não foi bem: Gustavo, Du Lopes e Cléber
Quem de importante saiu: Fumagalli, Vítor Júnior e Luciano Henrique

Na primeira rodada, o Sport ratificou com uma goleada a sensação de que brigaria na metade de cima da tabela. Após um período ruim sob o comando de Giba, o clube pernambucano voltou a dar alegrias ao torcedor mais presente da Série A, fazendo grandes jogos em casa e trazendo outros pontos na bagagem. É possível se manter entre os primeiros.

FLUMINENSE

Artilheiro: Thiago Neves – 5 gols
Quem foi bem: Thiago Neves, Thiago Silva, Luiz Alberto e Carlinhos
Quem não foi bem: Romeu e Cícero
Quem de importante saiu: Carlos Alberto

Conviver com a garantia da classificação para a Libertadores foi, em alguns momentos, uma situação bem encarada pelo Fluminense no Brasileiro. No último terço do primeiro turno, porém, o desempenho do ataque caiu sensivelmente e Renato Gaúcho fez escolhas criticáveis, não conseguindo dar cara de time a um dos melhores elencos do país. A tendência é se manter com morosidade pelo meio da tabela, mas a tarefa é construir algo útil para 2008.

ATLÉTICO MINEIRO

Artilheiros: Danilinho, Eder Luís e Marcos – 4 gols
Quem foi bem: Coelho, Diego, Danilinho e Rafael Miranda
Quem não foi bem: Galvão, Tchô e Thiago Feltri
Quem de importante saiu: Diego e Lima

Na volta para a primeira divisão, o Atlético Mineiro tem sentido na carne a disparidade de nível entre as Séries A e B. O elenco é jovem, restrito e inexperiente. A escolha por Zetti passou longe de surtir efeito, tendo o treinador novamente decepcionado por um clube forte. Sem dinheiro para gastar, o time deve se manter o mesmo, apostando na capacidade que Emerson Leão tem de tirar suco de grupos comprometidos e limitados. Nada que pareça capaz de subir muito na tabela.

PARANÁ CLUBE

Artilheiro: Josiel – 12 gols
Quem foi bem: Luís Henrique, Beto e Josiel
Quem não foi bem: Egídio, Lima e Joélson
Quem de importante saiu: Xaves, Gérson e Marcos Leandro

Em dez das dezenove rodadas do Campeonato Brasileiro, o bom Paraná Clube se manteve entre os quatro primeiros, o que lhe garantiria a permanência entre os melhores do Brasil. Especialmente após a vinda de Gílson Kleina, o clube colecionou uma série de resultados ruins e foi atropelado pelos concorrentes. Se manter o goleador Josiel, além de encontrar o rumo – com ou sem Kleina – os paranistas podem voltar à briga. Mas é dificil encontrar quem aposte nisso.

FIGUEIRENSE

Artilheiro: Peter – 4 gols
Quem foi bem: Felipe Santana, Édson, Henrique, Peter e Otacílio Neto
Quem não foi bem: Wilson e Ramón
Quem de importante saiu: Henrique e Vítor Simões

O limitado elenco do Figueira, recheado por jogadores jovens e/ou ascendentes, tem dado a sensação de que faz o possível com o 14ºlugar da tabela. Mesmo assim, com os jogadores que perdeu e com escolhas mais simples, Mário Sérgio poderia alcançar a metade de cima da classificação. Contudo, se ficar onde está, o Figueirense já terá cumprido seu papel.

CORINTHIANS

Artilheiro: Clodoaldo e Finazzi – 3 gols
Quem foi bem: Felipe, Zelão, Marcelo Oliveira e Willian
Quem não foi bem: Édson, Wellington, Finazzi e Kadu
Quem de importante saiu: Betão

Conviver com os problemas internos tem sido uma situação bem contornada por Carpegiani, que entretanto, tem um elenco irregular – especialmente na parte mental -em mãos. Após brigar na parte de cima da tabela, o Corinthians colecionou 10 jogos sem vitória e viveu seu momento mais crítico na temporada. Hoje, somando os dois períodos, a sensação é de que a aposta mais segura é uma posição intermediária.

ATLÉTICO PARANAENSE

Artilheiro: Alex Mineiro – 8 gols
Quem foi bem: Edno e Alex Mineiro
Quem não foi bem: Guilherme, Netinho, Kaio e Alan Bahia
Quem de importante saiu: Dênis Marques

A escolha por Antônio Lopes se mostrou no mínimo simplista e determinante para a pífia campanha do Atlético Paranaense, que tem até um elenco razoável. O treinador coleciona uma série de resultados ruins, à medida que mantém e aperfeiçoa seu polido discurso de “temos problemas”, “fomos prejudicados pela arbitragem” e “estamos melhorando”. É verdade que sem Alex Mineiro, contundido, e Dênis Marques, negociado, a situação piorou muito e é preocupante. Mas a mudança deve começar pelo banco de reservas.

NÁUTICO

Artilheiro: Acosta – 7 gols
Quem foi bem: Toninho, Elicarlos e Acosta
Quem não foi bem: Kuki, Gléguer e Marcel
Quem de importante saiu: ninguém

A notável reação do Timbu, já apontada na última coluna, deu algum respiro mas ainda não é suficiente para deixar a zona da degola para trás. Na verdade, o Náutico precisará mostrar muito mais regularidade e se manter na primeira divisão, especialmente por isso representar, é bem provável, a queda de um grande. Aproveitar o fator casa é um ponto a ser explorado.

JUVENTUDE

Artilheiro: Marcão – 4 gols
Quem foi bem: Éber, Marcão e Michel Alves
Quem não foi bem: Barão, Marabá, Leonardo Silva, Da Silva e Zé Rodolpho
Quem de importante saiu: ninguém

Parece que a hora do Juventude chegou. Após 11 anos na primeira divisão, com campanhas bastante razoáveis, o elenco atual é bem limitado e não parece ter força para superar a difícil situação em que se encontra. A torcida, mais ausente da Série A, parece já ter se dado conta disso.

FLAMENGO

Artilheiros: Juan, Léo Medeiros, Leonardo, Leonardo Moura, Renato e Ronaldo Angelim – 2 gols
Quem foi bem: Juan e Leonardo Moura
Quem não foi bem: Irineu, Bruno, Souza e Renato Augusto
Quem de importante saiu: Renato e Paulinho

A desculpa dos jogos a menos não serve mais para amenizar a situação do Flamengo. Foram apenas três vitórias em 15 jogos, marca digna de rebaixamento. A vinda de Joel Santana não mostrou o efeito imediato que se esperava, e o clube precisará reecontrar o rumo que tinha no primeiro trimestre do ano. Mas o plantel já é bem diferente.

AMÉRICA

Artilheiros: Édson Borges – 4 gols
Quem foi bem: Arlon e Paulo Isidoro
Quem não foi bem: Renê, Márcio Goiano, Frontini, Geovane e Carlos Eduardo
Quem de importante saiu: ninguém

Uma vitória em casa, pior defesa e pior ataque, doze pontos a menos que o primeiro clube fora da zona de rebaixamento, 37 jogadores utilizados e, até mesmo, um péssimo gramado para se jogar. Não há argumentos, além da ainda insuficiente matemática, capazes de decretar algo diferente da lanterna e da volta para a Série B que deve marcar a vida do América em 2007.

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Equipe Trivela

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