Guerra e sacrifício: Maycon explica excesso de lesões desde o retorno ao Corinthians
Em entrevista exclusiva à Trivela, o volante revelou que algumas das lesões que teve últimos anos foi após ser exposto mesmo quando não estava em plena condição física
Quando voltou ao Corinthians, em 2022, a expectativa era que Maycon sobrasse no futebol brasileiro.
Ele vivia o melhor momento da carreira, defendendo o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e só regressou ao Brasil por conta da guerra no leste europeu entre russos e ucranianos.
Quatro anos depois, porém, ele não atingiu as expectativas de quando retornou ao Timão. E isso passa diretamente pela série de lesões que ele teve no período.
Dos casos mais “simples”, como o problema muscular na coxa direita que sofreu em julho, até a complexa ruptura do ligamento cruzado anterior que sofreu em abril de 2024 e o tirou de combate por quase um ano, Maycon passou 469 dias no departamento médico corintiano desde que voltou ao clube que o revelou.
Por sua vez, o jogador garante que todas as lesões que sofreu possuem explicações que ele optou por não externar na época em que ocorreram.
– Não coloco a culpa em ninguém, a gente está sujeito a tudo, e o jogador de futebol tem esse entendimento. Mas se a gente for ver, todos os momentos que eu me machuquei tem sempre um motivo. E eu nunca vou vir falar porque foi isso, plano A, por conta disso ou aquilo. Sempre assumo a responsabilidade, mas é claro que isso atrapalhou um pouco o meu retorno ao clube – disse Maycon em entrevista exclusiva à Trivela.
Período de guerra contribuiu para problemas físicos de Maycon na volta ao Corinthians
A guerra entre Rússia e Ucrânia interferiu diretamente na carreira de Maycon. Ele tinha 24 anos quando iniciou o conflito no leste europeu.
Na época, o volante vivia o melhor momento da carreira e era ventilado em clubes do primeiro escalão na Europa.
Nenhum deles, porém, exerceu a contratação do jogador à época utilizando as cláusulas da guerra. E isso tem a ver com a proximidade do período com o fim da temporada europeia.
Tanto que a projeção quando Maycon é emprestado ao Corinthians, em março de 2022, era que ele fosse negociado três meses depois, na janela de transferências, e voltasse para a Europa.
No entanto, a forma como interrompeu drasticamente a temporada e regressou ao Brasil atuando rapidamente, sem tempo hábil de preparação, foi o início da derrocada física do volante.

– Eu volto de uma guerra em que fico quase seis semanas sem treinar com o grupo. Claro que a gente faz uma parte de academia, mas sem o treino específico de preparação para o jogo. Retorno e depois de quatro ou cinco dias eu já estava estreando, 45 minutos, na altitude. E aí a gente embala uma sequência grande de jogos e vem desencadeando algumas coisas que o corpo não está preparado – declarou Maycon à Trivela.
A reestreia do meia pelo Corinthians aconteceu no primeiro jogo da Libertadores em 2022. A equipe alvinegra foi derrotada por 2 a 0 pelo Always Ready, da Bolívia, em La Paz.
Maycon começou entre os reservas, entrou no intervalo, e atuou por pouco mais de 45 minutos.
Cinco dias depois, ele foi titular na vitória corintiana por 3 a 1 sobre o Botafogo, no Rio de Janeiro, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro.
– O jogador não tem tempo de se recuperar 100%. A gente se recupera, aí tem as maratonas, a gente tem que se adaptar e voltar aos jogos 100%. Na equipe que eu estou não cabe 80%, 90%, tem que dar 110%, 120% da disposição que você tem em campo. E às vezes essas pequenas lesões que eu vinha tendo eram por conta disso – comentou Maycon.
Maycon admite que a guerra também teve impacto na sua parte psicológica. No entanto, ele avalia que a esposa e os filhos foram mais afetados neste sentido.
– Psicologicamente afetou um pouco. Afetou mais a minha família, principalmente o meu filho. O meu filho maior não tinha entendimento total do que acontecia, mas tivemos relatos na escola de coisas de que ele relatava lá e nunca falou para a gente, mas falou na escola, que passou para a gente. Então, ele tinha coisas que viveu na guerra e foi trazido. A minha esposa teve um pouco disso também. Eu tive menos, mas talvez porque já voltei para o Corinthians e tive esse turbilhão de emoções – contou Maycon à Trivela.
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Maycon revela que sofreu algumas lesões após jogar no sacrifício pelo Corinthians
As seis semanas sem jogar enquanto fugia da guerra no leste europeu fizeram com que a temporada de 2022 do jogador fosse marcada por uma série de lesões.
Foram quase 100 dias no departamento médico naquela temporada. Primeiro, por conta de uma lesão muscular na coxa direita. Depois, devido a uma fratura no segundo dedo do pé esquerdo.
Devido a uma série de lesões sofridas no decorrer de 2022, a janela de transferência no fim daquele ano não se mostrou sugestiva a Maycon, que renovou o empréstimo com o Corinthians pela primeira vez – o que aconteceria em outras três oportunidades.
Em 2023, porém, o jogador teve mais oportunidades. Foi a temporada em que ele mais entrou em campo na carreira, empatada com 2017, com 58 atuações.
Regularidade que teve muito a ver com o trabalho do fisioterapeuta Bruno Mazziotti, que havia regressado ao Corinthians naquele ano para comandar o núcleo de saúde e performance do clube.

– Essas lesões vêm se desencadeando em 2022, um pouco em 2023. Mas em 2023 eu consigo jogar bastante, muito porque o Bruno Mazziotti me deu uma condição muito boa para atingir esses níveis – disse Maycon.
O pior, porém, acontece no início de 2024. Em abril, durante um jogo contra o Juventude, em Caxias, pela segunda rodada do Brasileirão, o volante rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito.
Ele já havia rompido os ligamentos do joelho esquerdo em duas oportunidades anteriores na carreira: durante a formação no Corinthians e em 2019 pelo Shakhtar.
– No dia que eu tive a lesão, no jogo contra o Juventude, foi um dos dias mais difíceis da minha vida – revelou Maycon em entrevista exclusiva à Trivela.
Na época, o jogador somava a boa sequência de jogos da temporada anterior com uma disputa de Campeonato Paulista regular sob o comando do técnico António Oliveira.
No entanto, Maycon tinha sofrido outra lesão, essa muscular, duas semanas antes de romper o ligamento em Caxias do Sul.
Na ocasião, ele não tinha condições plenas de ir para um jogo contra o São Bernardo, no ABC Paulista, pela Copa do Brasil. Ele não estava plenamente recuperado, mas foi relacionado devido ao caráter eliminatório da partida.
Maycon, porém, sentiu a coxa durante o aquecimento e foi cortado da partida.
– Anteriormente a essa lesão, eu tive uma lesão na coxa contra o São Bernardo. Eu vinha de um incômodo pequeno, mas aquele jogo era único da Copa do Brasil, onde o clube precisava passar. Eu não tinha condições de jogar aquele jogo. Fui para o jogo sabendo que tinha um risco grande e acabo me lesionando no aquecimento – revelou o volante à reportagem.
Quando voltou, justamente no jogo contra o Juventude, o atleta também não estava totalmente recuperado da lesão.
– Já estava curado, mas não 100%, mas o clube precisava de pontos no Brasileiro. Era o início, mas a gente sabia que era um Brasileiro arriscado para o clube, pela reformulação que teve. A gente sabe que no Campeonato Brasileiro todo ponto é importante e a gente vinha de um empate com o Atlético-MG em casa, a gente vai para o jogo (contra o Juventude) e eu acabo me lesionando – contou Maycon.
Futuro de Maycon no Corinthians é incerto
Por não retomar a boa fase desde que chegou ao Corinthians, Maycon tem acumulado renovações de empréstimos com o Timão.
O último, tem validade até dezembro e ainda não houve conversas para renovação.
O vínculo do atleta com o Shakhtar vai até dezembro de 2027.
O clube ucraniano, inclusive, cobra na Fifa uma dívida de 1 milhão de euros (R$ 6,25 milhões, na cotação atual) pelo não pagamento das taxas de alguns empréstimos nos últimos anos.



