Brasil

A relação especial de Luis Fernando Veríssimo com o futebol

Brasil se despede do bem-humorado escritor gaúcho que era apaixonado pelo Internacional e retratava a simplicidade do cotidiano

Luis Fernando Veríssimo morreu na madrugada deste sábado (30) aos 88 anos após complicações de uma pneumonia, de acordo com comunicado oficial do Hospital Moinho de Vento. Autor de mais de 70 livros, o escritor e cronista se destacava pelo humor nas obras e maneira única de enxergar o dia a dia. Neste contexto, tinha uma relação muito especial com o futebol.

O esporte das quatro linhas era uma das paixões de Veríssimo além da literatura, tal qual o jazz. O gaúcho foi autor de “Internacional: autobiografia de uma paixão”, livro que retrata seu amor pelo clube colorado, e também a crônica “Não me acordem” quando a equipe conquistou o Mundial de Clubes de 2006.

A escrita depois da vitória por 1 a 0 sobre o Barcelona em Yokohama, no Japão, recordava algumas dificuldades que a equipe havia enfrentado ao longo dos anos e como “tudo se encaixou” no final.

— Tudo tinha um sentido que você apenas não percebera, na falta do momento máximo. A vitória do Grêmio em Tóquio em 1983, os anos medíocres, o quase rebaixamento, as finais desperdiçadas, os vexames, as desilusões — tudo era prólogo para ontem — dizia parte do texto.

— Agora ficou claro, agora ficou lógico. Os próprios destaques como melhor do mundo conquistados pelo Barcelona e pelo Ronaldinho faziam parte da preparação para o nosso 17 de dezembro, que não teria o mesmo gosto épico se o adversário fosse outro. Tudo era armação para aumentar o brilho e o drama do nosso momento máximo. Tudo se encaixava– relatou ele.

Veríssimo comumente retratava o Internacional como o time que “batia nos ricos” e focava em abordar a simplicidade do cotidiano em suas obras. Isso também pode ser observado no livro “O Cachorro Que Jogava Na Ponta Esquerda”, que ressalta aspectos do futebol de várzea.

— Imagino que quem joga descalço em terra batida desenvolva um tipo de habilidade e instinto que não se aprende nas escolinhas — disse ele em entrevista à Editora Rocco ao lançar o livro, em 2010.

Carreira de Luis Fernando Veríssimo

Luis Fernando Veríssimo, escritor e cronista brasileiro
Luis Fernando Veríssimo, escritor e cronista brasileiro (Foto: Imago)

Filho de Erico Verissimo, o gaúcho passou parte da infância nos Estados Unidos. A carreira no jornalismo começou em 1966, como revisor no jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre. Seu primeiro livro, “O Popular”, foi publicado em 1973.

O escritor manteve colunas nos jornais “Estadão”, “Zero Hora” e “O Globo”, onde também participou da cobertura das Copas do Mundo de 2002, 2006 e 2010. Vendeu cerca de 5,6 milhões de exemplares ao longo da trajetória.

Luis Fernando Veríssimo deixa a esposa, Lúcia Helena Massa, três filhos, dois netos e o legado da maneira simples e bem-humorada de se ver a vida.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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