Brasil

A sensação carioca que deslanchou depois de escolher o lobisomem da cidade como mascote

O Maricá, recém-promovido, lidera o Carioca com três vitórias em quatro jogos se inspirando (?) em lenda urbana

Talvez você tenha sido obrigado, por qualquer razão, a abrir a tabela do Campeonato Carioca nesses últimos dias. Não vou te julgar. Começo de ano é difícil, o futebol brasileiro ainda está engatinhando e a gente fica na fissura para entender como vai ser a temporada.

É pouco relevante o fato de os clubes grandes estarem lá embaixo, já que está todo mundo em ritmo de pré-temporada e com time misto. Muito mais divertido é o Maricá na liderança.

É a primeira temporada do Tsunami na elite do estadual. O clube foi fundado de facto em 2017, mas fez uma parceria com o CF Rio de Janeiro e assumiu seu lugar na pirâmide do futebol carioca (a resolução que oficializa a mudança é de 2018).

O projeto bem-sucedido impressiona. Com apoio da prefeitura da cidade de 200 mil habitantes, o Maricá foi subindo divisões e, nesse ano, faz sua estreia na elite do Carioca. Além do acesso, conquistado no fim do ano passado, outro elemento-chave chama a atenção: o mascote.

Torcida do Maricá comemora vitória contra o Botafogo (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Gazeta Press)
Torcida do Maricá comemora vitória contra o Botafogo (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Gazeta Press)

O Lobisomem de Bambuí, que inspirou o Maricá

Mascotes exóticos são uma tradição inestimável do futebol brasileiro. Pessoalmente, sou apaixonado pela Igreja do Luziânia e pelo Sapatão do Novo Hamburgo. Mas o Maricá está no páreo com o seu Lobisomem de Bambuí.

A origem do lobisomem está nas lendas urbanas da cidade. Em 2009, o distrito de Bambuí ganhou holofotes nacionais quando recebeu equipes de reportagem da TV Record e do Jornal Extra. A ideia era investigar um suposto lobisomem que aparecia nas noites de lua cheia e aterrorizava moradores. As reportagens são incríveis.

O lobisomem ganhou status de celebridade na cidade e recebeu até uma música depreciativa (a internet chamaria de “Diss”) composta pela estrela do funk de Maricá, o MC Meia Noite.

Não foi a única obra cultural inspirada pelo lobisomem. O filme “A Lobisomem de Bambuí” (2024), da cineasta maricaense Jéssica Voguel, estreou em 2024. O trailer pode ser visto no Instagram:

É difícil relacionar o surgimento do mascote com a boa fase do Maricá, mas as coincidências estão aí. Eu que não vou duvidar.

Foto de Andrey Raychtock

Andrey RaychtockColaborador

Colunista da Trivela. Mais angustiado que um goleiro na hora do gol. Jornalista com passagens por Globo, Esporte Interativo (atual TNT Sports) e Cazé TV. Percorrendo os becos e vielas do futebol alternativo e dividindo o que encontrei.

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