Brasil

Mayke está voltando, e Abel deve tentar acomodá-lo no time sem sacar Rocha: o que o Palmeiras ganha e perde?

O técnico do Palmeiras é fã de seus dois laterais direitos, e tem algumas hipóteses ppara mantê-los no time

Abel Ferreira gosta de elencos mais enxutos, para poder dar chances à maior parte dos jogadores e diminuir o descontentamento. Mas, na hora de decidir, ele normalmente recorre às “bolas de segurança”. Marcos Rocha e Mayke estão nessa categoria.

Mayke está em fase de transição, recuperando-se de lesão muscular na coxa direita. Deve estar de volta para as quartas do Paulista.

O normal seria trocar um lateral pelo outro. E isso até pode vir a acontecer, de fato. Mas conhecendo o técnico português, antes de chegar a isso, ele vai pensar maneiras de colocar ambos em campo como titulares pelo Palmeiras.

A confiança do treinador em Mayke é tanta que, quando perdeu Dudu, no ano passado, sua primeira – e longeva, embora improdutiva – ideia foi colocá-lo no ataque. Desse modo, ele podia trazer Rocha para a equipe.

Hoje, pelo fracasso na Copa Libertadores do ano passado, somado ao sucesso no Campeonato Brasileiro, tal hipótese parece descartada. Assim, o técnico vai ter de pensar outras opções.

Mayke vinha sendo um dos melhores do time – foi o melhor na Supercopa, por exemplo, quando se lesionou. E Rocha entrou bem no time. Com a lesão de Gustavo Gómez, Rocha, inclusive, assumiu a braçadeira de capitão.

Os números do camisa 2, para além do apreço de Abel, justificam sua permanência. O veterano tem cinco assistências na temporada, liderando o fundamento no Palmeiras.

Rocha zagueiro no 3-5-2: vantagens na saída

Para fazer a dobradinha, Abel tem algumas opções. A primeira, usada com mais frequência, é escalar Rocha como zagueiro pela direita, no 3-5-2.

Sem Gómez, o camisa 2 atua com a função de chegar no apoio ao ataque e na cobertura pelo lado do campo, liberando Mayke para ser praticamente um ponta.

É o esquema de jogo que levou o Palmeiras para o título do Campeonato Brasileiro de 2023. E com Luan como zagueiro centralizado, em vez de Gómez, o time melhora bastante sua saída – bem como no apoio pela direita, com o próprio “zagueiro Rocha”.

Marcos Rocha treina na Accademia de Futebo observado por Breno Lopes e Zé Rafael (Cesar Greco/ Palmeiras/ by Canon)

Rocha zagueiro no 3-5-2: qual volante sai do time?

O palmeirense está compreensivelmente encantado com o futebol de Aníbal Moreno. Richard Ríos também evolui a cada jogo. E Zé Rafael dispensa argumentos a seu favor.

Mas para o time ter três zagueiros, e Rocha ter espaço, o caminho mais lógico é um dos três perder o lugar na equipe. Em que pese o esquema com o trio de volantes ter oscilado contra o Mirassol, é uma alternativa interessante, se bem treinada.

Seria inteligente interromper essa evolução?

Rocha zagueiro em uma linha de 4 e três volantes

Outra hipótese seria Rocha ser de fato um zagueiro numa linha de 4, ao lado de Murilo. Só faria sentido se Abel quisesse muito mesmo que Rocha ficasse na equipe com a volta de Mayke.

O camisa 2 já jogou assim, contingencialmente. Mas abrir mão de Luan só para Rocha jogar parece muito até para um técnico que realmente o aprecia com intensidade.

Desse modo, por outro lado, os três volantes podem seguir no time.

Abrir mão de um atacante

Flaco López comeora gool diante do Red Bull Bragantino, no Paulista de 2024, com Moreno e Menino (Foto: Cesar Greco/ Palmeiras/ By Canon)

Por fim, existe a hipótese de se manter o esquema com três zagueiros e três volantes que brilhou contra o Ituano e o Corinthians (resultado à parte), mas indo além: jogar com apenas um atacante nato.

Nesse caso, Zé Rafael vira um homem de armação com mais força, mas Flaco ou Endrick perdem a titularidade – Veiga se tornaria um segundo homem de ataque, quase um falso 9.

Em momentos dos jogos, isso já ocorreu, e o time começou assim contra o Ituano, Com Ríos e Zé como meias avançados. Mas vale a pena sacar um dos homens de frente para ter Mayke e Rocha?

Avaliando com calma todas as hipóteses, manter um dos dois laterais no banco aparece como a hipótese mais lógica. Mas, para o bem e (poucas vezes) para o mal, Abel normalmente não pega os caminhos mais fáceis.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
Botão Voltar ao topo