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Maurício de Sousa, 80 anos: três ótimas historinhas da Turma da Mônica ligadas ao futebol

O campinho do bairro do Limoeiro sempre recebe as peladas da turma. Cascão, o mais habilidoso de todos, forma uma dupla de ataque irresistível ao lado de Cebolinha. Mas toda a criançada tem espaço no time da vizinhança: Franjinha, Titi, Jeremias, Humberto e até o Xaveco. Gosto pelo futebol que se dá também quando a galerinha se reúne para ver um jogo na televisão. Cascão e Cebolinha deixam a amizade um pouco de lado nos clássicos entre Corinthians e Palmeiras. A Mônica seguiu os passos do pai e escolheu o São Paulo para torcer, enquanto a Magali é fã do Peixe – e não apenas como santista. Mesmo o Chico Bento tem seu time de coração, o São Bento de Sorocaba.

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Assim, dentro do universo cheio de cores e inocência imaginado por Maurício de Sousa, o futebol sempre teve o seu lugar. Não poderia ser diferente, diante da paixão do criador da Turma da Mônica pelo esporte. São-paulino convicto, o desenhista costuma frequentar estádios – a ponto de ser entrevistado na saída do Mineirão após o 7 a 1 da Alemanha.  Reproduz a essência do futebol através de suas crianças. Além de ser passatempo dos personagens, a modalidade também foi motivo de criação de alguns deles.

Se partidas e torcidas servem de pano de fundo em muitas historinhas da Mônica, neste contexto nasceu o Boa Bola, primeiro personagem da turma dedicado ao futebol. Primo do Cascão, era jogador profissional e contava as histórias do meio. Mas não teve vida longa nos quadrinhos, retratado apenas em tirinhas de jornal e em aparições raras nas revistinhas. Depois de Boa Bola, surgiram outros jogadores pelas mãos de Maurício de Sousa, todos criados a partir de craques reais. Pelezinho é o mais duradouro deles, inventado em 1976. Na esteira do sucesso, o cartunista ainda imaginou como seria a versão em desenho de Maradona, Ronaldo, Ronaldinho e Neymar. Emplacou.

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Já entre os demais personagens, Cascão quase se juntou às categorias de base do Corinthians, em uma revistinha de outubro de 1984. Porém, o sonho não se cumpriu na história “O futuro craque da Seleção”. No mais, as principais referências ao futebol se concentram nas falas. De tão corintiano, Cascão prometeu tomar banho nas tirinhas de jornal de 1977, às vésperas do fim do jejum. Mas isso só depois que Maurício de Sousa já tinha definido para qual clube paulista torcia cada protagonista. Antes, o menino que não gosta de água “virou a casaca” pelo Santos, assim como Cebolinha comemorou título do São Paulo. Detalhes que até se perdem entre tantos anos de quadrinhos.

Nesta terça, Maurício de Sousa completa 80 anos. E para celebrar a grande obra do cartunista, separamos três historinhas relacionadas ao futebol. Elas indicam a predileção do desenhista pela modalidade e não escondem a sua compreensão ampla sobre a questão. Bom para quem gosta de juntar esportes e quadrinhos:

Cascão e Cebolinha em Amizade

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Cascão em O futuro craque da Seleção

* Falta a primeira página da história

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Cascão em Futemania

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.
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